POEMAS : ( O ) JENÁRIO DE FÁTIMA


Elzira Coutinho






((006))


Dores de Amor -
Jenário de Fátima
Jenário de Fatima

Ah!...
O tempo
O
tempo é igual areia
Que
escorre nos vãos dos dedos
Às
vezes vem alardeia
Para
que tenhamos medo.
Mas
logo dá volta e meia
Nos
encanta em mil segredos
E
traz junto a lua cheia
Sobre
a copa do arvoredo...
Porem
sempre tem um drama.
Se
estamos com quem se ama
Ele
é veloz esvoaça.
Mas
se esse alguém vai embora
A
saudade nos devora,
E
o tempo nunca passa.
Jenario
de Fatima

Alma de mulher
O que mais entristece uma mulher,
Não é a luta árdua, o dia a dia.
Não é dos filhos ouvir a gritaria,
Não é só dormir na hora que der...
O que mais entristece uma mulher
Não é o morrer de um sonho ou
fantasia
Não é se ter, do lado a
companhia
Que nem repare naquilo que ela quer.
O que mais entristece uma mulher
É ver o tempo de um jeito qualquer
Aos poucos lentamente ser perdido
E que às vezes mesmo tão cansada
Ela se sente alguém sem fazer nada
Que poderia ser mais do que tem sido.
Jenario de Fatima

(( 011 ))
Doces bruxos
Porque os poetas constantemente,
Quando riscam seus versos e os escrevem.
Parece que saciam e se servem,
Das coisas que vão lá dentro da gente?
Tomam o interior da nossa mente
Sem que ninguém os vejam e observem
Escolhem aquilo que acham e devem
E vão contando tudo abertamente?
Quantas vezes, por entre as linhas tortas
De um bruxo destes que se diz poeta,
Vemos algumas coisas nossas mortas,
Como um amor, sonho ou esperança finda.
Algo que nos machuca e nos inquieta
Mas no entanto vamos ler, reler ainda?
Jenario de Fátima
11/12/07 23,30 hs

01/04/2021 PORTAL / AMIGOS
DESPERDÍCIO
Jenário de Fátima
Guardado a espera de que alguém o queira.
Preso, estocado pela vida inteira
Armazenado sem nenhum proveito.
Porque será que é sempre deste jeito?
Porque será que justo quem mais ama,
Quem tem o amor como uma ardente chama
Nunca usufrui o que é seu por direito?
Porque será que a vida não dá chances
A quem procura tão somente as cenas
D'algum amor igual ao dos romances?
Sei não... Só sei que isso tudo finda um dia,
Ao ver que amor assim existe apenas
Nas rimas que um poeta fantasia!

Curvas do
tempo.
. Jenario de
Fátima
O tempo que
nós nunca...nunca temos.
Envoltos
sempre em louca correria.
Mistura horas
da noite com as do dia
E
consequentemente nós nem vemos.
Nas danças dos
projetos que fazemos,
Seja de qual
tamanho, qual valia,
Seja de pés no
chão, de fantasia
É sempre
contra o tempo que corremos.
Assim se passa
o tempo, o tempo passa
Tudo se
confunde, mistura entrelaça,
Buscando o
tempo a fuga pros deslizes.
Até que na
velhice, nós notamos
Que o que mais
importava nós não damos
...Um tempo
apenas só pra ser felizes!...
.
Brasília,25-08-06
http://campodeorquideas.com.br/2/imagens/relogio-lindo.gif
CURVAS DO TEMPO
Jenario de Fátima
O tempo que nós nunca, nunca temos,
Envoltos sempre em louca correria,
Mistura-se horas da noite e as do dia
E consequentemente nós nem vemos.
Nas danças dos projetos que fazemos,
Seja de qual tamanho, qual valia,
Seja de pés no chão, de fantasia
É sempre contra o tempo que corremos.
Assim se passa o tempo, o tempo passa.
Tudo se mistura, confunde, entrelaça,
Buscando o tempo a fuga pros deslizes.
Até que chega um dia e percebemos,
Que a tudo que havia um tempo demos
E não restou-nos tempo a ser felizes!

