POEMAS : ( A ) JENÁRIO DE FÁTIMA

Elzira Coutinho


Lembranças
Lembranças
Vagamos por imagens absortas
No silêncio da casa adormecida.
Quantas as lembranças produzidas,
Que tomam de assalto o vão das portas
E erguem um retrato em linhas tortas
Daquilo o que foram nossas vidas.
E neste emaranhado sempre tem
A dor d'uma lágrima sentida
Que recorda-nos a face de alguém.
Alguém, por quem a alma chora e sonha
E o abraço ao travesseiro é a saída
...Mesmo que as vezes lhe encharque a fronha!
Jenário de Fátima



LIÇÃO


SÓ QUERO

POIS É...


FEITO PUNHAL





Mulher
Jenario de Fátima

A SOLIDÃO E SUAS FORMAS

ADORÁVEL NOITE
Jenário de Fátima


À SEXTA, SÓ...
Jenário de Fátima
Eu podia ir pra balada, coisa assim.
Sair, agitar neste mundão sem fim.
Mas não há nada que me alegre, que me anime.
É que a solidão me tolhe, me deprime.
(E detesto quando tenho dó de mim!)
Apego-me então no garrafão de gim,
E ponho pra rodar Nana Caymmi.
As canções falam de paixões cruentas.
Daquelas que o bom senso desafia
E as horas passam largas... Longas... Lentas...
E o CD roda... Roda e reinicia...
E eu durmo entre as cores pardacentas
Que o efeito da aguardente
propicia!

VIAGEM
Jenário de Fátima
Às vezes nos seguimos por viagem
A qual sonhamos nossa vida inteira.
Curtindo cada ponto da paisagem,
Fazendo tudo louca brincadeira.
Mas eis que de imprevisto à sua margem,
Surge um grande desastre pela beira,
Que fere os olhos ante a dor da imagem
Do carro que rolou na ribanceira.
Aquilo tudo faz perder o brilho.
Ficamos pelo impacto do que vemos
Igual um trem descarrilado ao trilho.
Repete-se no amor a mesma cena...
Depois de algum desastre não sabemos
Se prosseguir viagem vale a
pena.
23 de novembro de 2009

TOLO CORAÇÃO
Jenário de Fátima
Porque te iludes sempre em promessas
E ingenuamente te apressas
A esquecer que o amor só traz contendas?
Ah, meu coração, não tire as vendas!
Nem quebre outra vez tantas promessas!
Não deixe que o amor vire as avessas,
Os rumos os quais seguem suas sendas.
Ah, meu coração, você não tem jeito!
Estufa, bate, quer sair do peito,
Descompassando assim tão facilmente.
Depois meu coração só você sabe,
Toda angústia do mundo bem lhe cabe
Quando ficas sozinho
novamente.

SOLIDÃO
Quando nos sentimos sós pela primeira vez,
Como é uma coisa nova e ainda não sentida,
A solidão não nos parece tão doída
Ao ponto de levar-nos a alguma insensatez.
Porém pelo passar, do oitavo, nono mês
Começa-se aflorar o cerne da ferida.
Se desenvolve a chama e vai tornado a vida,
Apenas um retrato de nossa pequenez.
O tempo então passa, e enquanto passa nós,
Nos acostumando a triste condição de sós,
Deixamo-nos levar e não reagimos mais.
Porém o que mais dói nesta cruel doença,
É quando já bem fraca a cabeça até pensa
Que tristeza e solidão são
coisas naturais...

RISO DE MARIA
Jenário de Fátima
Há cerca de dois mil anos somente,
Pelas terras hostis da Palestina.
Uma jovem senhora inda menina
Com ares de ternura tão presente.
Vivia quase que constantemente
(no que lhe reservou sagrada sina)
Por entre as grandes frestas da ravina
Fugindo com seu filho inocente
Mas se houvesse paz, que fosse um dia,
Bem mais que o vento forte nos sargaços,
Um outro som aos ares se estendia,
E flutuava em todos os espaços
Era o encantado riso de Maria
Vendo Jesus nos seus primeiros
passos.

