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Sou tão velha que meus amantes já são nomes de ruas
Sou tão velha que minhas vontades já estão nuas
Sou tão velha que minhas verdades já são as suas.
Eu sou do tempo em que se fumava no cinema.
Sou tão velha que minha voz agora é boa para ler um poema.
Sou livre:
Posso fazer o que quiser que ninguém liga.
Parte de mim
Mora numa foto antiga.
[Greta Benitez]
·
ATÉ QUE VOLTES
Claudia Dimer
Este poema é mais do que um poema;
É uma avalanche de paixão contida
Que arrastará de vez a tua vida
Para uma forma de alegria extrema.
E quando o leres... que teu corpo trema!
Que a indiferença fique comovida!
E que a incerteza fique convencida
Nesses meus versos loucos e sem tema...
E quando o leres veja inflar-te a alma
De uma doçura plena e sucumbindo
Numa lembrança minha... e já sem calma
Sinta teus olhos como um mar de pranto
Até que sintas que me ama tanto,
Até que voltes para mim sorrindo!
Ver menos
https://www.facebook.com/photo/?fbid=1436574793071192&set=a.441251795936835&locale=pt_BR
·
MÉTRICA
Ana Luiza
(coisas de Ana)
Queria dizer
não soube contar
acho que me perdi
Era grande demais
o que sentia
Poema incerto
versos quebrados
melhor parti-los!
Ver menos
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·
Tudo agora é noite
na audácia de algum sonho ébrio
me entrego
Amanhecer é pra depois
o dia ainda dorme em mim!
Ana luiza
(coisas de Ana)
.
Tela: Mark Spain
Ver menos
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·
DE DENTRO PRA FORA
Maria Eduarda Novaes
Madrugada adentro,
O lado de fora
Eu adentro
Num medo que me pelo,
Saio do castelo nua
De corpo e mente
E no meio da Rua Três,
O pavor de que se rua de vez
Bem na minha frente
E que Deus bendiga
A minha vida de Mendiga!
.
Tela: Francesca Strino
Ver menos
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·
LOUCA ALEGRIA
Claudia Dimer
Quem dera eu fosse invadida
por uma louca alegria
Dessas que uma vez na vida
Nos chega e só dura um dia
Que dera eu fosse vencida
Pelo poder de um amor
E que minh'alma perdida
Encontrasse algum valor
Quem dera eu fosse movida
Pela força da paixão
Que me tornasse atrevida
E ousar sentir emoção
Quem dera eu achar saída
Noutro mundo ou mesmo nesse
Que chegasse a minha ida
Pra onde a vida acontecesse.
Ver menos
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·
ELA FAZ CINEMA
Chico Buarque
(fragmentos)
Quando ela chora
Não sei se é dos olhos para fora
Não sei do que ri
Eu não sei se ela agora
Está fora de si
Ou se é o estilo de uma grande dama
Quando me encara e desata os cabelos
Não sei se ela está mesmo aqui
Quando se joga na minha cama
Ela faz cinema
Ela é a tal
Sei que ela pode ser mil
Mas não existe outra igual.
Ver menos
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·
Estou aqui
Esperando uma ligação que não vai vir
A me entreter
Esperando alguma coisa acontecer
Mas nada
Nem o teu cheiro, amada
Nada
Nem o pensamento de uma toada,
Ao longe escuto pessoas rindo
E mentindo-me sigo perseguindo
A expectativa do nada.
Minha ânsia, toda agonia,
É reflexo do teu vazio
E por mais que seja azia
É escolha sem ódio
É subir no pódio do teu coração
E sonhar com teus beijos, por que não?
Ó distante saudade vazia,
De olhos fechados, apertados,
De boca franzina, teus cabelos crespos
Respiram desejo, e tua boca suspira
E aspira um beijo, meu beijo...
Quiçá dormisse, mais fácil seria
Pois sonharia inconsciente
Pior que ver raiar o dia acordado
Inconsequente...
Pensando nos tempos passados
E por que não são mais presentes
Por que não és meu oriente?
(Rodolfo Cordón)
Ver menos
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·
TEU NOME NA AREIA
Ângela Faria de Paula Lima
Onda, onda... Verde mar!
Pelas praias a vagar
Com a minha solidão
Bordo teu nome na areia
Enquanto a maré volteia
E apaga em borrão...
Queria mostrar-te a arte
Que escrevi de próprio punho
Mas a onda traiçoeira
Desmanchou a letra cheia
E eu perdi o rascunho!.....
Ver menos
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Por trás de cores e luzes pode haver
enrustido um pranto.
Nenhum palhaço se renderá,jamais,
Estando realmente triste...a mais linda
canção de acalanto.
(Léia Marrod)
.
Tela:Francisco Eduardo
Ver menos
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·
VIDA E PRAZER
Vera Lucia Pimentel
( Vera Feliz )
É meu prazer poder andar na praia
ouvindo as ondas em seu marulhar
ver no horizonte ,unidos céu e mar
bem a tardinha quando o sol desmaia
É meu prazer ver quando anoitece
brilho de estrelas e o clarão do luar
sentir a brisa soprando devagar
pra embalar a paz que me acontece
Nesses momentos tudo é irrelevante
cada problema tão insignificante
sou só um grão d'areia...tão pequena...!
Tudo e todos que estão ao redor
mostram que Deus só nos dá o melhor
pra se saber que a vida vale a pena...!