Coisas simples
Jenario de Fátima
Gosto das coisas
simples, bem singelas.
As coisas tão
comuns e tão normais.
Como o rasante vôo
que os pardais
Fazem defronte de
minhas janelas.
Gosto das
margaridas amarelas,
As que florescem
em todos os quintais,
Onde comparo o
colorido delas
Com o que vem das
roupas dos varais.
Amo a doçura no
sabor d´amora.
Me encanta as
tardes de leveza infinda,
Por onde a luz
crepuscular colora
Todo o horizonte
numa cor tão linda
Que nos faz crer
que ali, naquela hora
A mão de Deus esta
mais forte ainda.

COADJUVANTE
Como é doído ver o quanto esquivas
Quando juntos estamos num abraço.
Sinto que sutilmente busco espaço
Em outros pares de feições mais vivas.
E disfarçando vou, tua recusa
Amarelando o riso de meus traços,
Enquanto alegremente noutros passos
Tu rodopias pela luz difusa.
...Mas se a madrugada esvazia a festa
E se já há dia pelo céu lá fora,
A mim de novo, teu olhar empresta
A mim de novo, buscas sem demora
Porque a mim somente um papel resta
...Resta o papel de te levar embora...

Canção pra dizer “ Te amo “
Jenario de Fátima
Como pode tudo ser tão complicado.
Talvez eu nunca vá te entender.
Tudo que vem por certo de seu lado.
Tem traduções difíceis de fazer.
O meu amor não é amor entrelinhas
E puro e claro como eu sempre fui
Tudo que falo são de emoções minhas
Que cresce, se agiganta e evolui.
O digo isso meio a formas claras,
São emoções riquíssimas e raras
Pra que vejas como te gosto enfim.
Mas sempre falas, olha vou me embora.
Passou tempo, perdemos a hora
Porem ainda te amo mesmo assim

Arribação
Jenario
de Fátima
Sou
feito assim, aquela ave migratória.
Devassando
a amplidão dos continentes
A
procura de uma estada provisória
Onde
o inverno seja tépido e mais quente
Só
que nesta fuga incerta, aleatória.
Sou
levado pela força das correntes
E
adormeço numa ilha provisória
Crendo
ser ali ser morada permanente.
Finco
as bases da tão desejada casa.
Armo
vigas, prendo telhas, tudo urgente
Pra
que enfim possa repousar minha asa.
Mas
o solo é frágil, a casa esboroa e cai
E
o desalento do meu peito vem num ai,
Ao
me ver alçando espaços novamente...

ADÁGIO
Jenario de Fátima
“Porque a esperança é a última que
morre”
Tenho pautado a vida a este adágio.
Por entre quem me agride ou me
socorre,
Eu vou passando estágio por estágio
E se às vezes algo ruim ocorre,
E se um sonho torna mau presságio,
E se uma lágrima o meu verso borre,
E se torna o medo por contágio
Eu faço uma oração deste ditado
E nele acreditando piamente
Igual a um velho monge concentrado.
Eu sigo calmo... Terno e mansamente
Um facho de esperança delicado.
Que apenas só eu vejo em minha
frente.
ADÁGIO
Jenario de Fátima

Com Quem Sonhas?
Jenário de Fátima
Com quem sonhas, garota, com quem sonhas?
Quem é que à noite rouba sua mente?
Quem é que adentra seu inconsciente
E vem contigo dividir as fronhas?
Por quem clamas, garota, por quem clamas,
Quando o desejo chega de repente
E aquece o corpo de jeito imprudente,
Tornando o bico de teu seio em chamas?
Por quem choras, garota, por quem choras,
Se a solidão que te carrega as horas
Quer te levar pr'algum despenhadeiro?
Mas sê forte, garota... Anda, sê forte!
Um amanhã virá trazendo sorte,
E, por enquanto, se agarre ao travesseiro.

