POEMAS : ( E ) JENÁRIO DE FÁTIMA

 




"Borboletas são pequenos fragmentos
 coloridos e encantados que se soltam 
de um poema escrito por Deus para encantar o mundo!"

Elzira Coutinho




VELHA RUA


Lembra velha Rua, quantas... quantas tardes, 

Caindo mansamente sobre seus quintais? 

Quebrada a paz apenas pelo leve alarde 

Dos múltiplos festivos bandos de pardais.


Lembra velha rua, pois não existem mais

 Lotes não cercados, casas de madeira, 

Os ventos de agosto que ao erguer poeira 

Tingiam em barro as roupas dos varais.

Lembra velha rua numa vida serena 

Quantas vezes eu, Zulu mais dona Helena

 Ficávamos só olhando a tarde que caia.

Hoje velha rua, nada mais conheço, 

Muitos por aqui com orgulho espesso, 

Nem mesmo respondem quando dou bom dia.



· 23 de setembro de 2012 · 

 

RETINAS

* Jenario de Fátima *

Meninas andam comigo.
Andam contigo também.
E pelos rumos que sigo.
Nos rumos que a vida tem,

Pouco me importa o perigo
Porque vou pra mais alem,
Pois sei que meu inimigo
sou eu mesmo e mais ninguém.

E estas duas meninas
De silhuetas tão finas
Nos teus olhos feito opalas,

São as mesmas que um dia
Me disseste em poesia;
"São tuas, venha buscá-las...


· 24 de setembro de 2012 · 

 

FLOR DE SETEMBRO

(Jenario de Fatima)

Chegaste junto com a Primavera
Trazendo as tantas cores de Setembro
O dia da chegada não me lembro
Confesso que não estava à tua espera.

Porém, a intensa luz que te apodera
Clareou minh'alma que andava em sombra
Guiando meus passos por suave alfombra
a um lugar que alguns chamam de quimera

E enxerguei coisas que antes não via
Como um pôr de sol ou nascer de lua
Ou a louca estrela vista à luz do dia

Deslizando ao céu, totalmente nua
E em meio a tudo isso apenas percebia
A minh'alma ir sendo entrelaçada à tua...

· 28 de setembro de 2012 · 

 SILÊNCIO


* Jenário de Fátima *


Eu quero alguém, mas é pra vida inteira.
Não uma hora, semana, ou coisa assim.
Porque o tesão é coisa passageira
Somente amor é inicio, meio e fim .
.
E que este alguém não se imponha nem queira
Pelos meus medos se apossar de mim.
que me ensine que a vida verdadeira
espinha igual as rosas de um jardim.
.
Eu quero alguém que quando estiver triste
Me mostre a fórmula (se é que ela existe)
Pra que a tristeza não me prenda em travas.
.
E se eu errar não grite nada alem
porque quem ama sabe muito bem
quando o silêncio vale mil palavras.

· 29 de setembro de 2012 · 

 

CONSOLO

* Jenário de Fátima *

Era pra ti, tudo que havia em mim.
Pra ti guardava o melhor pedaço,
Era pra ti sempre o maior espaço.
Das flores que eu plantava no jardim.

Tudo era teu, acostumei-me assim.
Me contentava em seguir teus passos
E mesmo quando ao negar-me abraços
Me aquiescia pelo gesto, e fim.

Então notei que algo estava errado.
Ao ver que tanto esforço concentrado
Nada valia frente a teus caprichos.

Me libertei... se sou feliz não sei!
Mas pelo menos assim não verei,
Meus sentimentos como fossem lixos!

· 10 de outubro de 2012 · 

 (by Poemas , mensagens e amigos -Jenario de Fatima)


DOIS LADOS

* Jenário de Fátima

Existe a mão que agride e amão que ampara.
Existe a voz que enxota e a que acarinha
Existe a flor que nasce em forma rara
Existe o fungo, a praga e a erva-daninha.

Existe o que agrupa e o que separa
Existe o gavião e a andorinha
Existe quem confunde e quem aclara
E existe quem expulsa e quem aninha.

A nós nos cabe apenas escolher
Saber dos lados qual queremos ter
Como aliado e como companhia.

Porém, é necessário que se diga
Por mais que espalhem ódio, mágoa, intriga
Os bons inda são ampla maioria.

· 2 de dezembro de 2012 · 

 VIA Poemas , mensagens e amigos -Jenario de Fatima.


BUSCA INSANA

* JENÁRIO DE FÁTIMA *


Tenho andado só nos últimos anos,
A sensibilidade à flor da pele.
Atrás de quem me cuide, quem me zele
Na busca inexplicável dos insanos.

Face cansada por perdas e danos
E por vendavais que minha nau impele.
Nunca me acostumo ao frustrar de planos,
Ou sal da lágrima que o olhar expele.
.
Mas cada dia sempre é um recomeço,
Mais um trecho a somar pelo caminho.
Por cada face... Cada rosto que conheço!

Mais me maltrato, questiono, e me definho!
E em cada quarto ou cama que amanheço,
Vou ficando cada dia mais sozinho!

· 3 de março de 2014 · 

 

PENA

*JENÁRIO DE FÁTIMA

Tenho pena das coisas que perdi,
ao longo da estrada percorrida.
De tudo que sonhei, mas não vivi
por não fazer-me forte frente a lida.

Tenho pena dos livros que não lí.
Da canção que já não mais é ouvida
Dos filmes que passaram e não vi
Das chances que não foram repetidas.

E se pena alguma ainda me sobre
dá pena ver a tardezinha pobre
a qual inspira os versos que componho.

Que passa tão vazia e tão parada
e onde não vejo mais as revoadas
...as belas revoadas de meus sonhos.


Pena

Tenho pena das coisas que perdi,
Ao longo da estrada percorrida.
De tudo que sonhei, mas não vivi.
Por não fazer-me forte frente à lida.

Tenho pena dos livros que não li.
Da canção que não mais é ouvida.
Dos filmes que passaram e não vi.
Das chances que já não são repetidas.

E se pena  alguma ainda me sobre,
Da pena ver a tardezinha pobre
A qual inspira os versos que componho.

Que passa tão vazia e tão parada.
Onde não vejo mais as revoadas
...as belas revoadas de meus sonhos.




Jenario de Fátima


 

Delírio

 

Jenário de Fátima 

 

De onde será que vem amor, a chama

Que queima dentro em nós tanto desejo?

Que passa além da língua, além do beijo,

Até manchar lençóis de nossa cama...!

 

E quando amor, o fogo nos inflama,

Embora eu abra os olhos, nada vejo.

Meu mundo se resume num lampejo,

De uma boca que geme...lambe...mama...

 

Porém, o que eu mais gosto entre nós dois

è o que se tenta achar, logo depois.

Depois que o gozo vem, que a transa finda

 

Parece que as carnes saciadas

Revoam as almas entrelaçadas,

tentando encontrar-se mais ainda.


 



CIRANDA



Jenário de Fátima

 

Meu coração andarilho

Vagou por tanto caminho.

Tanta curva, tanto trilho,

Tanta rota em desalinho.

 

Tanta luz de pouco brilho,

Tanta flor de muito espinho.

Tanto beijo maltrapilho,

Tanta cama sem carinho.

 

Tanta gente ao derredor,

Tantas vezes eu tão só

Te chamei desesperado.

 

Até que num belo dia,

Fez-se a mais louca magia

E eu acordei do teu lado...

Jenário de Fátima



CHORAR PRA QUE?

Detesto que alguém chore, choro junto
Perco a vontade de seguir em frente
Ás vezes, de tão triste, eu, doente
Fico se interesse, sem assunto.

Chorar pra que? Sempre me pergunto
Se a vida passa assim tão levemente
Um choro bate ao fundo, dói a mente
Ecoa no meu "eu" e sofro muito.

Porém, algo me acolhe e de improviso
Lembro que também se colhe um riso
Daquela mesma boca em desatino

E deste riso aberto, rosto alegre
É a imagem que guardo e me segue
E volto então, de novo, a ser menino...

Jenário de Fátima

CERTOS AMORES

 

Jenário de Fátima

 

Certos amores nos deixam marcados,

Duras seqüelas, fundas cicatrizes,

Feito dragões no corpo tatuados

Em cores fortes e densas matizes.

 

E estes dragões podem ser encontrados,

Nos dias tristes, cinzas, infelizes,

Que arrastam-se sempre tão demorados

Nos condenando feito maus juízes.

 

E pensamos fugir... mas! fugir pra onde?

Se eles nos seguem sempre aonde vamos?

E mesmo que a mente u'a maneira sonde

 

O coração não faz o que queremos.

E dói nos inda mais se constatamos,

Pois quando os olhos fecham, mais os vemos!

 Castigo



Jenário de Fátima

Debaixo do viaduto Ayrton Senna 
Dormiam sempre um bando de mendigos. 
Naquele amontoado dava pena, 
ver todos procurando algum abrigo. 

Talvez por não gostar daquela cena, 
ou sentir-se culpado (... cá me digo!) 
O governo de ação vil e pequena 
Mandou plantar urtigas de castigo. 

Mendigos?! (se falavam...) pouco importa! 
Assim o problema se resolvia

Importava era o verde que crescia. 

Ali passando agora me comovo. 
Vejo naquelas plantas cores mortas! 
As cores do abandono de um povo!

 Arredores (1)

 

Jenario de Fátima

 

Perto de minha casa, tinha alguns barracos

Que juntos se formavam, pequena favela

As suas paredes de papelões e sacos,

Compunham a paisagem de minha janela.

 

Neles, as crianças, de brinquedo em cacos

Sujas e maltratadas mas pra mim tão belas

E feliz eu era correndo no meio delas,

Ou dando-lhes de meu pão em generosos nacos.