DEVANEIO
Jenário de Fátima
Na fria madrugada uma criança chora.
Numa destas casas aqui da redondeza.
O choro me acorda, mas esta com certeza
Terá quem vir cuidá-la, sem muita demora.
Me ponho a imaginar... E pelo mundo afora?
Nas duras intempéries que a natureza
Vem castigando o mundo com extrema dureza
Quantas e quantas outras estarão lá fora?
Quantas estarão sem pão, sem proteção de um teto
Sem um afagar de mão ou uma voz de afeto,
Sem ter Pai nem Mãe, ao derredor, presente?
Nos devaneios e loucos pensamentos meus.
Por um momento só, quisera eu ser Deus
Só pra acolhe-las todas, em
meu quarto quente.


Ante as quais não se vê nenhum futuro.
Ante as quais sempre surge novo muro
Nos cercando de muitas contradições.
Quantas vezes esquecemos as razões,
Nos tornando imprudentes, inseguros.
Mesmo a vida nos cobrando altos juros
Vamos contra a sensatez de opiniões.
De uma coisa que não sabemos ao certo
Se é bobagem, se é loucura ou feitiço.
Mesmo assim, o coração calado, mudo,
Consciente que de erro está coberto
Continua insistindo sempre em tudo.
Jenário de Fatima
25 de agosto de 2010

TOLICES
Jenário de Fátima
Pra quê esta coisa de inventar, criar paixões?
Contar amores até perto dos cem.
Das fantasias ir bem mais além
o que reza o bom senso e as tradições?
Pra quê estas tais opiniões?Dizer pra todos que tá tudo bem
Que de nós dois o que ainda se tem
São velhos livros...cds...alguns cartões...
Pra quê este riso sempre tão abertoSe já nem sei mais quem é que tá por perto
Nem mesmo sei com quem ando...enturmo?
Pra quê isso tudo, se tudo é vazioSe nos meus sonhos, em meu quarto frio
É tão somente com você que durmo?
Jenario de Fatima14 de março de 2010
TEMPO PERDIDO
Jenário de Fátima
Quanto tempo ficamos consumidos,
Pelas mágoas que devemos esquecer.
Por fantasmas do passado escondidos
Mas que as vezes insistem reaparecer.
Quanto tempo, isolados e perdidos,
Por lembranças que devemos esquecer.
Por casos que não foram resolvidos,
mas que a mente guarda mesmo sem querer.
Ai conta, quem de nós já não mais gosta,
Os negócios que perdemos a aposta,
Os amigos que não temos mais nenhum.
Conta as chances que deixamos escapar,
Conta a dor de somente contemplar,
Ir morrendo os nossos sonhos um por um.

MINÚCIAS
Jenário de Fátima
Amor é frágil, sentimento leve.
Igual ao vinho que se prende à rolha,
Igual à brisa que bate na folha,
Igual à queda do floco de neve...
São das minúcias que o amor escreve,
Que a gente vai fazendo cada escolha,
Já que por elas uns têm vida breve,
Qual breve é a vida do sabão na bolha...
Entre os detalhes e as coisas pequenas,
As que se veem nas repetidas cenas,
Aquelas já tão comuns e tão banais...
Que a gente sabe que se segue em frente
Ou, então, se diz de-fi-ni-ti-va-men-te:
"Agora já chega, basta,
não dá mais..."

A LAVADEIRA
Jenário de Fátima
Por cada peça dão-lhe apenas um Real
E as peças vão formando uma montoeira,
De tons e cores pela corda do varal.
E bate... E bate... E bate uma canseira
De outro dia, tão difícil, tão igual
E as peças vão formando na esteira,
Multinuances d’algum quadro surreal.
E quando lá pelo final do dia,
O assovio de uma triste melodia
Como em milagre o seu peito ainda arranque.
Ela então pensa se há pão pra sua prole,
Nesta hora uma lágrima talvez role
E eleve o nível da água que há
no tanque...

Brasília, 17-10/2006
Andorinhas.
Jenario de Fátima
Quando em criança, lembro das tardinhas
E da cor rubla, de tantos ocasos.
Bem lá no centro das lembranças minhas
(... E ai me enchem dágua os olhos rasos!)
Me vem o vôo sutil das andorinhas,
Que ao frenesi do seu bater de asas,
Cruzavam o céu em sinuosas linhas,
Fazendo evoluções no vão das casas.
Recordo ainda o que mamãe dizia;
- São as Andorinhas, aves benfazejas,
Deus as fez só pra alegrar Maria
Que iam brincar com seu Jesus menino.
Por isso hoje moram nas igrejas
Nas altas torres onde bate o sino.

