POEMAS : ( A ) JENÁRIO DE FÁTIMA


 

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"Borboletas são pequenos fragmentos
 coloridos e encantados que se soltam 
de um poema escrito por Deus para encantar o mundo!"

Elzira Coutinho





Lembranças



Lembranças

Quantas ...Quantas noites mal dormidas,
Vendo o deslizar das horas mortas,
Vagamos por imagens absortas
No silêncio da casa adormecida.


Quantas as lembranças produzidas,
Que tomam de assalto o vão das portas
E erguem um retrato em linhas tortas
Daquilo o que foram nossas vidas.

E neste emaranhado sempre tem
A dor d'uma lágrima sentida
Que recorda-nos a face de alguém.

Alguém, por quem a alma chora e sonha
E o abraço ao travesseiro é a saída
...Mesmo que as vezes lhe encharque a fronha!

Jenário de Fátima



· 22 de setembro de 2012 · 

 

AMO-TE TANTO

* Jenário de Fátima


Amo-te tanto sim... amo-te tanto...
Que este amor me deixa sempre a deriva
Como se nele houvesse algum encanto
Que me tomasse em fogo a carne viva.

Amo-te assim sem nem saber portanto,
Se me aceitas ou se de mim te esquivas.
Se é feitiço magia ou se quebranto
quando me dás respostas evasivas

Porem te sonho um dia em minha cama
Pra transformá-la numa ardente chama
Onde nós dois entre brancos lençóis

Iremos juntos, desbravar caminhos,
Onde não hajam pedras nem espinhos,
Somente o doce olhar dos Girassóis...







 AMEI-TE TANTO


· 2 de março de 2014 · 

 AMEI-TE TANTO

*JENÁRIO DE FÁTIMA*

Amei-te tanto amor... Amei-te tanto!
Fostes meu ar, fostes meu alimento.
Fostes meu colo, abrigo, meu alento,
fostes meu sono ao embalo do acalanto...

Contudo amor... contudo, entretanto...
Só eu vivi total deslumbramento,
prá ti eu fui qual uma bolha ao vento
que logo estoura e perde seu encanto.

Culpar-te amor? ...Culpar-te já não posso!
Foi o meu sonho de um mundo só nosso,
contra teu medo de viver a dois.


Mágoas não tenho amor... Porque teria?!
Se conheci contigo a fantasia
... Mesmo eu ficando assim tão só depois...



· 16 de março de 2014 · 

 LIÇÃO


*JENÁRIO DE FÁTIMA”

Amei-lhe tanto e o tanto que lhe amei.
Não sei foi amor ou se foi loucura.
Se foi insanidade em forma pura,
ou total desespero... Já nem sei!

Só sei que o tempo que lhe dediquei
foi feito de paixão e de ternura.
Foi feito de entrega e de candura.
Foi feito da emoção que carreguei.

Mas só Deus sabe como fui infeliz...
Você nunca me amou, nunca me quis,
só procurava-me se estava afim.

Bom que acabou... e não lhe guardo mágoa...
pois foi contigo enchendo os olhos d´agua
que aprendi dar mais valor em mim!



* Jenario de Fatima *

AMORES VIRTUAIS 

Não brinque com amores virtuais
Eles são como todos os amores,
Provocam as mesmas mágoas, mesmas dores
Daqueles que chamamos de normais.

Estes porém machucam ainda mais,
Pois nunca se dividem os cobertores,
Dos beijos não se provam os sabores,
Nem vão-se pelos ímpetos carnais.

Mesmo assim, quando este amor se acaba
Os dias perdem o brilho, a alegria,
Parece que ao redor tudo desaba.

E a solidão ao cúmulo se revela;
Chorar-se um frágil amor que só se havia,
Na fina transparência de uma tela.


  SÓ QUERO


* Jenário de Fátima

Não quero nada que pra mim não esteja
Tangível, palpável, bem ao meu alcance
Nada que me oprima, me exaure ou lance
Por um caminho que não sei qual seja.

Também não quero, que se alguém me veja
Por silhueta ou por vaga nuance
Eu possa parecer alguém sem chance
Mas que insiste em sua cruel peleja,

Só apenas quero, que se chegue o dia
Nas voltas tantas porque gira o mundo
Eu venha conhecer a fantasia

Daquilo que na vida inteira clamo.
Que é ver a eternidade de um segundo
Ser resumida num só dizer – Te amo!

 


POIS É...


* Jenario de Fátima

Às vezes, alguém distante está perto.
E noutras, quem está perto está distante
Às vezes o errado é que está certo
Quando o erro é de sonhar constante.

Às vezes, tudo em volta é tão deserto
Mesmo em meio a uma multidão falante
Às vezes, soa falso, soa incerto
Um "te amo" quando é dito a todo instante.

Às vezes, muito Sim quer dizer Não
Às vezes, a voz que prega o perdão
É quem mais precisa ser perdoada.

Às vezes, fico quieto e me emudo
Ao saber que alguém que diz ser tudo
Usa isso pra esconder que não é nada.



ATITUDE

* Jenario de Fatima *

Talvez amor, talvez certo não desse...
O que sonhamos pra nós dois um dia.
Talvez apenas fosse Fantasia,
Destas de quem ama borda e tece.

Contudo amor, a gente envelhece
(... decerto envelhecer não se podia)
E a vida vai ficando mais vazia
Justo quando do amor se mais carece

E vem a noite amor, então sozinho
Ficamos a pensar quantos caminhos
Não fomos por faltar-nos Atitude.

E o preço caro agora que pagamos
É este de achar sempre que estamos
Num mundo em que já nada mais ilude

( 10/09/2020 PÁGINA “ J. DE F. POETA “)


 FEITO PUNHAL


* Jenario de Fátima *

Ai como dói, vivermos um romance,
Que corta e fere qual vidro partido.
Em que fazemos tudo ao nosso alcance.
Mas nosso amor não é correspondido.

Ai como dói! Se vemos de relance,
Em nós, uns olhos fitos sem sentido,
Constantemente em difusa nuance,
Em um vagar alheio e distraído

Ai como dói! Provar... Reconhecer
Estar num caso que só um lado importa.
Dá uma vontade de desaparecer.

Fugir no breu dálguma noite morta.
Mas vem o medo de no amanhecer,
De novo estar batendo à sua porta...



CARTAS DE AMOR

* Jenário de Fátima *

Já não se escreve mais cartas de amor...
Já não se envia mais doces relatos...
Já não se data as costas dos retratos
Aqueles que com tempo perdem cor.
.
Tudo hoje é feito no computador
E nesta nova forma de relato
O que se vê é tão somente um fato;
- O romantismo já não tem valor-
.
Porem, por mais que o Homem mude seus costumes,
Sempre haverá nos céus distantes lumes
Das estrelinhas que nos dão ajuda.
.
Quando nós vemos n´alma angustiada
Somente a ausência da pessoa amada
Presa na dor de amar, que nunca muda!


SOLILÓQUIO

* Jenário de Fátima *


N’alguma noite quando a insônia invade
O escuro impenetrável do meu quarto,
Em duplos fragmentos me reparto
E multiplico minha insanidade.

O escuro serve pra ser ver verdades,
E de minhas verdades ando farto.
É que verdades me doem como um parto
De onde afloram incapacidades.