 

Até que um dia, uns caminhões da Prefeitura,

Com homens de azul, Fisionomias duras,

Carregaram todos para muito distante.

 

Paradoxal, então tudo me parecia

É que junto, levavam também a alegria

Daquela brutal miséria itinerante.

 

Brasília-   04/01/2007

 ARREDORES II


Perto de minha casa tinha uma capela,
onde as rezadeiras e seus tantos meninos.
Iam pelas tardes entoando hinos
numa cantilena mais triste que bela.

E eu esperava, pela hora aquela
em que alguém viria bimbalhar os sinos
Que ao ecoar as notas, os lentos desatinos
retalhavam à tarde lânguida e singela.

E pelos toscos bancos de dura madeira
Pelo vâo esparsos, cheios de poeira
A gente acomodava-se, muda e submissa.

E o Padre Rui, de uma fala eloqüente
Nos fazia crer, que ali junto, presente
Deus entre nós estava, assistindo a missa

Jenario de Fátima

CRENÇA

 

Jenário de Fátima

 

Se achegue...se aconchegue...vem pra perto

Não precisas me tocar, caso não queiras

Só deixe se espalhar na casa inteira

O cheiro desse teu perfume incerto

 

Lá fora está tão frio, tão deserto

Nas brumas da neblina costumeira

Se esconde uma cidade prisioneira

Que a mão do Minuano a tem coberto

 

Me basta tão somente tua presença

Pois isso faz crescer a minha crença

Que a fé que trago em mim é verdadeira...

 

A fé que serás minha um certo dia

Enquanto isso ouça que melodia

É o crepitar das brasas da lareira

Menina

 

Menina me de seu colo.

E do seu colo eu preciso

Do vento eu invento um solo

Um solo de improviso.

 

As vezes num verso embolo

Cabo perdendo o juízo

Mas logo eu me consolo

Termino tudo num riso.

 

Menina meu bem querer

A gente procura ter

Bem mais daquilo que pode

 

E quando não conseguimos

Um verso se busca e rimos

Pra que tudo se acomode

 

Jenario de Fátima

5/4/2011 bar


DEPOIS DA TEMPESTADE

 Jenário de Fátima

  

Meio dia... Uma da tarde... Tempo quente...

 

As nuvens se avolumam, se amontoam,

Raios riscam os céus e trovões troam,

A tempestade faz-se de repente.

 

Mas logo a chuva cessa... águas correntes

Se escoam pelos ralos que as escoam,

O sol reaparece e as nuvens voam...

Deixando um arco-íris de presente.

 

A vida é feita assim... a natureza,

Alterna-se entre risos e tristeza,

Se faz por entre bens e dissabores...

 

Estou vivendo em plena tempestade,

Porém quero ganhar, no fim da tarde,

O encanto do meu arco-íris de mil cores!

Desforra

 MALDADE

Jenario de Fátima

 

 Se despertar o interesse de alguém

Apenas só pra engrandecer o ego

E depois o olhar tornar-se cego

A quem por certo só vai querer bem

 

Se dizer um “eu te amo” tão porem

Pra das palavras fazer-se emprego,

De um falso querer, de um falso apego

De uma tola ilusão e mais nada além

 

Quando se age assim desta maneira,

-E somente estupidez a isso chama-

Se esconde entremeio a brincadeira

 

Algo bem pior do que se pensa;

- Pois ao não ter pra si quem tanto ama

Na dor que vem dos outros se compensa...


DESEJO

Jenario de Fátima

Quero estar bem perto a ti a qualquer hora
E não importa os quilômetros de distância
Pra saciar a minha sede, a minha ânsia
de ter você junto comigo aqui e agora

Todo este tedio que o meu céu descolore.
Talvez só seja falta de sua presença
Porém me fica a esperança, fica a crença
De tê-la um dia, mesmo que isso demore.

Quero sua boca, o seu corpo, o seu beijo.
Pra saciar a fome de meu desejo
E apagar este fogo que me inflama.

 

Depois do gozo, acariciar sua pele nua
E nem se importar ,quando com ciúme a lua
Vier deitar junto a nós, na mesma cama.


DIA DO AMIGO 

Feliz, muito feliz dia do amigo
Que este dia traga paz e amor
Amigo não tem credo, não tem cor
Amigo é tanto novo como antigo.

Feliz, muito feliz dia do amigo
Amigo não tem mágoa nem rancor.
Amigo sempre nos fica a favor
Quando a vida impõe algum perigo.

E nessa novíssima modalidade
Nesta nova forma de amizade
Que o mundo virtual nos tem deixado.

A gente sempre acha algum jeito
De aconchegar-lhe dentro nosso peito
Num lugarzinho doce e arejado.

Jenario de Fátima


ACONCHEGO

 

Jenário de Fátima

 

Quero um lugarzinho em que tu possas

Ficar tranqüila, sem preocupação

Onde as minhas, as tuas, as roupas nossas

Espalhadas fiquem todas pelo chão...

 

E que as horas passem sem que hajam pressas

E que nossas vozes, mais o violão

Se ajuntem as três em longas conversas,

Conversas feitas formato canção.

 

E que este lugar seja só ternura

E que tenha um gosto de fruta madura,

Daquelas que a gente vai tirar do pé.

 

E que lembre sempre, sempre a toda hora

Que sou seu senhor e que és a minha senhora,

Que sou eu teu Homem e que és minha mulher.

ABRIGO

Jenário de Fátima

 



Está chovendo por dias a fio...

A água toma as praças, ruas e quintais.

Na tepidez de um caixote vazio,

Tremelicando eu vejo alguns pardais.

 

A cena é terna, comovente e rio,

Quando um deles se afasta dos demais

Alçar vôo tenta, mas penso que o frio

Congelou-lhes as asas... E ele volta atrás.

 

Quantos de nós, humanos nesta hora

Que a fria solidão a alma devora

Estarão na busca de um refúgio amigo?

 

E feito os pardais, da cena enternecente,

Se resignariam, pura e simplesmente

Se houvesse um abraço pra servir de abrigo.

A CURA

 

Jenário de Fátima

 

Te leio e durante sua leitura,

Me sinto em um total envolvimento

Que os versos que me dás, são como alento

Uma fuga, ao que minh’alma procura.

 

E por instantes penso achar a cura,

O arroio, o acalanto, o mimo, o ungüento

Me és como melodia vinda ao vento

E a angústia que me envolve desfigura.

 

Após ler-te também abro uma linha

Ouso poetar e nesta ousadia

Atesto toda insanidade minha.

 

Mas, meu verso surpreende alguma vez

E digo a mim mesmo com alegria;

Até parece que a Sílvia quem o fez!

 Soneto dedicado à escritora e poetisa Sílvia Schmidt.


A LAVADEIRA

 

Jenario de Fátima


E bate... E bate a roupa, a lavadeira.

Por cada peça dão-lhe apenas um Real

E as peças vão formando uma montoeira,

De tons e cores pela corda do varal.

 

E bate... E bate... E bate uma canseira

De outro dia, tão difícil, tão igual

E as peças vão formando na esteira,

Multinuances d’algum quadro surreal.

 

E quando lá pelo final do dia,

O assovio de uma triste melodia

Como em milagre o seu peito ainda arranque.

 

Ela então pensa se há pão pra sua prole,

Nesta hora uma lágrima talvez role

E eleve o nível da água que há no tanque...

SAUDADES, AMOR...

 

Jenário de Fátima

 

 Três da manhã... Tá tão frio... Eu acordo...

Estava sonhando com você, sonho inocente.

Você tão longe, mas te sinto tão presente.

Em cada cena, cada coisa , que recordo.

 

E fico assim, sem ter nada pra fazer...

Um poema? Mas me falta inspiração

E ali do lado, querendo se oferecer

Calado, quieto, o meu amigo violão.

 

Mas raciocino... Já é alta madrugada

Tocar agora? Posso acordar os vizinhos

Espero um pouco... Logo vira a alvorada

 

E junto dela o voar dos passarinhos

Minha saudade então terá forma alada

E como as aves não seremos mais sozinhos...


 VENENO

 

Jenário de Fátima

 

Se alguém lhe fala mal de outra pessoa

E fala assim, despudoradamente,

A mesma voz que agora a ti ecoa,

Falara também de ti, futuramente.

 

A palavra que corta, que atordoa,

Como um punhal que, impiedosamente,

Vai dissecando, por motivo a toa,

A carne de uma vítima inocente,

 

Talvez seja o maior mal da humanidade...

A coisa mais baixa que alguém recorre

Pra ferir outro alguém com crueldade.

 

Mas a vida por vezes vem puni-la.

Às vezes ela agoniza e até morre,

Pelo mesmo veneno que destila.


FUGA

 

Jenário de Fátima


                              Estamos sempre ajuntando pedaços,

De quando arrebentamos nossa cara.

E se uma ferida cicatriza e sara

Desaparecendo até de nossos traços

 

A insistência que nos leva os passos,

Com queda nova, logo se depara.

E novamente a alma vem e separa

Nossos caquinhos e os amarra em laços.

 

E nestes laços sempre, sempre deixa,

Um suspiro, uma súplica, uma queixa

E a face marcada de profunda ruga.

 

Mas deixa mais... Deixa um intenso frio.

Deixa um grande , um enorme vazio

De um belo sonho que partiu em fuga.

22 de novembro de 2009


A DANÇA DO TEMPO


 Jenário de Fátima

 

Era um outro tempo, dentre outras eras.

Via no mundo um fervilhar de cores,

Na boca o gosto doce dos sabores,

No campo o sol bordava primaveras.

 

Não se existia o tédio das esperas.

Acontecia tudo sem favores.

Por entre os beijos fartos dos amores

O tempo deslizava outras esferas.

 

Mas aquele tempo foi-se, um outro veio.