CHAMAM AMOR
Tá tudo triste, pouca gente ao lado
Ao derredor tudo Chamam Amor se
aquieta
Ca em meu canto tenho como meta
Que ser feliz seja constante estado.
O tempo passa, deixa seu recado
O que não passa é a linha reta.
Que vem da lira de algum poeta
De verso que inda não foi recitado.
Fazer de tudo pra se sentir vivo
E rir assim, mesmo sem ter motivo
E tentar sempre exaustivamente
Aquilo que tudo já foi criado
Já foi sentindo, mas nunca acabado
Naquilo tudo que chamam amor
Jenario de Fatima

Busca inútil
Jenário de Fátima
Pra que fantasiar novos amores
Se lá no fundo só precisamos um?
Alguém pra dividir os cobertores
No trivial d’algum lugar comum?
Pra que tentar provar outros sabores
Se de outras bocas não vem gosto algum?
E se entregar na mão de predadores
Que fazem festa, mas não fica nenhum?
Pra que ir procurar outras querências
Se o inverno lá é rigoroso e frio
E navegar num mar de turbulências
Quando se pode ir por manso rio?
Pra que tentar outras experiências
Se sempre deixam elas um vazio?

Jenario de Fátima
Abri pra ti meu coração tristonho.
E de ambição tu foste fundo, ao centro.
Depois ciente do que havia dentro
Fê-lo viver só de esperança e sonho.
E no seu jeito de gostar medonho,
Sem nada mais no mundo estar atento
Meu coração sequer via o momento,
Em que me tinhas com jeito risonho.
Lembrando hoje aqueles nossos dias,
Em que ao meu lado quase sempre rias
E eu me alegrava em ver-te rindo assim.
Mas oh meu Deus!... somente agora entendo
Lá bem no fundo o riso era de mim,
...E não das coisas que estavas vendo...


Despedida
Alguns amores mesmo sendo intensos,
São carregados de fragilidade.
Como se o Adeus viesse abanar lenços
Mostrando enfim que tudo é efemeridade.
E os sentimentos, claros, fortes, densos
Duvidam que aquilo seja verdade
Enquanto os amantes ficam ali propensos
A discutir o que é ilusão, o que é realidade.
Mas que bom que nada disso fosse assim.
E que cada dia fosse sempre um recomeço
E que jamais houvesse a palavra fim.
E os dois se lembrassem que é fugaz a vida
Pois amor nenhum sabe ao certo o preço.
O preço que se cobra uma despedida
Jenário de Fátima

Crise De Identidade
Às vezes amamos, amamos tanto
Que deste amor nós ficamos a mercê,
Esperando que este amor tudo nos dê:
Força e paz, luz e vida e tudo o
quanto...
Nada então, mais nos causa algum
espanto
Vemos tudo, por olhos que este amor
vê.
E só cremos naquilo que este amor
crê,
Embalados em profundo e doce encanto.
Mas se acaso este amor finda,
termina,
Acordamos pra outra realidade
E estranha sensação que nos domina.
Esquecidos daquilo que um dia fomos,
Resta-nos a crise de identidade
De não saber mais aquilo o que
somos...
Jenário de Fátima

Alegoria
Jenário de Fátima
A intensa luz duma manhã perdida,
Perdida pelo passado remoto.
Num dia, mês... Num momento ignoto,
Ressurge agora n'alma renascida.
Num livro em folhas amarelecidas,
Me encontro sorridente em rota foto.
A luz da minha aura (só agora noto!),
Emanava ao redor, tão refletida.
O que foi feito daquelas manhãs?
Porque tão pouco tudo brilha agora?
Há! Porque será? (filosofias vãs...)
Depois de a mocidade ir-se embora,
Eu acreditar em coisas tão pagãs,
Como eu ter sido um Deus, naquela hora!