Alegria Plena
Jenario de Fátima
Bom dia moça bonita
Moça bonita, bom dia...
A vida possibilita
Ser de sonho e fantasia
Em toda palavra dita
Há sempre a luz que irradia.
Do anjo em que te habita
E que te faz companhia.
Por isso moça então cante.
Bote pra fora e espante
O que venha ser nocivo.
A vida é bela e tamanha
Que a gente as vezes se apanha
Rindo mesmo sem motivo.

Dia
da poesia
14
de março
Hoje
é dia nacional da poesia...
Mas
poesia não tem dia ou hora,
Ele
acontece quando a alegria
Ou
a tristeza vem, nos incorpora...
Quando
a vida um tanto vazia
Carrega
o riso, leva a luz embora.
Quando
a alma pinta , tece e cria
Versos
de amor, pelas cores da aurora
A
poesia não é só de versos
Ela
tatua, deixa seus impressos
Com
uma força as vezes incontida.
E
ser poeta é qualquer ser vivente
Que
se emociona, chora sofre e sente
De
tudo aquilo que chamamos vida...
Jenario
de Fátima

Enleio
No
amor às vezes nós mentimos tanto,
Que
nos tornamos parte da mentira.
E
neste engodo a mente ri ,delira
Acreditando
em tudo sem espanto.
E
então como se houvesse algum quebranto,
O
falso rodopia...bate...gira
Até
que por cansaço ou por encanto,
Uns
ares de verdade ele adquira.
Mas
num amor assim vivemos o medo
O
medo que se descubra a verdade
E
todo encantamento acabe cedo.
E
se acaba nos resta a constatação
Do
quanto dura é a realidade.
...Se
no amor cabe mentira...na dor não!
Jenario
de Fátima

Dos vãos de minhas janelas
Jenario de Fátima
Dos vãos de minhas janelas Enxergo tantos caminhos.
Onde passam moças belas E muitos homens sozinhos.
Passa aves tagarelas Na procura de seus ninhos.
Passam as tardes singelas Na solidão dos banquinhos.
Dos vãos de minhas janelas Eu vejo a rua e a praça
Onde as jovens donzelas Cheias de vigor e graça
Contam aventuras delas Entre risos e arruaças.
Dos vãos de minhas janelas Vejo que tudo entrelaça.
E as nuvens paralelas Viram escura fumaça,
Onde um breu se revela Na chuva que despedaça.
Aqui fico em sentinela Sentindo a dor da seqüela
De um amor que nunca passa.

Escolha
Houve um tempo, que os duendes e as fadas,
Habitavam entre as flores dos jardins.
E anjos tocavam pelas estradas,
Doces notas, de inquietos bandolins.
Nas casas, despensas abarrotadas
Exibiam só fartura;-mesmo assim!
Um anjo de ambições desmesuradas,
Quis que aquilo fosse seu...e foi o fim!
Então se fez o que era certo e preciso
Este anjo foi expulso e o paraíso,
Ficou livre da ambição e do flagelo.
Mas o anjo criou o seu próprio mundo
E insiste...pra nós...a cada segundo,
Que andemos no seu mundo paralelo!
Jenario de Fátima
15/05/2006

(( 025 ))
ÚLTIMA MORADA
Jenário de Fátima
Olhando à noite no universo escuro,
As luzes que faíscam no infinito.
Vejo naquele brilho tão bonito
A paz que tanto anseio e que procuro.
Eu que sempre fui fraco, inseguro
Que por coisa qualquer tremo, me agito
Me sinto extasiado quando fito
A casa que me espera no futuro.
Ali não se haverá mais amarguras,
Por entre supernovas e quasares,
No topo de imensuráveis alturas
Buscando galáxias misteriosas,
Minh´alma voará céus estelares
Coberta pelo pó das nebulosas.