Este mais sério, mais sisudo e feio

(Pra velhos o tempo não faz folia...)

 

Assim eu fico preso nas lembranças

Enquanto no relógio segue as danças

Das horas sonolentas do meu dia.

 

Jenário de Fátima



ESCOLHAS

Deixe que o vento traga outras paragens
De lugares onde por certo nunca irei.
Onde vivem pessoas das quais não sei ,
Onde são comuns as loucas imagens.

Deixe-me na viagem que faço em delírios,
Nos sonhos burlescos e por vezes banais,
Onde as caras pintadas dos carnavais
Ajudam a enganar os meus martírios!

Deixe sim, deixe! Mas não me acostumo!
Procuro um jeito, um sorriso, um rumo,
Pra que a vida siga seja qual o caminho.

E os meus descaminhos foram tantos!
Das escolhas só me restam os prantos,
Porque perdi até o mais doce carinho!

Jenário de Fátima


SEGREDO


Jenário de Fátima

 

 Sempre quando o Sol morre a cada dia.

É um tem a mais, somado em nossa vida.
Mais um pedaço da estrada percorrida,
Pela efemeridade que se amplia.

 

Mas, se a existência é opaca e vazia,
Deixando no fundo da alma retida
A tristeza, que chega decidida,
Ocupando espaços que eram da alegria

 

Ai então, é preciso reavaliar conceitos.
Saber perdoar alguém que nos feriu.
Identificar erros e defeitos

 

Mudando em nós mesmos como não se viu.
Ah! Conseguindo isso, conte-me o jeito...
Conte-me o segredo... De como conseguiu!


TEU BEIJO

 

Jenário de Fátima

 

 Este teu beijo amor, será tão doce

Como é doce o pio da Cotovia?

E se de mel, amor, ele não fosse

De que então, amor, ele seria?

 

Seria da cor que o arco-iris trouxe

Pra colorir nossa tarde vazia

Ou feito aquele amasso que findou-se

Em uma cama bem quente e macia?

 

Teu beijo amor, diga qual o gosto

Pra eu saber o que nele foi posto

Além do mel, um pouco de pimenta.

 

E se eu entender talvez consiga

A ver um aviso onde se lê: siga

Nesta loucura que o amor inventa.

 

COMUNHÃO

 

Jenário de Fátima & Ana Barreto

 

Te quero ter pra mim agora e sempre,

Um amor de completo encantamento.

Quero ir a fundo neste sentimento

Que se plantou assim feito semente.

 

E após semear como se ara a terra

E espera dela o que poderá nascer,

Como o sol que clareia o amanhecer

Na turva neblina que ali descerra

 

E apenas seremos como Deus supunha...

Não feito amores que a vida rascunha

E depois esquece qual furtiva luz.

 

Estaremos sim, pelo sempre ligados

Um no outro unidos, presos, completados

No universo desse amor que nos conduz...

 


SOBERBA

 

Jenário de Fátima

 

 

Essa mania de se achar gigante.

De sempre olhar pra cima ao dar o passo...

De se arrogar a quase todo instante

Aquilo que não é com estardalhaço.

 

Essa mania de dizer constante

Que teve sorte grande sem cansaço

E considerar insignificantes

Aqueles que rodeiam seu espaço.

 

Essa mania de quem sempre se acha

Que no falar a sua voz troveja,

Em uma espécie única se encaixa;

 

Naqueles que ao mostrar tanta vaidade,

Querendo sobre si causar inveja,

Desperta-nos apenas piedade.

 

EU POETA?


Jenário de Fátima

 

 Eu poeta?!... qual nada, sou apenas

Alguém que inventa uns versos por caprichos,

Versos quebrados, simples, fáceis, michos

De rimas pobres, de rimas pequenas.

 

Rimas que por aí se encontram às centenas.

Basta uma olhadela, um pequeno espicho

Do seu pescoço, pra se achar o nicho

De onde elas fluem livres e serenas.

 

Meu verso simples vem da tarde mansa

Da casa pobre ou menino de rua

De povo heróico que jamais descansa.

 

Do sol que queima ou do clarão da lua.

De tantas coisas presas na lembrança

E da insanidade que ora me acua.

3 de fevereiro de 2010


TIPO ASSIM

 

Jenário de Fátima

 

 

Depois da hora do Ângelus, vez em quando,

Quando já se anuncia a noite escura.

Meu olhar vaga o céu como em procura

De qual estrela mais está pulsando.

 

São tantas, tantas que vou separando

Em brilhos, tons, tamanhos e texturas

Enquanto o pálio aberto configura,

Universos em chamas faiscando.

 

Mas eis que uma se solta das alturas,

E cai nálgum lugar distante e frio.

E eu perdido em minhas conjecturas,

 

Relembro me de uma coisa tipo assim.

Quando tu foste eu fiquei tão vazio

E ninguém mais veio cuidar de mim....



O QUE É O AMOR?

 Jenário de Fátima

  Se amor é isso que cantam os poetas

E escritores mostram em seus enredos.

Se o amor transforma ateus em ascetas

E torna bravos em homens com medos.

 

Se o amor tremula e abala estruturas

E aprisiona heróis em degredos

Se o amor é sempre uma eterna aventura

E meio a ela somos só brinquedos....

 

Acredito então que nunca tenha amado

Nunca vivenciei nada que fosse assim

Cada caso meu sempre foi controlado

 

Tudo que eu queria estava dito e fim

Mas o amor vira... Me diz alguém ao lado

E em forma de deboche, ri, com dó de mim...

24/09/2020 PÁGINA J. DE F. POETA


LIBERDADE... LIBERDADE...

 

Jenário de Fátima

 

Esta coisa, que uns chama liberdade.

De fazer aquilo que bem se entende.

De fazer tudo que se dá vontade

De arvorar-se de que em nada se prende

 

Não existe. Existe sim de verdade,

É um estado de euforia que acende

Uma luz, cujo brilho surpreende,

Mas que esvai-se logo na escuridade.

 

É que sempre, sempre estaremos presos.

E os grilhões sabe cada qual os que têm.

Trabalhos, família, são como pesos

 

Que nos prendem, nos cerceiam, mas porém,

Não nos tornam tão frágeis, tão indefesos...

Como a coisa de não ser preso à ninguém.

24 de janeiro de 2010


VALE A PENA

 

Jenário de Fátima

 

 Eu amo um alguém que nem sequer me olha,

Que não se importa ao que se dá comigo.

Sou feito a flor que o vento mau desfolha

E vai cair na laje de um jazigo.

 

Sou qual perfume que só se desrolha,

Pra relembrar-se de um amor antigo,

Sou a gotícula que a terra molha,

E some em terra como por castigo.

 

Mas mesmo assim, dentro em mim existe

Um anjo que não chora ou se apequena.

Se não me alegro, também não sou triste

 

Não trago voz que julga, que condena

Pois la no fundo, algo me diz, insiste

Que o amor por mais que doa, vale a pena!


LEVE CANTO

 

Jenário de Fátima

 

 

Pelo negroso desta noite feita.

Chega uma horrenda figura de fera.

Vida de antiquíssima, de remota era

Que de tocaia, me espiona, espreita...

 

Enquanto a foice ela, calma, ajeita

Ao seu redor um brilho reverbera

Sinto-a somente apenas na espera

Pelo momento em que serei colheita...

 

Mas eu, embora em visível pranto

Ainda rezo em prece e nesta hora

Na voz do vento eu ouço leve canto.

 

A fera se assunta, grunhe, e vai embora

E eu adormeço ao embalo do acalanto

Na voz pausada de Nossa Senhora...

 



REVOADA


Retalhos

.
Que nosso amor seja algo assim bem leve.
Como é bem leve o riso da criança,
Que em correria se arremessa e lança
Sobre a campina feita em branca neve.
.
E se este amor tiver a vida breve.
Que sua brevidade seja mansa,
Tal qual a pluma que no ar balança,
Deixando encanto na rota que escreve.
.
Porem se um dia deste amor partires,
Entenderas que olhares deslumbrados
Só brilham enquanto dura o arco-íris.
.
Mas no entanto não seguiras sozinha,
Hás de lembrar que em meio a teus guardados, .
Haverá sempre alguma coisa minha.
.
Jenario de Fátima


Página curtida · 20 de setembro de 2012 · 

  TE DEIXO...


Te deixo um carinho, um beijo, um afeto
Te deixo o gesto leve de um aceno.
Te deixo o céu, como se fosse o teto
De nosso mundo as vezes tão pequeno.

Te deixo a letra, a frase, o alfabeto
Te deixo a gota feita no sereno.
Te deixo a flor que nasceu no concreto,
Mas que se abriu de jeito doce, pleno.

Te deixo o mar, imenso, mas estranho
Que mesmo tendo aquele seu tamanho
Parece não guardar nenhum segredo .

Te deixo anjos que revoam em bando
Que aparecem assim de vez em quando
Quando me envolve as garras dálgum medo

jenario de Fatima


Tardes de outono

 

Eu te vejo entre os lírios da varanda.

Quando o frio destas tardes outonais

Traz consigo revoada de pardais

Com a intensa alegria que Deus manda


Eu te sinto quando o cheiro de quitandas

Se espalha entre as cercas do quintais

E te escuto naquela que grita mais

Das crianças juntas a dançar ciranda.


Mansas tardes... tardes mansas de outono.

Quantas vezes eu coberto de abandono

Iludi-me em te ver pelos caminhos.


Mas após a ilusão de cada cena.

O destino implacável me condena.

A vagar pelo mundo dos sozinhos...

 

Jenário de Fátima


FIM DE FESTA


Se quem você ama vive de ameaças,
A abandonar-te, deixar-te, coisa assim!
E usa sempre isso pra fazer trapaças,
Falando em constância de um provável fim.