COISAS
Há coisas que guardei que não preciso.
E outras que preciso não guardei.
Há coisas que só me provocam risos,
Lembrando o quanto por elas chorei.
Há coisas que causaram prejuízos
Mesmo com todo empenho que lhes dei.
Há coisas que por ser tão indeciso
Por medo ou por pudor abandonei.
Pessoas de mim foram sem aviso
Na hora que mais delas precisei.
Por isso que agora economizo
Palavras, e vivo a dizer- Não sei!
Pois vejo pelos rumos onde piso,
Que estou mais pra vassalo que pra Rei.
Jenario de Fátima

Dádiva
Jenario de Fátima.
A nossa existência é curta e ligeira
E no seu ritmo sempre tão veloz.
As vezes aventuras passageiras
Nos deixam mais carentes e mais sós.
As vezes perdemos boas maneiras
Gritamos pra que escutem nossa voz.
As vezes as contas mais verdadeiras
São aquelas com mais contras do que prós.
No entanto, apesar da correria
E das mágoas encontradas no caminho,
A vida é um grande dom, Deus só queria
(Quando nos fez com todo seu carinho)
Era se ter alguém pra companhia,
... Pois mesmo Deus cansou de ser sozinho

Das Duas...Uma!
Quando amamos, amamos simplesmente...
Amamos por amar, isso é o que importa.
Somente o amor dá paz e nos conforta.
Somente o amor nos faz sentir mais gente.
Porém se estamos sós, infelizmente,
Vagamos pelos breus das noites mortas,
Buscando em expressões as vezes tortas,
Alguma explicação pra o que a alma sente.
E nesta procura do que está errado,
Em uma só questão nos deparamos,
Pra se explicar os erros do passado.
Ficamos com a expressão “das duas uma”:
Ou do amor que tínhamos não cuidamos,
Ou talvez não valesse coisa alguma...
Jenário de Fátima

Desilusão
Jenario
de Fátima
Quando
amamos alguém intensamente.
E
este amor é tudo o que nos importa,
Deste
amor vem a luz que nos conforta
E
a força que nos faz sentir mais gente.
E
mesmo quando inesperadamente
Uma
dificuldade nos aporta,
Da
força deste amor se abre a porta
Pra
que a paz retorne novamente.
Porém
se alguma coisa é descoberta...
Algo
que se escondeu, não foi contado,
Sentindo-se
traído, o peito alerta
Perde-se
ao sentimento que ali gera.
E
o amor que era tão terno e delicado
...Não
volta mais a ser o que antes era...

Doce magia
Jenario de Fátima
Passei pra te dar um xêro
Daqueles que um bruxo inventa.
Que mescla sal com pimenta
No meio de seu tempero.
E ao notar tanto esmero
Uma avezinha assenta
Porem só, não se contenta
E chama seu bando inteiro.
Chega uma... chegam duas...
Chegam vinte e muito mais.
São Araras... Cacatuas...
Pintassilgos e pardais
Tomam praças... Tomam ruas...
Tomam becos e quintais
Tomam as páginas tuas
Que eram sempre tão iguais

Embuste
Jenario de
Fátima

ESPERANÇA
Dedicado
a Juana Herrero ( Anasó)
Jenario
de Fátima

Eu criança...
Jenario
de Fátima
As
coisas não são mais do mesmo jeito...
E
claro, não tem mais o mesmo gosto.
Naquilo
que me via tão disposto
Hoje
não me acelera mais o peito.
Será
que revisei os meus conceitos?
Será
que me tornei num indisposto?
Será
que por furor ao mundo exposto
Eu
já nada consiga ver perfeito?
Sei
não...sei só que agora mais me calo
E
me aquieto e fico no meu canto
Nas
discussões já quase nada falo
Já
não me lanço mais em desatino
Só
não entendo o estranho e doce encanto
O
de sentir-me as vezes tão menino

FAZ DE CONTA
Jenario de Fátima


FAZ FRIO ESTA MADRUGADA...
Jenario de Fátima
Na madrugada fria uma criança chora,
Numa destas casas aqui da redondeza.
O choro me acorda, mas esta, com certeza
Terá uma mão a cuidá-la sem muita demora.
Eu fico imaginar;-E pelo mundo afora?
Quando em intempéries vem a natureza
Castigando o mundo com extrema crueza,
-Quantas outras estarão do lado de fora?
Quantas estarão ao vento, sem abrigo e teto,
Sem ter um carinho, um aconchego, afeto
Sem alguém a cuidá-las, pais ou mães presentes?
Na volatilidade dos pensamentos meus
Por vago momento queria tanto ser Deus,
Só prá acolhe-las todas no meu quarto quente.
20/04/2006

Jenário de Fátima
Trago em meu rosto em barbas brancas,
de fundas rugas e ralos cabelos.
Cuja idade vai prendendo em trancas,
uns velhos sonhos para eu não mais vê-los.
Agora eu sinto que a esperança manca,
ferida pelos muitos atropelos,
e quando busco uma conversa franca,
ela já não me mostra antigos zelos.
É que a esperança está meio cansada,
e já não tem aparecido mais,
quando a busco na fria madrugada.
Sempre me dói a falta que ela faz,
então me culpo não ter feito nada.
Daquilo que julgava ser capaz.