(( 026 ))
Jenário de Fátima
ONDE?
Onde que anda estes doces olhinhos?
Que passam além da terra, além do mar?
Como as gaivotas que procuram ninhos
Pra se acolher do frio, se abriga?
Por onde andam aquelas palavras soltas
Que nos falávamos quando o breu à noite
Trazia a treva silenciosamente envolta
Num manto negro que lembrava um açoite?
Onde será que estão aquelas horas?
Que nos serviam sempre de escoras
Pra solidão de nossas duas almas?
Talvez esteja num lugar guardadas
Só esperando que a doce alvorada
Nos apareçam numa manhã calma
Jenário de Fátima

(( 027 ))
CICATRIZES
Jenário de Fátima
Faço poemas que ninguém vai ler
Pinto aquarelas que ninguém vai ver
Conto piadas pra ninguém sorrir.
Minhas carícias ninguém vai sentir
Da minha angústia ninguém vai saber
Os meus soluços ninguém vai conter
Com meu arrolo ninguém vai dormir.
Mas não é egolatria isso que carrego
Nem são egoístas os meu olhos baços
Se a solidão agora me entrego.
É porque o medo me jogou sem laços
Pois do amor apenas só carrego
As cicatrizes de seus
estilhaços.

(( 028 ))
ACALANTO
Sonhei um sonho, e neste sonho havia.
Um algo assim de arrolo, de acalanto.
Um algo assim de êxtase e de encanto.
Era um enlevamento o que sentia.
Só que em meu sonho, eu não conseguia,
Saber de onde vinha aquele canto.
Por mais que eu procurasse no entanto,
A voz que o cantava se escondia.
Foi no acordar então que dei por mim.
Quando se sonha alguma coisa assim,
É a mão de Deus que em nos se faz sentir.
E ficou claro que não entendia.
A voz que ouvi era voz de Maria,
Cantarolando pra Jesus dormir.

(( 029 ))
VOLTA POR CIMA?
Jenário de Fátima
Tropeçar e cair... quebrar a cara...
Ir conhecer como é profundo o poço.
Se encher de mágoas até o pescoço,
Buscar uma luz que não mais se aclara.
A gente as vezes assim se depara,
Neste mundinho o qual chamamos nosso,
Em um momento que nada separa,
Aquilo que é razão, do que é destroço.
Mas dizem: levante, sacuda a poeira
Mostre sua garra ampla, verdadeira
Esqueça o caos, dê a volta por cima.
Mas alguns casos dói infelizmente,
Ver o quanto tudo é bem diferente...
Nem sempre a vida é samba, ou
dá rima...





























ME DIZ
Hoje o seu coração esta assim vazio?
Me diz anjo porque, anda vai me diz...
O que te faz tão tristonha , infeliz
Qual uma avezinha em tempo de estio?
Hoje teu coração anda meio vazio?
Sera que foi alguma coisa que eu fiz?
Vou desenhar então no chão com giz
Dois braços pra abraçar-te neste frio.
Não te entristeças e nem fique assim:
Há por decerto um anjo, um querubim
Voando junto a ti, em tua volta
E outros anjos inda virão por certo
Pra espantar o anjo que ronda perto
E proteger-te numa grande escolta.













MEL
Jenário de Fátima
Vou roubar seu beijo, ora se vou!
Quero ficar com ele guardadinho...
Prá nestas horas que me achar sozinho
Lembrar do gosto com o qual me beijou.
Talvez até pareça, mas não sou
Alguém que viva sem o seu carinho
E vou ficando emburrado, de beicinho
Quando perto de tí não mais estou...
Este versos são simples, e dai?
Na mesma intenção que os escrevi
Também se faz crescer o meu desejo...
De ter de novo aquela coisa doce
Que quando eu provei julguei que fosse
Um mel vindo na lingua de teu beijo...
14 DE JANEIRO DE 2010











![]() |
| (( 084 )) REFLEXÃO |




















































































































Comentários
Postar um comentário