Se quem você ama vive de pirraças,
Apenas pra enervar-te ou algo mais alem
E às vezes se desmancha em graças
Fazendo-te inferior a outro alguém.


Se quem você ama, só te vê defeitos
Questionando sempre seus conceitos
E nem mais pedindo tua opinião.


Então se acabou!... Fim!... Final de festa...
Recolha o pouco orgulho que te resta,
E procure abrigo noutro coração.



1 de dezembro de 2012 · 



Jenário de Fátima

 

Pois é...

  As vezes distante está perto.

E em outras que está perto está distante
...As vezes o errado é que está certo
Quando o erro é um sonho distante.


As vezes tudo em volta é tão deserto
Mesmo em meio de uma multidão falante.
As vezes soa falso, soa incerto
Um "te amo" quando dito a todo instante.


As vezes muito Sim quer dizer Não.
As vezes a voz que prega o perdão
É quem mais precisa ser perdoada.


As vezes fico quieto e me emudo,
Ao saber que alguém que diz ser tudo
Usa isso pra esconder que não é nada.

-Jenário de Fátima-


Zilma Rocha

· 3 de julho de 2016 · 

 

TEUS OLHOS

Te faço um verso de amor.
Um verso só não, dez... Cem...
Pra perguntar qual a cor
que estes teus olhos tem.

Eu se fosse sabedor
não contaria a ninguém.
Nem mesmo a mais bela flor
que nasce num canto além

daquela última estrela
por onde o cosmo se agita.
que ninguém consegue vê-la

pois dela só sabe Deus.
Mas nem ela é mais bonita
feito a cor dos olhos teus!

Jenario de Fatima

NOITE DE TORMENTA



Jenário de Fátima

É noite de tormenta, o vento urra,
Como um felino preso, engaiolado
Se esgueira pelas frestas do telhado.
Rebate nas vidraças, a porta empurra.

O vento é bruto e mau, a terra curra,
De um jeito feroz, descontrolado,
De frente, atrás, de lado, espanca esmurra.
( Ele está feroz, está zangado!)

Em noites de tormenta, noite assim.
Uma mão vinha outrora com carinho,
Calma e meigamente repousar em mim.

Agora eu apalpo, tateio, em vão procuro.
Mas eu não encontro nada neste escuro,
Comigo resta à dor de estar sozinho...

Jenário de Fátima


Zilma RochaPoemas & Sonetos Para Todos

· 24 de agosto de 2012 ·

 

ÚLTIMO VERSO



Em meu corpo ainda adormecido,
Só tuas mãos, meu íntimo completa.
Um desejo louco, ainda não vivido,
Qual o último verso que busca o Poeta.

O nosso sentinela é o anoitecer
Astros vindos em linha reta,
Cortam os céus, como fossem um ser,
Anjo ou cupido que não erra a seta.

Eu te desejo, amor, de um jeito pasmo,
Com olhos tontos, tontos de um orgasmo,
Feito de suor, volúpia e carinhos...

Para ver-te depois, dormindo mansamente
E acreditar que a vida segue em frente,
No mais suave e leve dos caminhos.

Adriana Leal & Jenário de Fátima


Zilma RochaPoemas & Sonetos Para Todos

· 22 de agosto de 2012 ·


QUERERES


(Jenario de Fátima)

Quero abrir hoje todas as janelas,
Deixar que invada o sol meu quarto a dentro,
Soltar amarras, enfunar as velas,
Ir dos meus mares navegar ao centro.

Quero pintar alegres aquarelas
E não deixar, pelos versos que invento,
Nenhum vestígio de dor ou sequelas,
Destas que o amor traz a qualquer momento.

Quero sentir o vento no meu rosto,
Ir beber água da mais pura fonte,
Me inebriar na luz d'algum sol posto

E antes que a noite torne a terra um breu,
Eu quero crer que as nuvens do horizonte
Escrevem o teu nome junto ao meu.


Zilma RochaPoemas & Sonetos Para Todos

 23 de agosto de 2012 ·

 

AMO-TE



Jenário de Fátima

Eu te amo, com a força dos temporais,
Com a fúria incontrolável dos vulcões.
Com a energia acumulada nos trovões
Desde longos tempos imemoriais.

Eu te amo, com a leveza dos cristais,
Com a textura das rosas em seus botões.
Com as notas delicadas das canções
Com as cores de mil roupas nos varais.

Eu te amo todas as horas do dia
E este amor ora leveza, ora tormenta,
Este amor que hora é prazer ora agonia

Pra meu barco é a segurança de um cais.
Muito embora ele saiba e se contenta
Que apenas é só mais um!...e nada mais!

POR UM TRIZ


 Jenário de Fátima


Eu quis-te tanto amor, tanto te quis.
Que na grandeza deste bem querer.
Aos poucos...lentamente meu viver
Se consistia em te fazer feliz.

Porém amor qual voz do povo diz
"O pior cego é o que não quer ver"
Que finge, faz de conta não saber
Da relação que é sempre por um triz.

E sento assim amor, de forma errada,
Com intenção de dar-me o tempo inteiro
Que fui forjando minha derrocada

E destruindo o "eu" mais verdadeiro
Que quando fostes não chorei nem nada
Porque já tinha morrido primeiro...

Jenário de Fátima



RASTROS
Jenário de Fátima

Deixamos belas pegadas na areia.
De nossa andança sinuosa e vaga.
Porém a maré que os olhos tonteia
No vai e vem da onda tudo se alaga.

Na vida, quando o amor nos incendeia.
Quando sua chama ergue e se propaga
Nele, ao redor dele tudo se baseia,
tudo ao redor dele unge e se consagra.

Mas se este amor não vê por onde pisa,
Qual o chão que segue os seus leves passos.
Ao lembrar da praia algo nos avisa;

-Olha vá com calma em suas andanças,
Este amor que agora alegra seus traços,
Breve lhe trará só tristes lembranças .

Jenário de Fátima


JENÁRIO DE FÁTIMA


DEPOIS DE AMOR



Depois do amor minha poeta dorme.
Respiração tranquila e tão profunda.
Que o quarto e feito de uma paz enorme
Enquanto em paz meu coração inunda.

E eu fico ali a somente analisa-la.
Meu braço firme seu corpo circunda
Me aconchego, aperto a sua bunda
Preocupado em não acorda-la.

Depois aliso calmo seus cabelos.
Meus dedos atrevidos vão aos pelos
Pois sei que ali eles se sentem bem.

E nesta especie de pura magia.
Extenuado em meio a fantasia.
Logo depois eu vou dormir também.

Jenário se Fátima





TE AMO -

 Jenário de Fátima

( 054 )

Eu te amo com a força dos temporais
Com a fúria incontrolável dos vulcões
Com a energia acumulada dos trovões
Desde longos tempos imemoriais.

Eu te amo com a leveza dos cristais
Com a textura das rosas, em seus botões.
Com as notas delicadas das canções
Com as cores de mil roupas nos varais.

Eu te amo em todas as horas do meu dia
E este amor, ora leveza, ora tormenta,
Este amor que ora é prazer, ora agonia,

Pra meu barco é a segurança de um cais
Muito embora ele saiba e se contenta
Que apenas é só mais um... e nada mais!



QUASE NADA


Jenário de Fátima

( 055 )
Eu te dou tudo o que trago comigo.
Mas não é o ouro que faz-se alianças,
Nem o perfume que vem lá da França
Ou o raro gosto de um vinho antigo.

Dou-te somente o meu ombro amigo.
E o meu jeito de eterna criança
Que cantarola e ri e brinca e dança
Quais borboletas sobre grãos de trigos.

É que não tenho nada de valor.
Eu me contento com beleza e cor
Do arco-íris que me deixa mudo.

E se quiseres, dou-te um verso ainda
Para explicar-te quanto à vida é linda
Dos que do nada se retiram tudo...

Jenàrio de Fátima




QUEM AMA


Jenário de Fátima

Quem ama inventa coisas sem sentido.
Coisas estranhas, em que o olhar se inflama,
Como enxergar belo campo florido
Onde somente existe terra e lama.

Como querer o fruto proibido
Mesmo que esteja na mais alta rama.
Como crer que alguém , mesmo perdido,
Carrega em si a luz de ardente chama.

Quem ama vive sonhos e surpresas,
E se envolve em doce fantasia
Ao ser levado pelas correntezas

De mares nunca dantes navegados,
Guiado pela luz que irradia
Faróis dos corações enamorados.

Jenário de Fátima




Jenário de Fátima



Te dou um beijo, um abraço
E outras coisinhas mais.
Amor não sei o que faço
Pois meus dias são iguais

As vezes sou só cansaço
E em meio a temporais
Pareço nau em pedaços
A procura de algum cais.

Por isso te quero tanto
Anjo meu não sinta espanto
Em tudo aquilo que falo

E se acaso te agredir
É fácil, é só pedir
que num minuto me calo.

Jenário de Fátima



A LINHA



Jenário de Fátima

Entre tua casa e a minha,
Entre minha casa e a tua.
Quando é de tardezinha
E a noite preta insinua.

No céu se forma uma linha
Que levemente flutua,
Entre o voo das andorinhas
E o arvoredo da rua.

E é impossível não vê-la,
Pois ali mora uma estrela
Que é pura insensatez.

Quando vê nosso namoro,
Aumenta o brilho, faz choro
Prá vir namorar a três .

Jenário de Fátima



ESTRELAS



Jenário de Fátima

Estrelas tantas a luzir distantes.
Pontinhos claros e tão pequeninos.
Mas se refletem em olhos meninos,
Tornam-se fogo por alguns instantes.

Estrelas tantas por onde os amantes
Tentam achar a lira dos destinos
E trazem luz à fé dos pelegrinos
E dão a Norte à nau dos navegantes...