Gotas de Esperança

FINA ESSÊNCIA
Jenario de Fátima
A mulher em seu cerne, sua essência,
Seja ela anciã, ou menina,
Seja ela mulher rude, ou mulher fina,
Traz em si leves traços de inocência.
E durante toda sua existência,
Mesmo em hora que a vida lhe desatina
Mesmo em hora que a angustia lhe domina
Ela age com cautela e com prudência.
Mas é claro, sempre existe exceção.
No entanto na imensa maioria
Quando se ouve o bater do coração
Ela deixa-se levar na fantasia
Mas se acaso morre um sonho ou ilusão
Morre mais muito mais que se devia.

*Fogo-Fátuo*

ÍMPETO
Quantas bobagens por amor fazemos...
quantas tolices, coisas impensadas...
coisas que depois ao ser analisadas
jamais refletem o senso que temos.
E no fim de tudo quando arrependemos,
e a insônia vem roubando as madrugadas,
as lágrimas que escorrem apressadas,
dão a dimensão daquilo que perdemos
No dia seguinte, defronte do espelho,
um olhar cansado...exausto...vermelho...
insistentemente parece dizer:
"- este teu jeito...teu temperamento...
tu jogaste tudo fora em um momento"
...mas tens a vida inteira pra se
arrepender...
Jenário de Fátima

Lição
Jenário de Fátima
Amei-te tanto, e o tanto que te amei.
Não sei se foi
amor ou se loucura,
Se foi
insanidade em forma pura
Ou total
desespero... Já nem sei!
Só sei que o
tempo que lhe dediquei.
Foi feito de
paixão e de ternura,
Foi feito de
entrega e de candura,
Foi feito da
emoção que carreguei.
Mas oh, meu
Deus!... Como fui infeliz,
Você nunca me
amou, nunca me quis,
Só
procurava-me se estava a fim.
Mas acabou...
E não ti guardo mágoa.
Pois foi
contigo enchendo olhos d'água,
Que aprendi
dar mais valor em mim !

Loucuras De Amor
Quantas bobagens por amor fazemos.
Quantas loucuras, coisas impensadas,
Coisas que enfim em sendo analisadas,
Jamais refletem o senso que temos.
E depois de tudo quando arrependemos,
E a insônia vem roubando as madrugadas,
As lágrimas que escorrem apressadas
São as companheiras únicas que temos.
Mas o que passou, passou e não tem
jeito.
Resta alem de um sentimento de tristeza,
Uma amargura a mais dentro do peito.
Pois temos ciência que isso só acontece,
Por alguém que temos nossa alma presa,
Mas que lá ao fundo sequer nos merece.
Jenário de Fátima

Lua... Doce Lua...
A minha mesa é bem junto a janela,
Pra eu escrever olhando pra Lua mansa,
Que docemente pelo céu balança
Cumprindo sempre a mesma rota dela.
Eu vejo a Lua assim como a donzela,
Quando abandona a fase de criança
E enxerga a vida cheia de esperança
No corpo de mulher que se revela.
Ah Lua!... Minha doce Lua amada...
Não tens idéia quanta madrugada,
Eu passei a te fitar como dissesse assim;
"Tu que tudo iluminas ai de cima,
Não fique presa apenas nesta rima,
Procure e traz de volta meu amor pra mim".
Jenário de Fátima

Mais que um dia...
Jenario de Fátima
Lá do fundo da essência feminina,
Onde florescem sonhos, emoções,
Talvez se encontre respostas as questões
Que a mais sábia ciência não domina.
Mulheres, algumas de triste sina
Diante de terríveis situações
As vezes tem a fibra dos leões
Paralela a ternura das meninas.
Como pode!? , quando são abandonadas!
Com os filhos... Só os filhos e mais
nada
Lançadas no mundo a revelia.
Mesmo assim conseguem sobreviver
Dão exemplos como gente , como ser...
E pra estas não basta apenas um dia...