“O que foi que fiz?” eu mesmo me pergunto.
-Fiz quase nada. O outro eu responde…
O inquerente insiste no assunto…

E o réu confesso com a alma acuada;
-”Nesses fracassos caminhamos juntos,
Vamos dormir que é alta a madrugada”.


· 22 de março de 2013 · 

 

AGRADECIMENTO

Agradeço-te Pai, pelos meus passos,
Já que tantos perderam movimentos.
E também pelo riso de meus traços
Quando muitos vivem de ódio e tormentos.

Agradeço-te Pai pelos abraços
Que as filhas vêm dar-me todo momento
Já que tantos dividem seu curto espaço
Nas prisões entre grades e detentos.

Agradeço-te pai, pelo pão de cada dia
Por ter paz, ter amigos, endereço
Agradeço-te pela imensa alegria

Que me toma, quando um novo verso teço
Agradeço pelo dom da fantasia
E por crer que tenho mais do que mereço

(Jenário de Fátima)



Página curtida · 27 de maio de 2013 · 

 

APÓLOGO

*JENARIO DE FÁTIMA*

Lá fora cai chuva fina
Já não é tempo de estio.
Parece que ela combina
Com meu coração vazio.

Então eu abro a cortina.
Olho pra fora... Espio...
Água leve que declina
Na extensão do meio-fio.

Dizem que chuvinha assim
São lágrimas dum Querubim
Que caiu em rodopio.

Feriu-se... Quebrou a asa...
Não pode voltar pra casa
E chora porque tem frio.



Mulher


Lá do fundo da essência feminina,
Onde florescem sonhos, emoções,
Talvez se encontre respostas as questões
Que a mais sábia ciência não domina.

Mulheres, algumas de triste sina
Diante de terríveis situações
As vezes tem a fibra dos leões
Paralela a ternura das meninas.

Como pode!? , quando são abandonadas!
Com os filhos... só os filhos e mais nada
Lançadas no mundo a revelia.

Mesmo assim conseguem sobreviver
Dão exemplos como gente , como ser...
E pra estas não basta apenas um dia...

Jenario de Fátima



A SOLIDÃO E SUAS FORMAS


 Jenário de Fátima

 Cada solidão tem a sua forma.
Até preferem uns, viver sozinhos.
Se isolam em seu canto, seu mundinho
Fazendo disso uma questão de norma.
 
Porém outros, a solidão deforma.
Não sobrevivem à falta de carinho.
E os passos pouco a pouco, em desalinho
Se perdem, e a vida toda transforma.
 
Alguns vida se leva, vai levando,
Se chora, mas se ri de vez em quando...
E o tempo vai passando, compassado.
 
Mas a solidão em seu pior feitio
É quando ou faz calor, ou se faz frio
E existe sempre ali, alguém do lado!



ADORÁVEL NOITE


 Jenário de Fátima

 


Adorável noite que me persegue

Me chama, me fascina, me tonteia

Por sobre a lua clara, vem ondeia

E deixa-me em claridade tão entregue..



O brilho do teu olhar me encanta

Dá sempre uma volta, volta e meia

E a Lua, feito o Sol, queima, bronzeia

Minh'alma ora profana ora santa.



O sangue sobe a minha garganta

E o vento bate leve em meus cabelos

E a sede de viver que sinto é tanta.



Que a liberdade me apossa inteira...

E se enrosca por entre meus pelos

Como o amor é feito pela vez primeira.


Brasília, 28/12/2008



CARICATURAS


Jenário de Fátima


Quantas noites de sono nós perdemos 

Revendo o velho filme, as mesmas cenas,

Lamentando falhas grandes e as pequenas

Lamentando os muitos erros que tivemos.



Dos delitos de amor que cometemos,

A vida vem e nos cobra, duras penas

Nos condenando a máscaras apenas

Caricaturas do que já vivemos.



Mas o que passou, passou e não tem jeito

O amor ficou guardado na saudade

Guardado como um nó, dentro do peito.



E sempre ao resgatá-lo, em seus desterros,

Juramos junto a toda santidade,

De não mais cometer os mesmos erros!


À SEXTA, SÓ...


 Jenário de Fátima

 

A sexta-feira à noite me deprime...

Eu podia ir pra balada, coisa assim.

Sair, agitar neste mundão sem fim.

Mas não há nada que me alegre, que me anime.

 

É que a solidão me tolhe, me deprime.

(E detesto quando tenho dó de mim!)

Apego-me então no garrafão de gim,

E ponho pra rodar Nana Caymmi.

 

As canções falam de paixões cruentas.

Daquelas que o bom senso desafia

E as horas passam largas... Longas... Lentas...

 

E o CD roda... Roda e reinicia...

E eu durmo entre as cores pardacentas

Que o efeito da aguardente propicia!


VIAGEM

 Jenário de Fátima

 

 Às vezes nos seguimos por viagem

A qual sonhamos nossa vida inteira.

Curtindo cada ponto da paisagem,

Fazendo tudo louca brincadeira.

 

Mas eis que de imprevisto à sua margem,

Surge um grande desastre pela beira,

Que fere os olhos ante a dor da imagem

Do carro que rolou na ribanceira.

 

Aquilo tudo faz perder o brilho.

Ficamos pelo impacto do que vemos

Igual um trem descarrilado ao trilho.

 

Repete-se no amor a mesma cena...

Depois de algum desastre não sabemos

Se prosseguir viagem vale a pena.


23 de novembro de 2009


TOLO CORAÇÃO

 

Jenário de Fátima



Ah, meu coração, nunca te emendas?

Porque te iludes sempre em promessas

E ingenuamente te apressas

A esquecer que o amor só traz contendas?

 

Ah, meu coração, não tire as vendas!

Nem quebre outra vez tantas promessas!

Não deixe que o amor vire as avessas,

Os rumos os quais seguem suas sendas.

 

Ah, meu coração, você não tem jeito!

Estufa, bate, quer sair do peito,

Descompassando assim tão facilmente.

 

Depois meu coração só você sabe,

Toda angústia do mundo bem lhe cabe

Quando ficas sozinho novamente.

 Jenário de Fátima 



SOLIDÃO


Jenário de Fátima

  

Quando nos sentimos sós pela primeira vez,

Como é uma coisa nova e ainda não sentida,

A solidão não nos parece tão doída

Ao ponto de levar-nos a alguma insensatez.

 

Porém pelo passar, do oitavo, nono mês

Começa-se aflorar o cerne da ferida.

Se desenvolve a chama e vai tornado a vida,

Apenas um retrato de nossa pequenez.

 

O tempo então passa, e enquanto passa nós,

Nos acostumando a triste condição de sós,

Deixamo-nos levar e não reagimos mais.

 

Porém o que mais dói nesta cruel doença,

É quando já bem fraca a cabeça até pensa

Que tristeza e solidão são coisas naturais...

 Jenário de Fátima 


RISO DE MARIA

 

Jenário de Fátima

  

Há cerca de dois mil anos somente,

Pelas terras hostis da Palestina.

Uma jovem senhora inda menina

Com ares de ternura tão presente.