.
Tela: Gonzalez Alacreu
Ver menos
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·
·
QUIS UM AMOR...
Vera Lucia Pimentel
(Vera Feliz)
Quis ter um amor ,de filme,de novela
que me trouxesse flores a tardinha
que me dissesse "sou teu e, és minha"
onde a doçura do carinho se revela
Quis tanto o amor ,só encontrei paixões
duravam só um tempo, o dos desejos
sem ter na boca lembrança dos beijos
iguais as chuvas em finais de Verões
Quis...e,não tive, veio a conformação
amor assim não é pro meu coração
o que tem de ser...já é predestinado
Então ,fiz dos versos única alegria
escrevo o que quis e em cada poesia
o amor que sonhei será eternizado....!
.
Foto: Ava Gardner
Ver menos
·
Luz Antiga
Nando Reis
(fragmentos)
Se não sabe
Se afaste de mim
Mas se ainda cabe
Me abrace, enfim
Só ligue se tiver vontade
Só venha se quiser me ver
Mentir é pura vaidade
De quem precisa se esconder
Ver menos
·
https://www.facebook.com/photo/?fbid=833677413360936&set=a.441251795936835&locale=pt_BR
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https://www.facebook.com/photo/?fbid=833183236743687&set=a.441251795936835&locale=pt_BR
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TROVAS DE MIM...
Vera Lucia Pimentel
(Vera Feliz)
Saudade é ave sem ninho
é canção sem ter autor
é dor que geme baixinho
no peito de um trovador.
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https://www.facebook.com/photo/?fbid=831494076912603&set=a.441251795936835&locale=pt_BR
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https://www.facebook.com/photo/?fbid=830936570301687&set=a.441251795936835&locale=pt_BR
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Com pequenos versos descrevo-me
Sol Pereira
Não sou profissional da saúde,
Não sou enfermeira,
Não sou professora,
Não sou politicamente correta
Uso o branco pela a PAZ
Sou bacharel e de formação das letras.
Tento me defender escrevendo poesias
Vestindo-me assim, de Amor.
Todos os dias debruço
Na janela de minha alma...
Para ver o quão sou solitária e solidária
Ao meu romantismo
Ver menos
https://www.facebook.com/photo/?fbid=828155050579839&set=a.441251795936835&locale=pt_BR
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https://www.facebook.com/photo/?fbid=441588249236523&set=a.441254062603275
https://www.facebook.com/photo/?fbid=441588249236523&set=a.441254062603275
·
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MULHER DE QUARENTA
Serena e azul
Não tenta
Sublime e perfumada
Não inventa
Sedutora e elegante
Ela se apresenta
Dona de si
Segura e amante
Dona de mim
A todo instante.
Ver
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·
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https://www.facebook.com/photo/?fbid=441592362569445&set=a.441254062603275
·
https://www.facebook.com/photo/?fbid=443264225735592&set=a.441254062603275
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https://www.facebook.com/photo/?fbid=443264335735581&set=a.441254062603275
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https://www.facebook.com/photo/?fbid=443265079068840&set=a.441254062603275
·
https://www.facebook.com/photo/?fbid=444076558987692&set=a.441254062603275
·
O tempo escreveu-me
Pele morena
Olhos amendoados
Cabelos a La Chanel
Imprime menina
Tatua-me em ti
“Primaverar-te-ei”
Em todas as estações...
.
Ydeo Oga
Ver menos
https://www.facebook.com/photo/?fbid=447691831959498&set=a.441254062603275
https://www.facebook.com/photo/?fbid=448970598498288&set=a.441254062603275
·
·
https://www.facebook.com/photo/?fbid=450583071670374&set=a.441254062603275
Comentários
Essa sou eu! Poucos poemas falam de mim, como esse...
bonito.Beijosdeboa noite.
Esse eu fiz pra uma professora antiga, que é meio mãe, meio tia.
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a/set/?set=a.441318705930144&type=3
ATÉ QUE VOLTES
Claudia Dimer
Este poema é mais do que um poema;
É uma avalanche de paixão contida
Que arrastará de vez a tua vida
Para uma forma de alegria extrema.
E quando o leres... que teu corpo trema!
Que a indiferença fique comovida!
E que a incerteza fique convencida
Nesses meus versos loucos e sem tema...
E quando o leres veja inflar-te a alma
De uma doçura plena e sucumbindo
Numa lembrança minha... e já sem calma
Sinta teus olhos como um mar de pranto
Até que sintas que me ama tanto,
Até que voltes para mim sorrindo! Ver menos
Sou a mulher mais pontual do mundo.
Se você pede para eu chegar bem cedo, eu
chego e ainda dá tempo de te ver fugindo.
[Martha Medeiros]
.
.
Tela: V.Volegov
TIMIDEZ
Cecília Meireles
Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve…
- mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes…
- palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando…
e um dia me acabarei.
.
Tela: David Walker Ver menos