Maldade
Jenario de Fátima
Ao despertar o interesse de alguém,
Apenas para engrandecer seu ego,
Depois fazer o olhar tornar-se cego
A quem por certo só vai querer bem.
Se dizer um "eu te amo" tão porém
Pra das palavras se fazer emprego;
De provocar em outrem falso apego;
Criar esperanças e mais nada além...
Ao se agir assim desta maneira,
(E somente estupidez isso se chama)
Esconde-se entremeio a brincadeira
Algo bem pior do que se pensa.
Alguns que por não ter quem se ama
Na dor que vem dos outros se compensa.

MÁGOAS
Jenario de Fátima
Pra que se encontrar com antigos amores?
Há muitos sepultados, esquecidos?
Nas brumas do passado envolvido
Cobertos pela sombra dos rancores?
Para que trazer de novo velhas dores?
E reviver fantasmas esquecidos
Espectros malfadados e banidos
Pro, limbo onde vive os malfeitores?
Será porque o destino sempre insiste
Em preparar uma coisa que existe
Apenas pra lembrar os maus momentos?
É como se adentrar aos maus presságios,
E soçobrar nas ondas de um naufrágio
Num mar coberto de ressentimentos.

Mar...
Jenario de Fátima

Mea culpa
Jenario de Fátima
As coisas que sonhei pra mim um dia
Talvez só existissem em minha mente.
Enquanto eu fabricava fantasia
O tempo sem parar seguia em frente.
Quando me dei por mim já nem sabia
Qual era mais o fluxo da corrente.
Do rio caudaloso que corria
Pras vagas do meu mar incompetente .
Fui só um sonhador, apenas isso.
Fui falho, inconseqüente, fui omisso.
Não soube minhas ilusões conte-las.
De tudo que tentei nada deu certo.
Porem ainda tenho um céu aberto,
E o deslumbrante brilho das estrelas .

MENINA
Não se aperreie menina.
A vida é mesmo assim,
Cada um tem sua sina
Sempre ha começo e fim
Repare na tarde fina.
Ainda abre o Alecrim
Com outras flores combina
Tomando em cor o jardim.
Também ando angustiado
Ando tristonho, calado
E bem quieto me e mudo
Porem olho minha tarde
Um azul intenso arde
E esqueço quase tudo
Escrito no bar por Jenario de Fátima
5/4/2011

MENINA DE BH
Para Nem Campos
Dizem que as moças mineiras.
Mineiras de B.H.
Quando sobem as ladeiras
(tantas ladeiras de lá)
As vezes dá uma canseira
(mas outras vezes não dá)
São feito abelhas doceiras
Na flor do maracujá.
E estas moças singelas
Cintila nos olhos dela
(iguais esmeraldas finas)
Uma luz que irradia
E que mostra todo dia
Que são eternas meninas
Jenario de Fátima

NÃO CHORE
Jenário de Fátima
Não chore anjo, não chore
Mesmo que haja motivo.
O choro dói, descolore
Torna o coração cativo.
Quando uma lágrima escorre
Caindo em jeito agressivo,
Nesta hora, finda e morre
Qualquer sentimento vivo.
Chorar por amor talvez
Seja pura insensatez
Pois, quando a lágrima desce.
Devíamos pensar assim;
Vou mais é cuidar de mim
“Meu choro ninguém merece”

ACASO
Jenario de
Fátima
Acaso se um
dia amor, voltares
Meu coração te
aguarda em porta aberta.
Nada mudou
para mim, esteja certa
Aguardo os
leves sons dos teus pisares
Há tantas
andorinhas pelos ares,
Mas no vazio
da manhã deserta
Uma tristeza
enorme vem me aperta
Se direciona a
elas meus olhares.
Enquanto a
recordar fico sem jeito
Sinto leve
arrepio e num balouço.
Meu coração
saltita, bate o peito
Refém desta
lembrança que o consome
E nisso lá bem
longe, muito longe
A voz do vento
vem gritar seu nome


REFLEXOS
Jenario de
Fátima
Trago males de
quem ama em excesso.
Quando amo me
entrego totalmente.
Se culpado
tenho ares de inocente,
Se inocente
aparento réu confesso.
Sou cobaia de
um estranho processo,
Algo novo
feito de envelhecimento.
Sou caricia, sou
afago, sou tormento.
Sou um aceno
de adeus quando regresso.
E se caço, me
ponho em lugar da caça.
Me alegro
quando a vida não tem graça
Me omito se é preciso
ter coragem.
Nestes seres
tão distantes, mas parelhos
Vive um
"eu" refletido nos espelhos,
Espelhos que
só mostram sua imagem.