 

Vivia quase que constantemente

(no que lhe reservou sagrada sina)

Por entre as grandes frestas da ravina

Fugindo com seu filho inocente

 

Mas se houvesse paz, que fosse um dia,

Bem mais que o vento forte nos sargaços,

Um outro som aos ares se estendia,

 

E flutuava em todos os espaços

Era o encantado riso de Maria

Vendo Jesus nos seus primeiros passos.

Jenário de Fátima 



DEVANEIO

 

Jenário de Fátima

 

 Na fria madrugada uma criança chora.

Numa destas casas aqui da redondeza.

O choro me acorda, mas esta com certeza

Terá quem vir cuidá-la, sem muita demora.

 

Me ponho a imaginar... E pelo mundo afora?

Nas duras intempéries que a natureza

Vem castigando o mundo com extrema dureza

Quantas e quantas outras estarão lá fora?

 

Quantas estarão sem pão, sem proteção de um teto

Sem um afagar de mão ou uma voz de afeto,

Sem ter Pai nem Mãe, ao derredor, presente?

 

Nos devaneios e loucos pensamentos meus.

Por um momento só, quisera eu ser Deus

Só pra acolhe-las todas, em meu quarto quente.


 Jenário de Fátima 


BIJUTERIA

Jenário de Fátima
 

Às vezes a gente briga por alguém,
Batalha, chora, luta, enfrenta o mundo.
Vai-se do orgulho conhecer o fundo,
Tira-se energia de onde não se tem.
 
Passam-se limites e vai mais além
Daquilo que alguns chamam resistência,
Sem sequer medir qual a consequência
E sem se avaliar os riscos também.
 
Até que um dia se vence a batalha!
Porém uma coisa estranha se espalha,
Trazendo à vitória um amargo sabor.
 
É quando se vê, ali, no dia-a-dia,
Que aquela jóia que tanto luzia,
Era uma pedra falsa, sem nenhum valor!
 


DUALIDADE

Quantas vezes nós mantemos relações,

Ante as quais não se vê nenhum futuro.

Ante as quais sempre surge novo muro

Nos cercando de muitas contradições.

 

Quantas vezes esquecemos as razões,

Nos tornando imprudentes, inseguros.

Mesmo a vida nos cobrando altos juros

Vamos contra a sensatez de opiniões.


Quantas vezes nós ficamos submissos,

De uma coisa que não sabemos ao certo

Se é bobagem, se é loucura ou feitiço.

 

Mesmo assim, o coração calado, mudo,

Consciente que de erro está coberto

Continua insistindo sempre em tudo.

 

Jenário de Fatima

25 de agosto de 2010




TOLICES

 Jenário de Fátima

 

Pra quê esta coisa de inventar, criar paixões?

Contar amores até perto dos cem.

Das fantasias ir bem mais além

o que reza o bom senso e as tradições?


Pra quê estas tais opiniões?

Dizer pra todos que tá tudo bem

Que de nós dois o que ainda se tem

São velhos livros...cds...alguns cartões...


Pra quê este riso sempre tão aberto

Se já nem sei mais quem é que tá por perto

Nem mesmo sei com quem ando...enturmo?


Pra quê isso tudo, se tudo é vazio

Se nos meus sonhos, em meu quarto frio

É tão somente com você que durmo?


Jenario de Fatima

14 de março de 2010


TEMPO PERDIDO

 Jenário de Fátima

 

 Quanto tempo ficamos consumidos,

Pelas mágoas que devemos esquecer.

Por fantasmas do passado escondidos

Mas que as vezes insistem reaparecer.

 

Quanto tempo, isolados e perdidos,

Por lembranças que devemos esquecer.

Por casos que não foram resolvidos,

mas que a mente guarda mesmo sem querer.

 

Ai conta, quem de nós já não mais gosta,

Os negócios que perdemos a aposta,

Os amigos que não temos mais nenhum.

 

Conta as chances que deixamos escapar,

Conta a dor de somente contemplar,

Ir morrendo os nossos sonhos um por um.


MINÚCIAS

 

Jenário de Fátima

  

Amor é frágil, sentimento leve.

Igual ao vinho que se prende à rolha,

Igual à brisa que bate na folha,

Igual à queda do floco de neve...

 

São das minúcias que o amor escreve,

Que a gente vai fazendo cada escolha,

Já que por elas uns têm vida breve,

Qual breve é a vida do sabão na bolha...

 

Entre os detalhes e as coisas pequenas,

As que se veem nas repetidas cenas,

Aquelas já tão comuns e tão banais...

 

Que a gente sabe que se segue em frente

Ou, então, se diz de-fi-ni-ti-va-men-te:

"Agora já chega, basta, não dá mais..."

 

Jenário de Fátima 



A LAVADEIRA

 

Jenário de Fátima


E bate... E bate a roupa, a lavadeira.

Por cada peça dão-lhe apenas um Real

E as peças vão formando uma montoeira,

De tons e cores pela corda do varal.

 

E bate... E bate... E bate uma canseira

De outro dia, tão difícil, tão igual

E as peças vão formando na esteira,

Multinuances d’algum quadro surreal.

 

E quando lá pelo final do dia,

O assovio de uma triste melodia

Como em milagre o seu peito ainda arranque.

 

Ela então pensa se há pão pra sua prole,

Nesta hora uma lágrima talvez role

E eleve o nível da água que há no tanque...

 

Jenário de Fátima 

                     

 Brasília, 17-10/2006                   

Andorinhas.

 

Jenario de Fátima


 Quando em criança, lembro das tardinhas

E da cor rubla, de tantos ocasos.

Bem lá no centro das lembranças minhas

(... E ai me enchem dágua os olhos rasos!)

 

Me vem o vôo sutil das andorinhas,

Que ao frenesi do seu bater de asas,

Cruzavam o céu em sinuosas linhas,

Fazendo evoluções no vão das casas.

 

Recordo ainda o que mamãe dizia;

- São as Andorinhas, aves benfazejas,

Deus as fez só pra alegrar Maria

 

Que iam brincar com seu Jesus menino.

Por isso hoje moram nas igrejas

Nas altas torres onde bate o sino.


CHAMAM  AMOR

 

Tá tudo triste, pouca gente ao lado

Ao derredor tudo Chamam Amor se aquieta

Ca em meu canto tenho como meta

Que ser feliz seja constante estado.

 

O tempo passa, deixa seu recado

O que não passa é a linha reta.

Que vem da lira de algum poeta

De verso que inda não foi recitado.

 

Fazer de tudo pra se sentir vivo

E rir assim, mesmo sem ter motivo

E tentar sempre exaustivamente

 

Aquilo que tudo já foi criado

Já foi sentindo, mas nunca acabado

Naquilo tudo que chamam amor

  

Jenario de Fatima




Busca inútil

 

Jenário de Fátima

 

Pra que fantasiar novos amores

Se lá no fundo só precisamos um?

Alguém pra dividir os cobertores

No trivial d’algum lugar comum?

 

Pra que tentar provar outros sabores

Se de outras bocas não vem gosto algum?

E se entregar na mão de predadores

Que fazem festa, mas não fica nenhum?

 

Pra que ir procurar outras querências

Se o inverno lá é rigoroso e frio

E navegar num mar de turbulências

 

Quando se pode ir por manso rio?

Pra que tentar outras experiências

Se sempre deixam elas um vazio?