Estrelas tantas, tão longínquas velas,
Azuis e brancas, rubras e amarelas,
Olhem que estranho o que se dá comigo;

Como é que pode, tão distante eu te-las?!
Se quem tanto eu amo, junto a mim estrelas
Por mais que eu queira ter, eu não consigo!...

Jenário de Fátima


MIGALHAS

 Jenário de Fátima

Bem pior que não ter a quem se ama.
É ter um coração desnaturado,
Que grita, que anseia, que reclama
Alguém que não se importa a seu chamado.

Alguém que quase sempre inventa um drama.
Alguém que tem seu tempo ocupado.
Alguém que cria história, molda trama
Cujo papel só pensa pro seu lado.

Ainda assim este coração insiste.
Mesmo que infinitamente triste,
Esta sempre por perto de olhar vago.

Sonhando com um aceno de improviso,
Na busca da migalha de um sorriso,
Feito um cãozinho que procura afago.

Jenário de Fátima


PRESENTE


Jenário de Fátima

Te dou meu verso simples, inocente.
Já que mais nada posso dar-te agora.
O fiz juntando a luz do Sol poente
Ao gosto adocicado de uma amora.

Bem sabes que sou pobre, infelizmente
Não posso dar-te a joia que namoras.
Então, de rimas faço meu presente
Se acaso não gostares, joga fora.

Porém verás em um tempo vindouro,
Que todos os teus mimos, os teus zelos.
Que tudo o quanto chamas de tesouro

Se não houver amor, não basta tê-los.
Será quando da prata, no que ora é ouro
Fizer se a cor que tinge os teus cabelos

Jenário de Fátima


ROMANCE



Deixe que eu beije ao menos o teu rosto.
Já que a tua boca eu sei, não me pertence
E que neste beijo eu imagine e pense
Que tua pele tem da língua o gosto.

Fique comigo a luz d'álgum sol posto
Destes que enquanto a noite a tarde vence
Cria-se um doce clima de suspense
Qual a novela sem fim pressuposto.

Deixe que eu toque leve teus cabelos
Mas que sinta a intimidade de teu pêlos
Numa impressão que apenas vê quem ama.

Mas deixe mais, deixe até que eu me iluda,
Que tua boca assim calada, muda,
...É um convite a me chamar pra cama...

Jenário de Fátima



Jenário de Fátima


COISAS TANTAS

Certas coisas meu anjo, não tem preço.
Qual seria o valor de um amasso
Quando o amor que ainda no começo
Acelera o coração em descompasso?

Quando custa ter cama, um endereço
Para o corpo dolorido de cansaço?
Custa quanto se na vida ao avesso
Chega alguém só pra nos dar um abraço?

Quanto custa meu anjo, custa quanto,
O olhar da criança em puro encanto
Ao ganhar o brinquedo que queria?

Estas coisas comuns em tantas cenas,
Por acha-las singelas e pequenas
Não lhe damos valor que se devia...

Jenário de Fátima



Jenário de Fátima

FULGOR


Eu passo a noite, garimpando estrelas,
Buscando a que mais pulsa, a que mais brilha
E o caminho de Santiago é a trilha
Que passo na intenção de recolhe-las.

Insano, lá no céu, penso prende-las,
Nas linhas de hipotética armadilha.
Porém, se uma se solta e desvencilha,
Eu fico aqui tristonho por perde-la.

Com os meus amores é também assim,
Prendo-os, só quando me delira a mente.
Mas logo se soltam, se afastam de mim.

Somem-se ao meio de fugazes cenas,
E tão igual a luz da estrela cadente,
Duram um segundo...um segundo apenas!

Jenário deFátima




Jenário de Fátima



*DOMA*

Pelo meu. pelo teu, pelo nosso próprio bem.
Eu preciso domar um sentimento.
Este amor no qual tanto me atormento
E que com fúria quase sempre vem.

Esta insanidade toda que ele tem.
Isso que toma cada meu momento.
Esta loucura, este deslumbramento
Não é bom nem pra mim nem pra ninguém.

Eu quero sim o amor, quero sim amar.
Mas que eu possa domá-lo, não ele me domar
E que seja feito em formas naturais.

Pois finalmente agora acho que aprendi,
Por tudo que passei e pelo que já vivi
Que o amor só apenas faz mal, quando é demais.

Jenário de Fátima







                                         · 25 de outubro de 2012 
                                           Aguardente

Tem amor que parece aguardente.
Queima e ferve o sangue que há na veia.
Embriaga, entontece, incendeia,
E faz de bobo o coração da gente.

E tontos, seguimos alegremente,
Pelos rumos que este amor norteia.
Parando vez por outra, volta e meia
Só pra saborear seu gosto quente.

No entanto quando passa a euforia,
Qual remédio que já não faz mais efeito
A cabeça assim meio que vazia

Tanto dói, que nem mais pensa direito
E constata; Tudo era fantasia,
Não existe amor algum daquele jeito

Jenario de Fatima 

 


  ( 067 ) 


Jenário de Fátima


OLHOS NOS OLHOS

Detesto trancas, mutos, alambrados.
Cercas elétricas, como dói vê-las.
É triste ver seres encarcerados
Com medo até de olhar as estrelas.

Nem os meus versos estão registrados.
Os solto para quem acaso lê-los.
Os quero como os cachos ondulados
Do vento quando bate em seus cabelos.

Porém por mais que eu seja literário.
Por mais que eu queira sempre me soltar
Por mais que sonhe um mundo imaginário

Onde o que é prisão não tem lugar
Me prendo e quero tudo ao contrário
Quando me bate a luz do seu olhar...

Jenário de Fátima


 Jenário de Fátima


ÍNDIA

Esta índia é meu encanto
Coisa querida que amo
De tanto sonhar, de tanto
Sou qual a rosa no ramo

Que algum vento desfolha
Mas ainda mesmo assim
Quando algum sereno a molha
Passa um anjo ou querubim

Que abraçam a índia minha
Pra no final da tardinha
Quando dorme o entardecer

Pra dizer sempre sorrindo
O Poeta é terno infindo
Pois gosta e ama você .

Jenário de Fátima

14 de Outubro de 2013

  





Jenário de Fátima

CANTIGA PRA MARTA SOARES

Eu e você no parque da cidade...
Flores... alguns anjos...querubins...
Entre nos dois somente a vontade
Do olhar as tantas flores do jardim

No arrastar do dia, chega a tarde
Tingida em leve toque de carmim
E teu olhar parece apenas arde
O medo de que aquilo tenha um fim.

Um beijo roubado, porque não?
Ninguém pode explicar a emoção
De um beijo quando é dado de improviso

É que nele há um gosto diferente
Como que pedindo pra ir em frente
De um mundo que ainda não foi visto .

Jenário de Fátima



EXTASE

Graciela da Cunha e Jenário de Fátima

Teu corpo solto em meu leito
Abandonada ao êxtase de estar
Num fogo que me arde o peito
Querendo só te apossar

Espasmos nos quais me deito
De não querer me abrandar
Um jogo em que sempre aceito
Me perder, pra te ganhar...

Anda... me arraste pra cama
Me abranda o calor da chama
Que me devora por dentro

E depois do prazer, só deixe
Que meus neurônios se enfeixem
No verso simples que invento

Graciela da Cunha e Jenário de Fátima



GRATIDÃO II

Jenário de Fátima


Era uma belíssima manhã de primavera.
E o sorriso doce que mamãe tinha
Refletia a dança que do céu vinha
De uma bela Pipa, que eu mesmo fizera.

Mas um vento brusco que do nada gera
Em um repuxão arrebentou a linha
O que forçou mamãe a correr sozinha
Atras do Papagaio...eu fiquei espera...

Minutos depois, ei-la a minha frente
Cansada, ofegante, mas terna, contente
Com a minha Pipa que julguei perdida.

Cinquenta anos após mãe, eu estou aqui
A agradecer-te que em toda sua vida
Ajunta meus brinquedos soltos por aí...

Jenário de Fátima




Jenário de Fátima

Espalho meus sonetos pela net
Assim tentando esquecer a solidão
Enquanto dados vêm e dados vão
Eu me sinto entre plumas e confetes

E esse estado lúcido me arremete
Num desconhecido mundo de ilusão
Quando( onde ) meu verso flui na direção
De um alguém que o arquiva ou que o delete

Passamos horas e horas assim despercebidas
Como um rio sem fim e nem começo
Como se minhas dores escondidas

Mudassem de formato, de endereço
E a quimera doce só é vencida
Quando na madrugada adormeço

Jenário de Fátima




ESTAÇÕES



Jenário de Fátima

E roda o tempo suas quatro estações.
Se cai folhas no outono, a primavera
Borda em cor o campo, tudo recupera
Trazendo aos olhos flores e emoções.

Se o inverno é rigoroso aos corações,
A ansiedade ronda, bate espera
As luzes que anunciam a quimera
Quando num brilhante sol, faz-se os verões.

E como nas estações se faz a vida.
Mas,será vale só guardar comida
Como a Formiga faz, sempre estocando?

Ou viver assim feito uma cigarra
Que canta e canta e no cantar se agarra
Ao ponto de ao morrer, morrer cantando?

Jenário de Fátima

Jenário de Fátima

GRATIDÃO I


Era uma manhã de simples primavera.
E o sorriso doce que mamãe tinha
refletia a dança que lá do céu vinha
de uma bela Pipa, que eu mesmo fizera.

Mas ventou bem forte, pela atmosfera
e um repuxão arrebentou a linha,
o que forçou mamãe a correr sozinha
atrás do Papagaio... Eu fiquei a espera!

Uns minutos depois, ei-la a minha frente.
Cansada, ofegante, mas terna, contente,
com a minha Pipa que julguei perdida.

Cinquenta anos após mãe, aqui comovido
quero agradecer-lhe por passar vida
sempre me acolhendo quando estou perdido...