FEITO PUNHAL
Jenario de
Fátima
Ai como dói,
vivermos um romance,
Que corta e
fere qual vidro partido.
Em que fazemos
tudo ao nosso alcance.
Mas nosso amor
não é correspondido.
Ai como dói!
Se vemos de relance,
Em nós seus
olhos fitos, sem sentido
Disperso,
claro, em difusa nuance
Em um vagar constante,
distraído.
Ai como dói!
Provar... reconhecer,
Estar num caso
que só um lado importa.
Dá vontade
desaparecer.
Fugir no breu
d'alguma noite morta.
Mas vendo o
medo de no amanhecer
...De novo
estar batendo a sua porta...

OBRIGAÇÃO
Jenário de Fátima

RETRATO FALADO
Jenario de Fátima
Na procura do
meu "eu"
Faço o retrato
falado,
Que depois de terminado,
Sinto que algo
não "bateu"
Sinto que algo se perdeu,
Sinto que algo
deu errado.
Este ar
atarracado
Não creio que
seja meu.
Ponto a ponto...Traço a traço...
Faço...desfaço...refaço...
Mas surge a
mesma expressão.
Cansado,
percebo enfim
Que aquilo que
sei de mim
É só uma vaga ilusão!

Perdas e danos
Jenario de
Fátima
Algumas
relações machucam tanto,
Que dá vontade
até de largar tudo.
Calar a voz,
fazer o peito mudo,
Isolar-se do
mundo nalgum canto.
Nestas relações, não se conhece o espanto.
Perde-se a
noção do que seja absurdo.
E as más
palavras, tornam o ouvido surdo
Como se
coberto de espesso manto.
E enquanto
acumulam-se as perdas e danos,
E o nado
sempre é contra a corrente
Se vê o
decorrer lento dos anos.
Onde deparamos e ante os quais
Temos somente
uma só certeza...
Que o tempo
que se perdeu, não volta mais!

Vaidade
Jenario de
Fátima
Quanta gente,
que se acha tão bonita
Como apenas,
só a beleza contasse
E nunca expõe
aquele monstro que habita
E se esconde,
sob sua bela face.
Quanta gente,
em quase nada acredita
Passa a vida,
como só a incomodasse
A ausência de
um espelho que reflita
O seu rosto,
em qualquer lugar que passe.
Quanta gente ,
ao cuidar só da beleza
Se esquece que
no âmago se revela
Uma parte,
onde a humana natureza
Leva a Deus,
que vê tudo do seu jeito
Pois da carne,
inda que seja a mais bela.
Só os vermes
tirarão lhe algum proveito.

Dualidade
Jenario de Fatima
Quantas vezes nós mantemos relações ,
Ante as quais não se vê nenhum futuro.
Ante as quais sempre surge novo muro
Nos cercando de muitas contradições.
Quantas vezes esquecemos as razões ,
Nos tornando imprudentes, inseguros.
Mesmo a vida nos cobrando altos juros
Vamos contra a sensatez de opiniões.
Quantas vezes nós ficamos submissos ,
De uma coisa que não sabemos ao certo
Se é bobagem, se é loucura ou feitiço.
Mesmo assim, o coração calado, mudo ,
Consciente que de erro esta coberto
Continua insistindo sempre em tudo.


FIBRA
A vida é feita
de labutas e batalhas
De onde
morremos sempre um pouco a cada dia
E muitas vezes
nos perdemos na agonia
E em tanto
medo que em derredor se espalha
Mas o ferro e
fogo, que nos forja e talha
Reacende... Resiste...
E pinta...E borda...E cria
Uma
reluzente...E fascinante fantasia
Do mesmo manto
que nos deram pra mortalha.
Mas, por mais que nossa guerra seja inglória
Com o destino
nos tratando a força bruta
Com raça e
fibra escrevemos nossa história.
Uma história
que se encanta, se escuta
A nossa voz em
um brado de vitória
Quando o
destino pede arrego...E foge à luta!
Jenário de
Fátima
06/11/2005