BRINQUEDO

 

Jenario de Fátima

 

Abri pra ti meu coração tristonho.

E de ambição tu foste fundo, ao centro.

Depois ciente do que havia dentro

Fê-lo viver só de esperança e sonho.

 

E no seu jeito de gostar medonho,

Sem nada mais no mundo estar atento

Meu coração sequer via o momento,

Em que me tinhas com jeito risonho.

 

Lembrando hoje aqueles nossos dias,

Em que ao meu lado quase sempre rias

E eu me alegrava em ver-te rindo assim.

 

Mas oh meu Deus!... somente agora entendo

Lá bem no fundo o riso era de mim,

...E não das coisas que estavas vendo...



. Anjo morto


Jenario de Fátima

Atentem vocês que estejam ai fora
Não deixar o vento vir bater a porta
Cá precisamos silêncio agora,
- Na casa tem uma criança morta-

Um fio d’água, cada olhar aflora
Todo ambiente pesa, desconforta
A dor do mundo toda se incorpora
Na vida breve que do anjo aborta.

E diz aflita a mãe em desespero;
"Porque meu Deus, eu não fui primeiro
Do mundo agora nada mais me importa" 
E cabisbaixo, circunspecto, mudo,
Também um pouco morro meio a tudo
Sempre que penso uma criança morta


Despedida

 

Alguns amores mesmo sendo intensos,

São carregados de fragilidade.

Como se o Adeus viesse abanar lenços

Mostrando enfim que tudo é efemeridade.

 

E os sentimentos, claros, fortes, densos

Duvidam que aquilo seja verdade

Enquanto os amantes ficam ali propensos

A discutir o que é ilusão, o que é realidade.

 

Mas que bom que nada disso fosse assim.

E que cada dia fosse sempre um recomeço

E que jamais houvesse a palavra fim.

 

E os dois se lembrassem que é fugaz a vida

Pois amor nenhum sabe ao certo o preço.

O preço que se cobra uma despedida

 

Jenário de Fátima


Crise De Identidade

 

Às vezes amamos, amamos tanto

Que deste amor nós ficamos a mercê,

Esperando que este amor tudo nos dê:

Força e paz, luz e vida e tudo o quanto...

 

Nada então, mais nos causa algum espanto

Vemos tudo, por olhos que este amor vê.

E só cremos naquilo que este amor crê,

Embalados em profundo e doce encanto.

 

Mas se acaso este amor finda, termina,

Acordamos pra outra realidade

E estranha sensação que nos domina.

 

Esquecidos daquilo que um dia fomos,

Resta-nos a crise de identidade

De não saber mais aquilo o que somos...

 

Jenário de Fátima


Alegoria

 

Jenário de Fátima

 

A intensa luz duma manhã perdida,

Perdida pelo passado remoto.

Num dia, mês... Num momento ignoto,

Ressurge agora n'alma renascida.

 

Num livro em folhas amarelecidas,

Me encontro sorridente em rota foto.

A luz da minha aura (só agora noto!),

Emanava ao redor, tão refletida.

 

O que foi feito daquelas manhãs?

Porque tão pouco tudo brilha agora?

Há! Porque será? (filosofias vãs...)

 

Depois de a mocidade ir-se embora,

Eu acreditar em coisas tão pagãs,

Como eu ter sido um Deus, naquela hora!

COISAS

Há coisas que guardei que não preciso.

E outras que preciso não guardei.

Há coisas que só me provocam risos,

Lembrando o quanto por elas chorei.

 

Há coisas que causaram prejuízos

Mesmo com todo empenho que lhes dei.

Há coisas que por ser tão indeciso

Por medo ou por pudor abandonei.

 

Pessoas de mim foram sem aviso

Na hora que mais delas precisei.

Por isso que agora economizo

 

Palavras, e vivo a dizer- Não sei!

Pois vejo pelos rumos onde piso,

Que estou mais pra vassalo que pra Rei.

Jenario de Fátima


Dádiva

 

Jenario de Fátima.

 

A nossa existência é curta e ligeira

E no seu ritmo sempre tão veloz.

As vezes aventuras passageiras

Nos deixam mais carentes e mais sós.

 

As vezes perdemos boas maneiras

Gritamos pra que escutem nossa voz.

As vezes as contas mais verdadeiras

São aquelas com mais contras do que prós.

 

No entanto, apesar da correria

E das mágoas encontradas no caminho,

A vida é um grande dom, Deus só queria

 

(Quando nos fez com todo seu carinho)

Era se ter alguém pra companhia,

... Pois mesmo Deus cansou de ser sozinho



 Das Duas...Uma!


 Quando amamos, amamos simplesmente...

Amamos por amar, isso é o que importa.

Somente o amor dá paz e nos conforta.

Somente o amor nos faz sentir mais gente.

 

Porém se estamos sós, infelizmente,

Vagamos pelos breus das noites mortas,

Buscando em expressões as vezes tortas,

Alguma explicação pra o que a alma sente.

 

E nesta procura do que está errado,

Em uma só questão nos deparamos,

Pra se explicar os erros do passado.

 

Ficamos com a expressão “das duas uma”:

Ou do amor que tínhamos não cuidamos,

Ou talvez não valesse coisa alguma...

 Jenário de Fátima


Desilusão

 

Jenario de Fátima

 

Quando amamos alguém intensamente.

E este amor é tudo o que nos importa,

Deste amor vem a luz que nos conforta

E a força que nos faz sentir mais gente.

 

E mesmo quando inesperadamente

Uma dificuldade nos aporta,

Da força deste amor se abre a porta

Pra que a paz retorne novamente.

 

Porém se alguma coisa é descoberta...

Algo que se escondeu, não foi contado,

Sentindo-se traído, o peito alerta

 

Perde-se ao sentimento que ali gera.

E o amor que era tão terno e delicado

...Não volta mais a ser o que antes era...



Doce magia

 

Jenario de Fátima

 

Passei pra te dar um xêro

Daqueles que um bruxo inventa.

Que mescla sal com pimenta

No meio de seu tempero.

 

E ao notar tanto esmero

Uma avezinha assenta

Porem só, não se contenta

E chama seu bando inteiro.

 

Chega uma... chegam duas...

Chegam vinte e muito mais.

São Araras... Cacatuas...

Pintassilgos e pardais

 

Tomam praças... Tomam ruas...

Tomam becos e quintais

Tomam as páginas tuas

Que eram sempre tão iguais



Embuste

 

Jenario de Fátima



Abraços...e palavras...e sorrisos...
E atitudes tão calmas, tão serenas.
Chamadas de atenções, roubos de cenas,
Deliciosos beijos de improviso.

Inesperadas transas sem aviso,
E o cheiro adocicado de alfazema
Enchendo nosso quarto. E um poema,
De quando poetar, era preciso.

Vivíamos assim, mas foste embora.
Deixando (além de foto sobre a mesa)
Um peito...um coração que sempre chora,

Que pena... que reclama... que delira...
E que tem somente agora a certeza,
Que aquilo tudo, tudo era mentira!



ESPERANÇA

 

Dedicado a Juana Herrero ( Anasó)

 

Jenario de Fátima

As vezes eu preciso ser bem serio.
E agora estou sendo doce Aninha
De coração, com toda emoção minha
Sem medo, sem temor e sem mistério.