Jenário de Fátima



Jenário de Fátima

MALDADE


Se despertar o interesse de alguém
Apenas só pra engrandecer um ego,
Pra depois ver o olhar tornar-se cego
A quem decerto só vai querer bem.

Se disser um "Eu te amo" tão porém,
Pra das palavras se fazer emprego
De um falso gostar, de um falso apego
Causando ilusões mais mada além.

É que no agir-se assim desta maneira
( E somente estupidez que isso chama)
Esconde-se entremeio a brincadeira,

Algo bem pior do que pensa;
Tem gente que por não ter a quem se ama,
Na dor que vem dos outros se compensa!

Jenário de Fátima






Jenário de Fátima


ORAÇÃO PARA O ANO NOVO

Que neste Ano Novo que começa.
Eu posso estar mais perto, mais presente.
E leve o tempo sem ter muita pressa,
Já que a pressa é um mal que abate agente.

E que não faça mais tolas promessas,
Pra não tornar-se delas dependente.
E quando a vida vir pregando peças,
Caso que chorar, que eu chore sutilmente.

E que eu não sofra tanto por amor.
Nem fique imaginado aonde for,
Alguém que poderia estar comigo.

E se morrer um sonho que outro cresça.
Pra que ao cuidar dele então esqueça,
Da solidão que habita o meu abrigo.

Jenário de Fátima






Jenário de Fátima

PAI NO ASILO

Neste dia dos pais eu só queria,
Lembrar os pais que vivem nos asilos.
Os que não tem ninguém que vá ouvi-los
Quando a noite fizer-se horrenda e fria.

Os que não tem ninguém por companhia.
E choram a ausência de seus filhos.
E já não mais carregam velhos brilhos
No mesmo olhar que em luz se incandescia.

Porque será que existe coisa assim
Nessa nossa existência passageira?
Porque alguns com a vida já no fim

Só tem a solidão de companhia?
Não mais ganhando amor, amor enfim
O mesmo que deram a vida inteira?

Jenário de Fátima




Jenário de Fátima

PAI


Era meu pai, um simples operário
Um homem do povo, cidadão comum
Tinha tantos sonhos como qualquer um
Mas pouco expunha se imaginário

Na sua busca por trabalho vário
Nunca recusava serviço nenhum
Fazia apenas, suor seu salário
Mas nada faltou-nos em momento algum

A lembrança bate de saudade cheia
E orgulhosamente vou ficando assim
Abençoo seu sangue pulsando minha veia

Mas uma pergunta cá bem dentro cai
Falo que minhas filhas se lembram de mim
Desta mesma forma que lembro meu pai?

Jenário de Fátima





TARDES POÉTICAS



Jenário de Fátima



CANTARES

Se as solas de seus pés estão calosas,
Cansadas de vagar tantos caminhos.
Se minha mão feriu-se nos espinhos,
Quando queria apenas colher rosas.

Se minha fé por sendas duvidosas,
Viu milhões de fieis que estão sozinhos.
Se busquei no sabor de velhos vinhos,
A fuga das tristezas amorosas.

E se hora, vez por outra,quando ponho,
Os olhos sobre a tumba d'algum sonho,
Um certo desespero ali me assalte,

Sei que bambeio, só que não me rendo.
Porque la dentro em mim o que pretendo
É só cantar...Até que a voz me falte!...

Jenário de Fátima




Jenário de fátima

RESIGNAÇÃO



Eu sei...tudo acabou... resta mais nada...
Agora é ter coragem de ir em frente...
No meio de minhálma abandonada,
Meu peito já não dói, ficou dormente.

Apenas quando chega a madrugada,
E o sono some assim completamente,
Parece que a saudade em forma alada
Se faz inda mais forte, mais presente.

No meio do vazio que me enfeixa,
E faz com que eu adentre sua porta,
Meu coração mergulha já sem queixa

Refém desta lembrança que me conforta.
Qual o perfume que o Sândalo deixa,
Na lâmina do machado que corta.

Jemário deFátima


Jenário de Fátima



QUE ASSIM SEJA...

Que novo tudo seja ano que vem.
E que se faça sim, O que não se fez.
E o que não der certo se tenta outra vez
E que de cada meta se vá mais além.

E que se vença agruras que a vida tem.
E que jamis se cale ante a insensatez.
E que nunca se implore o amor de ninguém
E que cada sorriso multiplique em três.

E se acaso houver um não como resposta.
Que não se esmoreça, refaça a aposta
Até que as coisas se ajeitem bem.

E que ninguém perturbe a paz dos passarinhos
E que eles cantem pros que são sozinhos
E que assim se seja... Seja assim... Amém.

Jenário de Fátima






Jenário de Fátima


INDIFERENÇA

Eu quis-lhe tanto e o tanto que lhe quis,
Foi algo impossível descrever.
E ali, naquele imenso bem querer
Já nem me lembro ao certo o que fiz.

O que eu queria era lhe ver feliz.
Não me importei ao meu próprio viver.
Me contentava tão somente em ser
Algum brinquedo,- como assim de diz-

Porém, você me fez gato e sapato,
Aproveitou-se de meu ser pacato
Pra ir bem mais que as linhas da razão.

Isso matou toda a qualquer magia.
E não senti prazer sequer no dia,
Que você veio a mim, pedir perdão.

Jenário de Fátima




Jenário de Fátima 
 e
Janete do Carmo


ELO ACHADO

Quem sabe se a gente descobrir
Um jeito de mais se estreitarem nós
Jamis nós voltaremos a ouvir
Aquela canção dos vivem sós

Seja cordas, fitas ou barbantes
A prender as notas da emoção
O segredo se revela em instantes
No abraço da razão e do coração

Sejam quais forem elos ou correntes
Sejam quais forem formas de prender
Tudo é possível quando duas mentes
Procuram um amor pra se viver

Amor não se prende; nele, se solta
Mas quando o laço do arremate está dado
Não tem solidão que dê mais uma volta
No sentimento, presos, somos elo achado.

Jenário de Fátima
e
Janete do Carmo



Jenário de Fátima


DUAS PARTES

Dentro em mim há uma parte que te odeia,
Quando dizes que sou somente um caso.
E ignora toda mágoa que rodeia
E a aflição que me toma o olho raso.

Mas entanto, outra parte te anseia
Incandesce-me em fogo, põe em brasa.
Me carrega em delírio, me incendeia
Quando amamos aos gritos pela casa.

Nesta angustia o meu peito de divide.
Se uma parte te diz sim, outra diz não.
Se uma parte te acalenta, outra agride...

Se uma parte te aceita, outra renega,
E a que nega deixa nítida impressão
Que querendo afastar-se... mais se apega!

Jenário de Fátima







Jenário de Fátima

DE SONHOS E QUIMERAS

Sempre sonhei que as primaveras minhas
Trariam flores de espécies raras,
Onde as abelhas ditas operarias,
Buscassem ali o mel de suas rainhas.

No meu sonhar o rublo das tardinhas,
Pintava os céus de tons imaginários,
Enquanto o canto doce dos canários,
Se misturavam ao voo das andorinhas.

E eu era só uma criança apenas...
Tomada de mil sonhos e quimeras,
E enquanto imaginava estas cenas,

Havia em mim face um riso solto,
Confesso que não tive as primaveras
Mas vivo ainda ao mesmo riso envolto.

Jenário deFátima




Jenário de Fátima


DEPENDÊNCIA

Meu coração é igual grande deserto.
Que tanto faz calor, tanto faz frio
Que tanto esta fechado ou tanto aberto
Que tanto esta amável ou está bravio

Ele ora esta distante, ora esta perto
Ele ora esta constante, ora erradio
Ele ora esta confuso, ora esta certo
Ele ora se transborda, ou esta vazio

Em meio a todas metamorfoses.
Meu coração se acalma ou se agita,
Como doente a depender de doses.

De doses de alegrias e tristezas.
Doses de convicções e incertezas.
Daquela que lhe mora... Que lhe habita.

Jenário de Fátima


Jenário de Fátima


DESEJOS DE ANO NOVO


Neste Ano Novo que ora se começa,
Desejo-te o mesmo que tens já agora.
Aquilo que te cerca a quase toda hora,
Mas que por vezes não te interessa.

Pois nesta coisa de ter sempre pressa.
Talvez nem notes como é bela a aurora...
Talvez nem notes quando o campo aflora...
Talvez nem notes se alguém quer conversa...

Por isso claro, quero teu progresso,
Mas também quero em meu humilde verso
Pedir-te que valorize o que já tens.

Pra que se acaso perdê-los vir um dia,
Não venhas lamentar que não sabia
O quanto eram valiosos os teus bens...

Jenário de Fátima

Jenário de Fátima



Eu sou seu anjo
Sou o seu pastor
Faço um arranjo
Invento uma cor

Depois te abraço
Com tanto carinho
Que vejo em teu traço
E no coraçãozinho

Que você é minha
Minha, sempre será
Como a andorinha

Que no seu voar
Pede a tardinha
Por favor, Não vá .

Jenário de Fátima

Jenário de Fátima


ENTRE O SONHO E O AMOR

Quem nunca teve um grande amor é certo.
Quem não viveu na vida a plenitude
nem percorreu um mundo em que se ilude
em ver o céu imensamente perto.

Nunca sentiu assim também decerto
na noite quando tudo é quietude,
a face a demonstra como amiúde
as linhas de um sorriso semi-aberto.

Ah!... O verdadeiro amor quando acontece
todos os sonhos também junto ocorrem.
E o mundo inteiro fica e se parece

Como uma flor de esplendoroso viço.
Pena que muitos nascem, crescem, morrem,
Sem que a vida experimentem isso.