MADRUGADA NA PERIFERIA
Jenário de Fátima
Na morta madrugada, soa um tiro
Não sei se de ladrão...Se de polícia
Ou um imbecil, testando a perícia
Na cama em sobressalto, me reviro.
Espero alguns minutos...Não há gemido
Não há ...Ninguém chora nem grita
Só minha cabeça angustiada...Aflita
Pensando possa haver alguém ferido.
Mas não! Não há... Levanto...Abro a janela
No céu a lua gigantesca e bela
Parece repousar cá dentro de mim!
Estrelas...Lua...Céu...Tudo se ajunta
Me fica somente e apenas pergunta;
- Porque que alguém me estraga uma noite
assim?
21/10/2005

NÃO SE PRENDA A MIM...
Não se prenda a mim, pois nada tenho
Além deste sorriso de meu rosto!
Não sei pra onde vou, nem de onde venho.
Me tanto faz ser maio ou agosto.
No auto-retrato que desenho,
Me pinto como alguém sempre disposto,
Mas nunca me esforço ou me empenho,
Naquilo que não seja do meu gosto.
Beleza ou dinheiro eu desenho.
É o bem interior que vejo exposto.
Mas não se prenda a mim, pois nada tenho...
...Além deste sorriso do meu rosto!
JENÁRIO DE FÁTIMA
04/12/2005


Quando no amor sentimos enganados,
Vendo que nos fizeram de crianças
Ficamos de surpresos e abobados
Prá após vir o desejo de vingança
Entre tristes e inferiorizados
Sentimentos vão e vem como uma dança
E com nervos a flor da pele abalados
Esquecemos que em tudo há uma balança.
Bom seria se após um desengano!
Logo houvesse um recomeço e não um fim.
E deixamos quem nos feriu a esmo,
Fazendo da insídia, um belo plano
Para um grande crescimento em nós
mesmos!
Jenário de Fátima-
Brasilia 01/11/2005



Jenário de Fátima
PÁSSARO PRESO
Faça de mim aquilo que quiseres,
Sacie tua carne, teu desejos.
Tua intenção, seja qual lá tiveres,
Minha hora é submissa a teus ensejos.
Mas por favor, aquilo que me deres,
Não diga a teus amores andarejos.
Não tens ideia o quanto me feres,
Quando contas ao mundo dos meus beijos...
De ti já quis me livrar, fugir, porém,
Ao ver as ilusões que a liberdade tem
Somente uma certeza enfim obtive;
É que sou qual uma ave de gaiola
Que ao soltar-se, vai ao céu, voa , decola,
Mas fora da prisão não sobrevive..
Jenário de Fátima


PALPITE
A cigana que leu o meu destino,
Guardou dentro de si tantos segredos.
A vida nunca é nada que imagino
E fica esparramando meus brinquedos.
La fora o vento bate em desatino.
Murmura pela copa do arvoredo.
Cá dentro do meu quarto me confino.
A voz do vento sempre me dá medo.
Levanto, acendo a luz, abro a janela.
No céu a lua gigantesca e bela
Me acalma, me aquieta e tranquiliza.
Não quero ler Romance nem Novela.
Ligo o computador, busco na tela
Algum verso da doce Ana Luíza...


















Quando um dia, de todas as florestas
Não se restar mais floresta nenhuma.
E nem se ouvir o estrilar das festas
Que fazem pelos galhos a Inhaúma.
Quando notar que nenhum verde resta
Nem mesmo minúscula, leve pluma.
O Homem então tendo suor na testa
Vai acordar, vai entender em suma
Que a sua ambição fez aquilo tudo
Pois ao colher, sem se plantar primeiro
Deixou o solo, a terra se escudo
E a Natureza num rio certeiro
Ira mostrá-lo pra deixa-lo mudo
Que não se dá para comer dinheiro.
Jenário de Fátima





ANTES DO COMBINADO

CUIDADO
CONFIA
( 113 )AMINHOS...CAMINHOS...
CARENCIA

CONFRONTOS
DESVARIO
DEIXE ASSIM
DESPEDIDA
ESQUEÇA
FASES...

NÃO BRINQUE

MULHER DISCRETA

NÃO CHORES POR NINGUÉM
OBJETO






VENTOS, POR FAVOR
ESCULTURA NO CÉU

ABRI PARA TI MEU CORAÇÃO TRISTONHO


A VIDA É SEMPRE ASSIM, ...

A NOITE OLHANDO O CÉU DE FUNDO...
CONTRASTE

UM MIMO

MADRUGADA NA PERIFERIA
NA VASTIDÃO DO MEU PEITO DESERTO


UM PÉ DE SALSA























































































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