Te desejo de novo um só delírio
Que é ter aquilo o que sempre tinhas
O céu pintado em rubro das tardinhas
E o sol morrente em um tênue círio.

Terás de novo um olhar no horizonte
E verás o borbulhar vindo da fonte
E o riso escancarado das crianças.

Terás de novo isso tudo Ana
Porque é nesta coisa que irmana
Aquilo que chamamos ESPERANÇA


 Eu criança...

 

Jenario de Fátima

 

As coisas não são mais do mesmo jeito...

E claro, não tem mais o mesmo gosto.

Naquilo que me via tão disposto

Hoje não me acelera mais o peito.

 

Será que revisei os meus conceitos?

Será que me tornei num indisposto?

Será que por furor ao mundo exposto

Eu já nada consiga ver perfeito?

 

Sei não...sei só que agora mais me calo

E me aquieto e fico no meu canto

Nas discussões já quase nada falo

 

Já não me lanço mais em desatino

Só não entendo o estranho e doce encanto

O de sentir-me as vezes tão menino


 

FAZ DE CONTA

Jenario de Fátima

Pra que ficar sò procurando assunto
Se quem você ama quer pouca conversa?
Pra que esta vontade de se estar junto
Se quem você ama esta sempre com pressa?

Pra que imaginar coisas em conjunto
Se quem você ama sempre lhe contesta?
Pra esta insistência..? Lhe pergunto...
Se tudo findou-se e nada mais resta?

Acabe com isso e crie coragem,
De enfrentar o mundo que ora te amedronta.
Não sigas mais nesta louca viagem

 

E creia que nada vais perder além,
Do que a fantasia de um Faz-de-conta
... Pois nunca se perde o que já não se tem!


Feitio de oração 


Jenario de Fatima 


Hão de passar por mim tantos caminhos... 
Tantos caminhos hão por mim passar... 
Que eu seja feito aquele passarinho 
Que busca um galho firme pra pousar. 


E que meus passos não sigam sozinhos, 
Que eu tenha sempre alguém pra conversar 
E que a noite na tepidez de um ninho 
Possa serenamente descansar. 

Que neste ninho haja sempre acolhida 
Pra uma boca faminta, alma perdida
Que esteja no mundo andarilhando a esmo. 

E que após repartir-lhe o pão da mesa, 
Silenciosamente eu veja acesa, 
A luz do enorme bem feito a mim mesmo!


FAZ FRIO ESTA MADRUGADA...

Jenario  de Fátima

 

Na madrugada fria uma criança chora,

Numa destas casas aqui da redondeza.

O choro me acorda, mas esta, com certeza

Terá uma mão a cuidá-la sem muita demora.

 

Eu fico imaginar;-E pelo mundo afora?

Quando em intempéries vem a natureza

Castigando o mundo com extrema crueza,

-Quantas outras estarão do lado de fora?

 

Quantas estarão ao vento, sem abrigo e teto,

Sem ter um carinho, um aconchego, afeto

Sem alguém a cuidá-las, pais ou mães presentes?

 

Na volatilidade dos pensamentos meus

Por vago momento queria tanto ser Deus,

Só prá acolhe-las todas no meu quarto quente.

 

20/04/2006



CERTEZAS

 

Jenário de Fátima

 

Trago em meu rosto em barbas brancas,

de fundas rugas e ralos cabelos.

Cuja idade vai prendendo em trancas,

uns velhos sonhos para eu não mais vê-los.

 

Agora eu sinto que a esperança manca,

ferida pelos muitos atropelos,

e quando busco uma conversa franca,

ela já não me mostra antigos zelos.

 

É que a esperança está meio cansada,

e já não tem aparecido mais,

quando a busco na fria madrugada.

 

Sempre me dói a falta que ela faz,

então me culpo não ter feito nada.

Daquilo que julgava ser capaz.


Gotas de Esperança


Para Karla Julia

Jenario de Fátima

 

A vida é feita de coisas pequenas.
Coisas que as vezes sequer damos conta.
Como o vermelho que do céu desponta,
Nas doces brisas das manhãs amenas.

 

Ou no florar do ipê que contracena,
Com aquele cinza que o campo afronta.
Ou na mulher quando no ventre apronta
Uma outra vida, a mais belas das cenas.

 

Ver estas coisas, precisamos tanto.
E delas fazer nossas alegrias,
Pra quando a vida nos causar espanto,

 

Acreditar que Deus jamais descansa.
Que ele nos manda em todo Santo dia,
As suas gotas...Gotas de esperança!



FINA ESSÊNCIA

 

Jenario de Fátima

 

A mulher em seu cerne, sua essência,

Seja ela anciã, ou menina,

Seja ela mulher rude, ou mulher fina,

Traz em si leves traços de inocência.

 

E durante toda sua existência,

Mesmo em hora que a vida lhe desatina

Mesmo em hora que a angustia lhe domina

Ela age com cautela e com prudência.

 

Mas é claro, sempre existe exceção.

No entanto na imensa maioria

Quando se ouve o bater do coração

 

Ela deixa-se levar na fantasia

Mas se acaso morre um sonho ou ilusão

Morre mais muito mais que se devia.



*Fogo-Fátuo*

 

Jenario de Fátima


A intensa luz duma manhã perdida.
Perdida pelo passado remoto.
Num dia, mês e num momento ignoto,
Ressurge agora n´alma renascida.

Num livro de cor já amarelecida.
Me encontro sorridente em rota foto.
A luz de minha aura, - Só agora noto-
Emanava ao redor tão refletida.

O que foi feito daquelas manhãs?
E porque tão pouco tudo brilha agora?
Ah!... Porque será?-Filosofias vãs-

Depois da mocidade ir se embora,
Eu acreditar em coisas tão pagãs
Como eu ter sido um Deus, aquela hora



 

ÍMPETO

 

Quantas bobagens por amor fazemos...

quantas tolices, coisas impensadas...

coisas que depois ao ser analisadas

jamais refletem o senso que temos.

 

E no fim de tudo quando arrependemos,

e a insônia vem roubando as madrugadas,

as lágrimas que escorrem apressadas,

dão a dimensão daquilo que perdemos

 

No dia seguinte, defronte do espelho,

um olhar cansado...exausto...vermelho...

insistentemente parece dizer:

 

"- este teu jeito...teu temperamento...

tu jogaste tudo fora em um momento"

...mas tens a vida inteira pra se arrepender...

 

Jenário de Fátima



Lição


Jenário de Fátima


Amei-te tanto, e o tanto que te amei.

Não sei se foi amor ou se loucura,

Se foi insanidade em forma pura

Ou total desespero... Já nem sei!

 

Só sei que o tempo que lhe dediquei.

Foi feito de paixão e de ternura,

Foi feito de entrega e de candura,

Foi feito da emoção que carreguei.

 

Mas oh, meu Deus!... Como fui infeliz,

Você nunca me amou, nunca me quis,

Só procurava-me se estava a fim.

 

Mas acabou... E não ti guardo mágoa.

Pois foi contigo enchendo olhos d'água,

Que aprendi dar mais valor em mim !


Loucuras De Amor

 

Quantas bobagens por amor fazemos.

Quantas loucuras, coisas impensadas,

Coisas que enfim em sendo analisadas,

Jamais refletem o senso que temos.