Jenário de Fátima


Jenário de Fátima e Graciela da Cunha

FANTASIAS

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Realize minha fantasias
Explore os meus trejeitos
Neste corpo que anceia

Me banhe em seu erotismo
Me faça sentir amada
Me morda na madrugada
Com teu mais puro cinismo

Apague meu fogo imenso
Pois só assim me convenço
Que o calor desta chama

Só se apaga, só se aquieta
Quando minh'alma poeta
Se une a tua... na cama

Jenário de Fátima e Graciela da Cunha

23/12/ 2008

Jenário de Fátima



EU OUÇO O VENTO...

Eu ouço o vento passar
Eu ouço passar o vento
Fico ali a imaginar;
Onde irá meu pensamento?

Mas não importa o lugar
Tudo tem contentamento
Se você vier buscar
Algum verso que invento.

Algum verso mesmo tolo
Porque no fim é um bolo
Das tantas coisas que li.

E por mais simples que seja
Quero que com amor o veja
Porque foi feito pra ti.

Jenário de Fátima
CANTIGA PARA H10 ( VELHA RUA ) 


Jenário de Fátima

Lembra velha rua, quantas e quantas tardes
Caindo mansamente pelos quintais
Quebrada a paz apenas pelo leve alarde
Dos múltiplos e festivos, bandos de pardais

Lembra velha rua, pois nem existem mais
Os lotes não cercados... As casas de madeira
E os ventos de agosto que ao levantar poeira
Pintavam em tons de barro, as roupas dos varais

E a vida velha rua, como serena
E quantas vezes eu, Zulu mais dona Helena
Ficávamos conversando, enquanto o sol caia

Hoje velha rua, não mais te conheço
Muitos dos que tí moram, ignoram apreço
...E as vezes nem respondem, quando dou bom dia!


Jenário de Fátima



MINHA VELHA RUA

Eu também tive a minha ruazinha
Como o poeta teve a sua e a cantou
Mas daquela velha rua que me restou
Foi só recordação de quando a tinha

O que te fizeram minha velha rua
Porque um insano veio e te asfaltou?
Quem te fez calçadas? E quem foi plantou
Todos esses postes na beirada tua?

Cadê a tua poeira do mês de agosto
Cadê a tua lama do mês de dezembro
E a melancolia em cada sol posto?

Deus do céu queira...em vago instante
Revive-la em tudo, tudo que eu lembro
E te-la assim só minha como a tinha antes.

Jenário de Fátima

Jenário de Fátima



ESPERA MEU AMOR...

Espera meu amor, que não demoro.
Somente algumas horas, alguns dias
os versos que com rimas eu coloro
serão a cor de nossas fantasias.

Espera meu amor, que não demoro.
Esqueça as madrugadas tristes frias
seja aquela da tristeza com qual moro
ou solidão que de noite te espia.

Espera meu amor, eu não demoro
e minha mente tece, borda cria
E até umas palavras já decoro
pra te dizer imersas de alegria.

Espera meu amor, que não demoro
nem se quisesse mais demoraria
De risos de euforia eu já choro
só esperando tua companhia..

Jenário de Fátima



Jenário de Fátima

MUDANÇAS


Se eu pudesse mudaria o mundo.
Evitaria sismos, tempestades...
Destas que as vezes arrasam cidades
Numa pequenas frações de segundo.

Iria de alguns transformar o fundo.
Não importando quais suas idades,
E varreria deles as maldades,
Que por sabê-las de choro me inundo.

Mudaria muito mais, iria além
Eu diria da bondade que Deus tem
Atá pra quem nem mesmo nele crê.

Porém tem algo que não mudaria
Que é o brilho, o encanto, alegria
Quem vem de meu olhar quando te vê.

Jenário de Fátima

Jenário de Fátima e Loyd Elger

MOMENTOS

Meu coração estava assim aberto
Você chegou com brilho no olhar
Nem te notei, estava assim deserto
Num misto de magia e de sonhar

Contigo sinto-me livre e amada
Que venha logo este nosso encontro
Espero, aguardo a tua chegada
Cheia de lírios e de doce encanto

Pois sei amor, a vida é sempre curta
Meu coração algumas vezes surta
Já se esquecendo daquilo que crê

Nessa hora em desespero entro
E que em mim, lá dentro bem no centro
Existe uma metade viva de você

Jenário de Fátima e Loyd Elger



Jenário de Fátima

MIRAGEM

Bem mais difícil que amar novamente,
é desgarrar-se de um amor antigo,
aquele que ainda serve como abrigo
aos sonhos que permeiam nossa mente.

O que ainda dói infatigavelmente,
e nunca se aquieta em seu jazigo.
E faz o tempo caminhar consigo
sobrepujando-o pura e simplesmente.

Curar um amor com outro?!...Oh bobagem,
pra certos amores não há panaceia,
eles são feitos assim como a viagem

Cujo retorno ninguém sabe ao certo.
Ainda mais se deles vem a ideia
que o amor é qual miragem num deserto.

Jenário de Fátima


Jenário de Fátima



MEIO ASSIM...

Eu ando meio schopenhauriano...
Lendo Nietzsche...Ouvindo Taiguara...
É sempre assim em finais de ano,
Quando a susceptibilidade me ampara.

É que agora nem mais faço planos.
Porque não tenho as idéias claras.
O peso dos sucessivos enganos
Me queima, como o fogo nas coivaras.

E os meus sonhos eram tão modestos...
Mas mesmo assim não atingi as metas.
E sobrevivo com as sobras, restos

Das poucas coisas que foram concretas.
Como esta sensação a qual empresto
A falsa ilusão que sou Poeta...

Jenário de Fátima


Jenário de Fátima

MENINOS DE RUA



Eles agora ocupam todos os espaços,
Súcia...Farândola...O que quer que se diga
Se mostram agressivos, o que sempre obriga
Um monitoramento por sobre seus passos.

Mas embora tenham comportamento crasso
Apenas são crianças que ninguém abriga,
Que ninguém afaga, consola, arraiga,
Que ninguém conforta sob um terno abraço.

Como dói-me vê-los sujos, escanifrados
Os lixos revirando, feito cães vadios! Mas apenas
são crianças meu Deus!...E o Estado?

Ah, este pútrido os vê, com o mesmo fastio
De um inumano,um bandoleiro sempre acostumado
A cometer seus atos vis a sangue frio!

Jenário de Fátima




Jenário de Fátima

ORGULHO TOLO

Lhe fiz meus versos de amor sincero...
Palavra por palavra, cada rima,
Era como quem dança e cria clima
Nos passos sensuais d'algum bolero.

Mas o seu jeito rijo, sempre austero,
E a coisa de querer estar por cima
Aos poucos fui perdendo a auto-estima
E agora desisti, mais nada quero

Estranha, muito estranha é minha vida
As vezes até choro as escondidas
Por tanto me doar a quem não presta.

Porém enxugo os olhos, sigo em frente
No amparo deste tolo e decadente
Orgulho que comigo ainda resta!

Jenário de Fátima

Jenário de Fátima


VENHAS EM PAZ

Se vieres à mim, chegue de leve...
Venha em passos calmos...Miudinhos.
Ao meu redor revoam uns anjinhos,
e assusta-los sei que não se deve.

Eles me guardam nesta vida breve.
Indicam a direção de meus caminhos.
Trabalham pra que o mal fique em seus ninhos
e o que é ruim se esconde, e não atreve.

Por isso no chegares, se desarme
desfaça qualquer mágoa ressentida,
sem pressa, sem mistério e sem alarde.

Esqueça se há rancor nos olhos teus
e repare em minha aura embevecida
o quanto é grande minha fé em Deus.

Jenário de Fátima


Jenário de Fátima


A COR DA FELICIDADE

Me diga menina bela.
Me conta bela menina,
de toda cor qual aquela
que contigo mais combina.

Seria a rubra-amarela
De um ocaso em tarde fina?
Ou o verde que revela
Toda fé que domina?

Ah...Querida e doce Nina
A vida vem nos ensina
Quando estamos nesta idade.

Que a cor é indiferente
Quando a alma inteira sente
Inteira felicidade!

Jenário de Fátima





"ELES APENAS VIVEM"

Em muitas cidadezinhas do interior
O tempo parece que parou na esquina
Nos velhos casarões, no céu que descortina
Mostrando um azul, da mais intensa cor.

Parece que por lá, magoa dissabor
Com nada compactua, com nada combina
A Paz se mostra em tudo, clara, cristalina
Nas ruas, esquinas, praças, onde for...

Aí então você para, e de repente
Busca uma resposta a algo que o intriga:
o que move este povo? De que vive esta gente?

Mas veja que bobagem! Isso é indiferente!
Não resposta a esta pergunta antiga,
Eles apenas vivem...vivem simplesmente!

Jenário de Fátima



Jenário de Fátima


LUZ INTERIOR

Quem ama inventa coisas sem sentido...
Coisas estranhas onde o olhar se inflama.
Como enxergar belo campo florido,
Onde somente existe terra e lama.

Como se crer que alguém desiludido
Traz junto uma luz de intensa chama.
Como querer o fruto proibido
Embora esteja na mais alta rama.

Quem ama, vive sonhos e surpresas
E se envolve em doce fantasia
Ao ser levado pelas correntezas,

De mares nunca dantes navegados
Ondes há um farol que espalha e irradia
A luz dos corações enamorados.

18 de Julho 2009

Jenário de Fátima

Jenário de Fátima


UM MIMO

Se você quer um poema eu lhe faço
Com todo amor que você merece
Por isso agora vou passo a passo
Neste momento que a tarde anoitece

Criando rimas pra fazer um laço
feito a teia que aranha tece
Para que sintas aí meu abraço
Como se junto de ti estivesse.

Fazer poemas anjo, tão somente
É a única coisa que dou de presente
Pois eu não tenho nada de valor

Eu nada tenho, mas portanto, veja
Este meu pouco por menor que seja
É carregado de um grande amor.