 

E depois de tudo quando arrependemos,

E a insônia vem roubando as madrugadas,

As lágrimas que escorrem apressadas

São as companheiras únicas que temos.

 

Mas o que passou, passou e não tem jeito.

Resta alem de um sentimento de tristeza,

Uma amargura a mais dentro do peito.

 

Pois temos ciência que isso só acontece,

Por alguém que temos nossa alma presa,

Mas que lá ao fundo sequer nos merece.

 Jenário de Fátima


 Lua... Doce Lua...

  

A minha mesa é bem junto a janela,

Pra eu escrever olhando pra Lua mansa,

Que docemente pelo céu balança

Cumprindo sempre a mesma rota dela.

 

Eu vejo a Lua assim como a donzela,

Quando abandona a fase de criança

E enxerga a vida cheia de esperança

No corpo de mulher que se revela.

 

Ah Lua!... Minha doce Lua amada...

Não tens idéia quanta madrugada,

Eu passei a te fitar como dissesse assim;

 

"Tu que tudo iluminas ai de cima,

Não fique presa apenas nesta rima,

Procure e traz de volta meu amor pra mim".

  

Jenário de Fátima


 

Mais que um dia...

 

Jenario de Fátima

 

Lá do fundo da essência feminina,

Onde florescem sonhos, emoções,

Talvez se encontre respostas as questões

Que a mais sábia ciência não domina.

 

Mulheres, algumas de triste sina

Diante de terríveis situações

As vezes tem a fibra dos leões

Paralela a ternura das meninas.

 

Como pode!? , quando são abandonadas!

Com os filhos... Só os filhos e mais nada

Lançadas no mundo a revelia.

 

Mesmo assim conseguem sobreviver

Dão exemplos como gente , como ser...

E pra estas não basta apenas um dia...

 

Maldade

 

Jenario de Fátima

 

Ao despertar o interesse de alguém,

Apenas para engrandecer seu ego,

Depois fazer o olhar tornar-se cego

A quem por certo só vai querer bem.

 

 Se dizer um "eu te amo" tão porém

Pra das palavras se fazer emprego;

De provocar em outrem falso apego;

Criar esperanças e mais nada além...

 

 Ao se agir assim desta maneira,

(E somente estupidez isso se chama)

Esconde-se entremeio a brincadeira

 

 Algo bem pior do que se pensa.

Alguns que por não ter quem se ama

Na dor que vem dos outros se compensa.




 

MÁGOAS

 

Jenario de Fátima

 

Pra que se encontrar com antigos amores?

Há muitos sepultados, esquecidos?

Nas brumas do passado envolvido

Cobertos pela sombra dos rancores?

 

Para que trazer de novo velhas dores?

E reviver fantasmas esquecidos

Espectros malfadados e banidos

Pro, limbo onde vive os malfeitores?

 

Será porque o destino sempre insiste

Em preparar uma coisa que existe

Apenas pra lembrar os maus momentos?

 

É como se adentrar aos maus presságios,

E soçobrar nas ondas de um naufrágio

Num mar coberto de ressentimentos.


 

Mar...

 

Mar!...Porque sentes às vezes tão aflito?
E se agonizas de uma forma estranha?
Seriam almas a lançar seus gritos,
Lá bem do fundo de suas entranhas?


Mar!...Porque depois seu azul infinito
Que quando ao azul do céu se emaranha
Se faz tão doce, calmo e tão bonito
Que um ar até de sonho tudo ganha?


Mar! mas quem sou eu perante seus segredos.
Como prever o humor de seu momento
E qual maneira virá nos rochedos!...


Apenas sei ó mar, que minhas mágoas
Numa estranha espécie de encantamento,
Se vão de mim se toco em suas águas! 

Jenario de Fátima


Mea culpa

 

Jenario de Fátima

 

As coisas que sonhei pra mim um dia

Talvez só existissem em minha mente.

Enquanto eu fabricava fantasia

O tempo sem parar seguia em frente.

 

Quando me dei por mim já nem sabia

Qual era mais o fluxo da corrente.

Do rio caudaloso que corria

Pras vagas do meu mar incompetente .

 

Fui só um sonhador, apenas isso.

Fui falho, inconseqüente, fui omisso.

Não soube minhas ilusões conte-las.

 

De tudo que tentei nada deu certo.

Porem ainda tenho um céu aberto,

E o deslumbrante brilho das estrelas .


 MENINA

 Não se aperreie menina.

A vida é mesmo assim,

Cada um tem sua sina

Sempre ha começo e fim

 

Repare na tarde fina.

Ainda abre o Alecrim

Com outras flores combina

Tomando em cor o jardim.

 

Também ando angustiado

Ando tristonho, calado

E bem quieto me e mudo

 

Porem olho minha tarde

Um azul intenso arde

E esqueço quase tudo

Escrito no bar por Jenario de Fátima

 5/4/2011


MENINA DE BH

 

Para Nem Campos

Dizem que as moças mineiras.

Mineiras de B.H.

Quando sobem as ladeiras

(tantas ladeiras de lá)

 

As vezes dá uma canseira

(mas outras vezes não dá)

São feito abelhas doceiras

Na flor do maracujá.

 

E estas moças singelas

Cintila nos olhos dela

(iguais esmeraldas finas)

 

Uma luz que irradia

E que mostra todo dia

Que são eternas meninas

 

Jenario de Fátima


 NÃO CHORE

 Jenário de Fátima


 Não chore anjo, não chore

Mesmo que haja motivo.

O choro dói, descolore

Torna o coração cativo.

 

Quando uma lágrima escorre

Caindo em jeito agressivo,

Nesta hora, finda e morre

Qualquer sentimento vivo.

 

Chorar por amor talvez

Seja pura insensatez

Pois, quando a lágrima desce.

 

Devíamos pensar assim;

Vou mais é cuidar de mim

“Meu choro ninguém merece”


ACASO

 

Jenario de Fátima

 

Acaso se um dia amor, voltares

Meu coração te aguarda em porta aberta.

Nada mudou para mim, esteja certa

Aguardo os leves sons dos teus pisares

 

Há tantas andorinhas pelos ares,

Mas no vazio da manhã deserta

Uma tristeza enorme vem me aperta

Se direciona a elas meus olhares.

 

Enquanto a recordar fico sem jeito

Sinto leve arrepio e num balouço.

Meu coração saltita, bate o peito

 

Refém desta lembrança que o consome

E nisso lá bem longe, muito longe

A voz do vento vem gritar seu nome


ABANDONO

Jenario de Fátima

Não me olhes assim dessa maneira.
Que perco o passo anjo, perco o sono.
Meu coração carente e no abandono
Passa sonhar-te pela noite inteira.


Dentro de minha insônia costumeira
Onde o desejo me torna seu dono.
As vezes penso se te telefono,
Pra falar que minh’alma é prisioneira


Deste teu jeito terno, calmo, doce,
Que involuntariamente só me trouxe
Muito mais que alegria ou coisa assim


Trouxe um alento, trouxe uma esperança,
De acabar a loucura que me cansa,
De finalmente ter alguem pra mim...



 

REFLEXOS

 

Jenario de Fátima

 

Trago males de quem ama em excesso.

Quando amo me entrego totalmente.

Se culpado tenho ares de inocente,

Se inocente aparento réu confesso.

 

Sou cobaia de um estranho processo,

Algo novo feito de envelhecimento.

Sou caricia, sou afago, sou tormento.

Sou um aceno de adeus quando regresso.

 

E se caço, me ponho em lugar da caça.

Me alegro quando a vida não tem graça

Me omito se é preciso ter coragem.

 

Nestes seres tão distantes, mas parelhos

Vive um "eu" refletido nos espelhos,

Espelhos que só mostram sua imagem.


 

FEITO PUNHAL

 

Jenario de Fátima

 

Ai como dói, vivermos um romance,

Que corta e fere qual vidro partido.

Em que fazemos tudo ao nosso alcance.

Mas nosso amor não é correspondido.

 

Ai como dói! Se vemos de relance,

Em nós seus olhos fitos, sem sentido

Disperso, claro, em difusa nuance

Em um vagar constante, distraído.

 

Ai como dói! Provar... reconhecer,

Estar num caso que só um lado importa.

Dá vontade desaparecer.

 

Fugir no breu d'alguma noite morta.

Mas vendo o medo de no amanhecer

...De novo estar batendo a sua porta...

 


 

OBRIGAÇÃO 

 Jenário de Fátima



Nalgumas relações estranhamente,
Quanto mais o tempo se alonga e passa...
Quanto mais ao outro um conhecer se faça
E convivem-se assim mutuamente.


Mais uma coisa indefinidamente,
Vai se firmando em tudo e tudo enlaça.
Um sentimento de não ver mais graça
De nada que se via antigamente.


Isso chamam alguns monotonia
Algo que torna a vida tão vazia
Ao ponto de se perder todo tesão.


Mas o pior deste apagar de chama
É quando se arruma e prepara a cama.
Pra fazer amor só por obrigação!



RETRATO FALADO

 

 Jenario de Fátima

 

Na procura do meu "eu"

Faço o retrato falado,

Que depois de terminado,

Sinto que algo não "bateu"

 

 Sinto que algo se perdeu,

Sinto que algo deu errado.

Este ar atarracado

Não creio que seja meu.

                                                                      

 Ponto a ponto...Traço a traço...

Faço...desfaço...refaço...

Mas surge a mesma expressão.

 

Cansado, percebo enfim

Que aquilo que sei de mim

É só uma vaga ilusão!



Perdas e danos

 

Jenario de Fátima

  

Algumas relações machucam tanto,

Que dá vontade até de largar tudo.

Calar a voz, fazer o peito mudo,

Isolar-se do mundo nalgum canto.

 

 Nestas relações, não se conhece o espanto.

Perde-se a noção do que seja absurdo.

E as más palavras, tornam o ouvido surdo

Como se coberto de espesso manto.

  

E enquanto acumulam-se as perdas e danos,

E o nado sempre é contra a corrente

Se vê o decorrer lento dos anos.

 

 Onde deparamos e ante os quais

Temos somente uma só certeza...

Que o tempo que se perdeu, não volta mais!



Vaidade

 

Jenario de Fátima

 

Quanta gente, que se acha tão bonita

Como apenas, só a beleza contasse

E nunca expõe aquele monstro que habita

E se esconde, sob sua bela face.

 

Quanta gente, em quase nada acredita

Passa a vida, como só a incomodasse

A ausência de um espelho que reflita

O seu rosto, em qualquer lugar que passe.

 

Quanta gente , ao cuidar só da beleza

Se esquece que no âmago se revela

Uma parte, onde a humana natureza

 

Leva a Deus, que vê tudo do seu jeito

Pois da carne, inda que seja a mais bela.

Só os vermes tirarão lhe algum proveito.



 

Dualidade

 

Jenario de Fatima

 

Quantas vezes nós mantemos relações ,

Ante as quais não se vê nenhum futuro.

Ante as quais sempre surge novo muro

Nos cercando de muitas contradições.

 

Quantas vezes esquecemos as razões ,

Nos tornando imprudentes, inseguros.

Mesmo a vida nos cobrando altos juros

Vamos contra a sensatez de opiniões.

 

Quantas vezes nós ficamos submissos ,

De uma coisa que não sabemos ao certo

Se é bobagem, se é loucura ou feitiço.

 

Mesmo assim, o coração calado, mudo ,

Consciente que de erro esta coberto

Continua insistindo sempre em tudo. 



CAPRICHO

Jenário de Fátima

Quantas vezes nos doamos a alguém
Na certeza em ser o pior dos vícios.
Não medindo esforços nem sacrifícios,
Pra que tudo siga em paz e corra bem.

Quantas vezes vamos ao que não se tem.
Cientes que nos trará malefícios,
Pra agradar anseios e desperdícios,
De caprichos passageiros mais além.

Mesmo assim, tudo que se faz é pouco
E o coração exausto, cansado e louco.
Sofre tanto que a dor já nem mais sente

Mas porem, se um carinho nos é dado.
Esquecemos toda amargura de lado,
Pra voltar tudo novamente.

Brasília 24/10/2007


 

FIBRA

 

A vida é feita de labutas e batalhas

De onde morremos sempre um pouco a cada dia

E muitas vezes nos perdemos na agonia

E em tanto medo que em derredor se espalha

 

 

Mas o ferro e fogo, que nos forja e talha

Reacende... Resiste... E pinta...E borda...E cria

Uma reluzente...E fascinante fantasia

Do mesmo manto que nos deram pra mortalha.

 

Mas,  por mais que nossa guerra seja inglória

Com o destino nos tratando a força bruta

Com raça e fibra escrevemos nossa história.

 

Uma história que se encanta,   se escuta

A nossa voz em um brado de vitória

Quando o destino pede arrego...E foge à luta!

 

Jenário de Fátima

 

06/11/2005


 MADRUGADA NA PERIFERIA

 

Jenário de Fátima

 

Na morta madrugada, soa um tiro

Não sei se de ladrão...Se de polícia

Ou um imbecil, testando a perícia

Na cama em sobressalto, me reviro.

 

Espero alguns minutos...Não há gemido

Não há ...Ninguém chora nem grita

Só minha cabeça angustiada...Aflita

Pensando possa haver alguém ferido.

 

Mas não! Não há... Levanto...Abro a janela

No céu a lua gigantesca e bela

Parece repousar cá dentro de mim!

 

Estrelas...Lua...Céu...Tudo se ajunta

Me fica somente e apenas pergunta;

- Porque que alguém me estraga uma noite assim?

 21/10/2005


NÃO SE PRENDA A MIM...

 

Não se prenda a mim, pois nada tenho

Além deste sorriso de meu rosto!

Não sei pra onde vou, nem de onde venho.

Me tanto faz ser maio ou agosto.

 

No auto-retrato que desenho,

Me pinto como alguém sempre disposto,

Mas nunca me esforço ou me empenho,

Naquilo que não seja do meu gosto.

 

Beleza ou dinheiro eu desenho.

É o bem interior que vejo exposto.

Mas não se prenda a mim, pois nada tenho...

...Além deste sorriso do meu rosto!


 JENÁRIO DE FÁTIMA

04/12/2005



COMO UMA ONDA


Algumas vezes sou acometido
Por sentimento estranho de tristeza.
Como se houvesse na minhálma presa
Um malefício nela escondido.