Jenário de Fátima


Jenário de Fátima


O VENTO NOS SEUS CABELOS

Eu ouço o vento passar.
Eu ouço passar o vento.
Fico então a imaginar;
- Onde irá meu pensamento?

Pra qual reino, qual lugar,
pra qual rua, qual assento
qual sentido irá tomar
estes versos que invento?

Estes versos meio tolos
que misturam num só bolo
quais outros versos que li.

Mas por mais tolos que sejam
peço que teus olhos vejam
pois foram feitos pra ti.

Jenário de Fátima

Jenário de Fátima


POEMA DOCE

Te faço um poema doce,
de doce assim feito mel.
Se de mel ele não fosse
seria em cores do céu,

daquela tarde que trouxe
num amarelado véu,
um anjo que despencou-se
das nuvens em carrossel.

E este anjo caiu
num lugar que ninguém viu,
lugar de plena emoção.

Mas se perguntas pra mim;
- Existe lugar assim?
Digo; É meu coração!

Jenário de Fátima



Jenário de Fátima




PRECE POEMA

Se fosse um padre, ou um pastor em meus sermões,
Além das leis de CRISTO e dos profetas
Eu citaria obras de alguns poetas
E mesclaria, poesia e orações...

É que os poetas e alguns poemas seus.
De tão amplos, profundos e tão bonitos,
Sugerem... Parece assim escritos,
Assim escritos, com inspiração de DEUS.

Quando em momentos de medo e de agonia...
Quando respostas fogem-se a perguntas.
E mesmo a Bíblia em si mesma contaria.

E é confusa quando aborda alguns temas,
Aos céus eu ergo...Como em prece...As mãos juntas
E encontro DEUS, entremeio alguns poemas.

Brasília, 09 de Janeiro 2006

Jenário de Fátima


Jenário de Fátima



PERDÃO

Perdoe-me se eu ligar de madrugada.
E pra justificar meu ato insano,
Dizer apenas que foi só um engano
Que sem querer bati na tecla errada.

Perdoe se eu te ouvir sem falar nada.
E me mostrar um frágil ser humano
Sem estrutura a suportar o dano
Que a solidão deixa na alma calada.

Perdoa pela loucura que há em mim
E não aceitar de forma alguma o fim
E crer que existe ainda solução.

Algo que possa reatar a gente
Enquanto isso ligo in-fi-ni-ta-men-te
...mesmo que seja pra pedir perdão...

Jenário de Fatima



Jenário de Fátima

HÉLIO PRADES



Perto de minha casa a Hélio Prades era
só uma bela picada no meio da flora.
Não tinha este nome pomposo de agora
nem o trânsito louco que hoje cria e gera.

Em dias de chuva me quedava à espera
da água que descia sem muita demora.
Nela eu colocava, deixava ir embora
barcos de papel, meu sonhos e quimera.

Até quando que um dia chegou asfalto,
carregando consigo mudanças gerais,
pois desde a H 4,à Ceilândia no alto

Fincaram grossas redes de água pluviais .
A modernidade chegou dando seus saltos
...e os meus barquinhos jã não navegam mais!

Jenário de Fátima


Jenário de Fátima

SEJA...


Eu quero viver o meu próprio sonho
Nele deixar que minha alma se renda
Sem lhe cegar nem lhe colocar venda
Vê-lo difícil, mas doce, risonho

E que esse sonho seja meu sustento
Seja meu mimo, me seja xodó, minha prenda
Seja razão dos versos que invento
Seja razão que meu sonho acalenta.

E deste sonho, só cabe a mim só eu sei cuidar.
Porque só eu sei?
Porque só eu sei vê-lo crível

Deixe eu perder-me, nele enveredar
Se nele preso ando de tal forma
Que não sonha-lo mais é impossível.

Jenário de Fátima


                                                                                                                                                       ESCOMBROS




                                      MESMA MOEDA




                                        DESPEDIDA


  

Jenário de Fátima // Maria Rita Bomfim

BUSCA

Te busco assim, como quem busca a esperança,
Quem sabe até perseguindo um velho sonho
Que quando a noite no travesseiro ponho
Imagino no amor, suia imagem e semelhança...

Se a vida vem então com loucas danças
E nós, em saudades, nos revemos tontos
E as vezes que ainda não estamos prontos
Nos desfazemos tal qual duas crianças.

E vamos indo, feito dois meninos...
Que apenas almejam só a felicidade
Seguindo o rumo, a rota dos destinos

E quem mais do que nós, saberia dizer?...
Que  a mais pura de nossas verdades
Iria, naturalmente, um dia acontecer?


(( 118 ))

Homenagem de Jenário de Fátima a
Drumond, o artista vai onde o povo está.

Me diz poeta, diz ai,
Porque tem coisa que só poeta vê?
Pra que Poeta, votar no PT
Se hoje pulo mais do que Saci?
Meu bom Drummond não tenho onde ir
Penso pedir no Radio, na TV
Eu quase nada tenho pra comer
E nem sei mais Poeta a quem pedir...
Veja só Poeta, quem diria...
Lula era assim Poeta, como eu
Mas ficou grande, agigantou, cresceu
Té virou Santo, vixi, Ave Maria!...
Agora esqueceu tudo que era
Quando vê pobre tipo eu assim
Parece ate que tem pedras no rim
E se contorce, vira uma fera.
Pois é Poeta, já estou me indo
Sei muito bem que só vc me escuta
Tou indo embora velho, vou a luta
Fica com Deus ó meu poeta lindo...



Jenário de Fátima


RECOMEÇO


Explode a vida as vezes num estouro
E arrasta o mundo em sua correnteza,
Levando pela força do aguadouro
Tudo que nós tínhamos de riqueza.


O amor acumulado qual tesouro
Aquela coisa de quase certeza
Que os anos pelos quais tempos vindouros
Seriam de candura e de leveza.


Ir reparar as fendas da barragem
Recomeçar de novo, ter coragem
De ver que a vida ainda segue em frente.


Sair de nossos erros mais maduros
E enxergar nos breus dos céus escuros
A estrelas que nos guie novamente.





SONHO


LOIVIELGER E JENÁRIO DE FÁTIMA

SONHO

Quero viver com você um sonho molhado.
De amor e de carinho e de paixão.
Quero seu corpo nu bem do meu lado
Depois que o amor já feito a exaustão.

Quero ver o seu jeito debochado
Na hora mais profunda do tesão
O seu liquido leve e esparramado,
Na pele que me cobre o coração.

Porém eu quero mais, eu quero ainda,
Eu quero o amor de forma infinita,
Não seja apenas pele ou coisas assim.

Eu quero algo puro, algo pleno,
Qual o rio que a gente olha sereno,
Sem saber onde é inicio meio ou fim.

Jenário de Fátima

TEMPO DE REFLETIR

É tempo  de renovar esperanças.
De se buscar por Paz e Harmonia.
De se querer a doce fantasia
Que ronda o espírito das crianças.

É hora de separar, por na balança ,
O que tem importância, serventia
Daquilo que melhor então seria
Ficar guardado apenas na lembrança.

É tempo de dar mais valor a quem
Esta sempre por perto, nos quer bem.
E nunca nos tratou como opção.

É hora de sentir que a vida é bela
E a vezes por não saber cuidar dela
Ficamos maltratando o coração.




(( 122)) 




'
Por um triz
'
Jenário de Fátima
'
Eu quis-te tanto amor, tanto te quis.
Que na grandeza deste bem querer.
Aos poucos... lentamente meu viver
Se consistia em te fazer feliz.
'
Porem amor qual voz do povo diz
“O pior cego é o que não quer ver”
Que finge, faz de conta não saber
Da relação que é sempre por um triz.
'
E sendo assim amor, de forma errada,
Com intenção de dar-me o tempo inteiro
Que fui forjando minha derrocada
'
E destruindo o “eu” mais verdadeiro
Que quando fostes não chorei nem nada
Porque já tinha morrido primeiro...
'


 
RECOMEÇO





SER MÃE.

Ser mãe é muito mais que o dom sagrado
do gerar, de parir, de dar a luz.
A leveza desse nome sempre induz
a um mundo de entrega e de cuidado.

Ser mãe é estar perto, estar ao lado.
É ser ombro, ser amparo, ser luz.
É ser guia de um destino que conduz
a um mundo de amor sempre explorado.

Tem mãe que é avó ou outro alguém
que ao quere dividir o amor que tem
se entrega à grandeza da adoção.

E neste gesto há por certo tanto brilho
que ali pouco importa se seu filho
foi gerado no útero ou coração. 



Um Xerô

Te deixo um xerô, um afago,
um beijo de hortelã.
E neste beijo que trago
Trago o sabor da manhã.
Manhã tingida de prata.
Manhã com gosto de amora.
Igual água da cascata
Que cai, depois vai embora.
Te trago um beijo de amor.
Te trago um beijo tão doce
Que talvez um beija-flor.
Que passasse de mansinho
Imaginasse que fosse
Pra ele este carinho .
Januário de Fatima 

 ---MEMORIAS---
Memórias

Jenario de Fátima

Eu deixei na poeira das estradas,
 Sobre o pó que cobriu os meus caminhos, 
Um conjunto de moléstias mal curadas
 Cataclismos de paixões em desalinho.

Entre enredos de historias mal contadas 
Qual Quixote no combate a seus moinhos,
 Eu passei incontáveis madrugadas 
Sob efeito de aguardentes e de vinhos.

Hoje velho, sobrevivo sem conforto.
 (na verdade não tenho onde cair morto) 
Mas meu lábio ironicamente ri.

Ao saber que muitos ditos milionários, 
Ao exporem os seus bens de modos vários 
Não viveram um terço do que eu vivi...





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