E refém deste mal desconhecido
Eu sou levado como em correnteza
Pra lugar incerto onde a natureza
Parece ver a vida sem sentido.


Não sei porque causa isso acontece
E parecendo com ondas que vão e que vem
A angústia chega...bate...esmorece



Mas estranhamente ( pra meu próprio bem)
Some sem aviso...evola...fenece...
E assim como chega... vai embora também.


JENÁRIO DE FÁTIMA

22/11/2005


UTOPIA

Quando no amor sentimos enganados,

Vendo que nos fizeram de crianças

Ficamos de surpresos e abobados

Prá após vir o desejo de vingança

 

Entre tristes e inferiorizados

Sentimentos vão e vem como uma dança

E com nervos a flor da pele abalados

Esquecemos que em tudo há uma balança.


Bom seria, se nada disso fosse assim...

Bom seria se após um desengano!

Logo houvesse um recomeço e não um fim.

 

E deixamos quem nos feriu a esmo,

Fazendo da insídia, um belo plano

Para um grande crescimento em nós mesmos!

 

Jenário de Fátima- 

Brasilia 01/11/2005



Tantas coisas se perdem nessa vida
que a gente sempre busca explicação.


Se perdem por palavra não ouvida.
Se perdem por não se pedir perdão.
Se perdem pela mão não estendida.
Se perdem por teimar sem ter razão.


Se perdem pela lição esquecida.
Se perdem por ter tola opinião,
se perdem pela fúria incontida,
se perdem pela força de um palavrão.


Se perdem pela mágoa ressentida,
se perdem por se crer numa ilusão.
Se perdem por ambição desmedida,
se perdem por não respeitar irmão.


Porém, mesmo assim elas perdidas,
todas podem ser reconstruídas
desde que o amor tome o coração.

Jenario de Fatima









Jenário de Fátima

PÁSSARO PRESO


Faça de mim aquilo que quiseres,
Sacie tua carne, teu desejos.
Tua intenção, seja qual lá tiveres,
Minha hora é submissa a teus ensejos.

Mas por favor, aquilo que me deres,
Não diga a teus amores andarejos.
Não tens ideia o quanto me feres,
Quando contas ao mundo dos meus beijos...

De ti já quis me livrar, fugir, porém,
Ao ver as ilusões que a liberdade tem
Somente uma certeza enfim obtive;

É que sou qual uma ave de gaiola
Que ao soltar-se, vai ao céu, voa , decola,
Mas fora da prisão não sobrevive..

Jenário de Fátima



 )

SINAIS



Jenário de Fátima

SINAIS

Passaste como a gota de neblina.
Que no bater do sol some, evapora
Ou qual um arco-íris que ilumina
E tinge em luz a tarde e descolora.

Passaste como o Galo da campina 
Que canta alegremente e vai-se embora
Ou feito aquela estrela matutina
Que some na vermelhidão da aurora.

Passaste sem meu Deus, e foi tão grande
O que de ti ficou e me entrelaça
Que embora eu por tantas trilhas ande.

Querendo que esta herança de desfaça
A marca da saudade só se expande,
Grudada em meu amor que nunca passa.



 

Jenário de Fátima

PALPITE

A cigana que leu o meu destino,
Guardou dentro de si tantos segredos.
A vida nunca é nada que imagino
E fica esparramando meus brinquedos.

La fora o vento bate em desatino.
Murmura pela copa do arvoredo.
Cá dentro do meu quarto me confino.
A voz do vento sempre me dá medo.

Levanto, acendo a luz, abro a janela.
No céu a lua gigantesca e bela
Me acalma, me aquieta e tranquiliza.

Não quero ler Romance nem Novela.
Ligo o computador, busco na tela
Algum verso da doce Ana Luíza... 



( 087 )

QUEBRA-CABEÇA


Jenário de Fátima 

QUEBRA-CABEÇA

Aperto o passo quando um verso teço.
Se no começo há grande embaraço
Afrouxo um laço, mas outro endureço
Me empalideço quero algum abraço.

Então eu desço em meu mais fundo espaço
Onde sou crasso, donde sou espesso
Viro ao avesso, me busco, me caço,
Olho meus traços, nem me reconheço

E embora tudo pareça feitiço
Paro com isso, quero que a alma esqueça.
Caso aconteça me torno um ouriço,

Sonho que o enguiço então desapareça,
Que a rima cresça e faça um rebuliço
Dentro do viço que é minha cabeça.




















































AMBIÇÃO

Jenário de Fátima


Quando um dia, de todas as florestas
Não se restar mais floresta nenhuma.
E nem se ouvir o estrilar das festas
Que fazem pelos galhos a Inhaúma.

Quando notar que nenhum verde resta
Nem mesmo minúscula, leve pluma.
O Homem então tendo suor na testa
Vai acordar, vai entender em suma

Que a sua ambição fez aquilo tudo
Pois ao colher, sem se plantar primeiro
Deixou o solo, a terra se escudo

E a Natureza num rio certeiro
Ira mostrá-lo pra deixa-lo mudo
Que não se dá para comer dinheiro.

Jenário de Fátima




MOCIDADE




PALPITE



A FELICIDADE


A VEZES...


ANTES DO COMBINADO


CUIDADO



CONFIA



DOCE MAGIA

( 113 )AMINHOS...CAMINHOS...



CARENCIA




CONFRONTOS



DESVARIO



DEIXE ASSIM




DESPEDIDA




ESQUEÇA


FASES...



NÃO BRINQUE



MULHER DISCRETA


ELEVAMENTO



NÃO CHORES POR NINGUÉM


OBJETO



O LAVRADOR

POEMA DOCE


PISTA FALSA


PERDAS...


PALAVRAS DE AMOR



PAI



POESIAS ALIMENTO DA ALMA



VENTOS, POR FAVOR



ESCULTURA NO CÉU



ABRI PARA TI MEU CORAÇÃO TRISTONHO


A RESPOSTA DO POETA




FANTOCHE


A VIDA É SEMPRE ASSIM, ...


(
A NOITE OLHANDO O CÉU DE FUNDO...



CONTRASTE




UM MIMO




MADRUGADA NA PERIFERIA


NA VASTIDÃO DO MEU PEITO DESERTO




O CÉU EM MIM





O ANJO E OS COQUINHOS






PUDIM DE MEL





PAIXÃO QUE ME ABRIGA




ENTRE ESTRELAS E GIRASSÓIS





ALGUMAS PESSOAS , EM SUAS...





MINUCIAS




UM PÉ DE SALSA







Velho filme

Jenário de Fátima

Alguns amores são meio que estranhos, 
Que não lhes podem definir conceitos.
 Nunca sabemos seus reais tamanhos 
Ou se pensar daquilo que são feitos.

Os que já tive, os quais me emaranho. 
Tem entre si apenas um só jeito. 
Doem , machucam, dilaceram o peito 
Mostram que deles nada tiro ou ganho.

Porém no entanto logo quando um finda,
 Vem a certeza de saber que ainda 
Será lembrado pelo vão dos meses.

E enquanto o esqueço, outro logo aponta 
Mesmo eu sabendo que no fim das contas 
Verei de novo o filme outras vezes















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