“O silêncio arquiteta planos que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.”
[Martha Medeiros]
.
.https://www.facebook.com/photo?fbid=877446775650666&set=a.441251795936835
.
: Imagem:Google Ver menos

FRUSTRAÇÃO
Miguel Torga
Foi bonito
O meu sonho de amor.
Floriram em redor
Todos os campos em pousio.
Um sol de Abril brilhou em pleno estio,
Lavado e promissor.
Só que não houve frutos
Dessa primavera.
A vida disse que era
Tarde demais.
E que as paixões tardias
São ironias
Dos deuses desleais. Ver menos
https://www.facebook.com/photo/?fbid=872689899459687&set=a.441251795936835

APELO
Theo Drummond
Quando te fores em definitivo
cumprindo o seu desejo, o seu projeto,
sem dares conta quanto é intempestivo
o teu gesto que julgas ser correto,
Vou me enganar que sou compreensivo
ao permitir que sigas teu trajeto,
e após partires fingirei que vivo
morrendo, embora, sem o teu afeto.
Apenas peço que, no instante certo,
quando te fores não te assuste o pranto
que vou chorar porque ainda estás tão perto.
Mesmo afogado no meu desencanto
eu tentarei guardar, no peito aberto,
o nada que restou do que foi tanto. Ver menos

MÉTRICA
Ana Luiza
(coisas de Ana)
Queria dizer
não soube contar
acho que me perdi
Era grande demais
o que sentia
Poema incerto
versos quebrados
melhor parti-los! Ver menos

Tudo agora é noite
na audácia de algum sonho ébrio
me entrego
Amanhecer é pra depois
o dia ainda dorme em mim!
Ana luiza
(coisas de Ana)
.
Tela: Mark Spain Ver menos

DE DENTRO PRA FORA
Maria Eduarda Novaes
Madrugada adentro,
O lado de fora
Eu adentro
Num medo que me pelo,
Saio do castelo nua
De corpo e mente
E no meio da Rua Três,
O pavor de que se rua de vez
Bem na minha frente
E que Deus bendiga
A minha vida de Mendiga!
.
Tela: Francesca Strino Ver men

LOUCA ALEGRIA
Claudia Dimer
Quem dera eu fosse invadida
por uma louca alegria
Dessas que uma vez na vida
Nos chega e só dura um dia
Que dera eu fosse vencida
Pelo poder de um amor
E que minh'alma perdida
Encontrasse algum valor
Quem dera eu fosse movida
Pela força da paixão
Que me tornasse atrevida
E ousar sentir emoção
Quem dera eu achar saída
Noutro mundo ou mesmo nesse
Que chegasse a minha ida
Pra onde a vida acontecesse. Ver meno

ELA FAZ CINEMA
Chico Buarque
(fragmentos)
Quando ela chora
Não sei se é dos olhos para fora
Não sei do que ri
Eu não sei se ela agora
Está fora de si
Ou se é o estilo de uma grande dama
Quando me encara e desata os cabelos
Não sei se ela está mesmo aqui
Quando se joga na minha cama
Ela faz cinema
Ela é a tal
Sei que ela pode ser mil
Mas não existe outra igual. V

Por trás de cores e luzes pode haver
enrustido um pranto.
Nenhum palhaço se renderá,jamais,
Estando realmente triste...a mais linda
canção de acalanto.
(Léia Marrod)
.
Tela:Francisco Eduardo

VIDA E PRAZER
Vera Lucia Pimentel
( Vera Feliz )
É meu prazer poder andar na praia
ouvindo as ondas em seu marulhar
ver no horizonte ,unidos céu e mar
bem a tardinha quando o sol desmaia
É meu prazer ver quando anoitece
brilho de estrelas e o clarão do luar
sentir a brisa soprando devagar
pra embalar a paz que me acontece
Nesses momentos tudo é irrelevante
cada problema tão insignificante
sou só um grão d'areia...tão pequena...!
Tudo e todos que estão ao redor
mostram que Deus só nos dá o melhor
pra se saber que a vida vale a pena...!
.
Tela: Gonzalez Alacreu Ver menos



QUIS UM AMOR...
Vera Lucia Pimentel
(Vera Feliz)
Quis ter um amor ,de filme,de novela
que me trouxesse flores a tardinha
que me dissesse "sou teu e, és minha"
onde a doçura do carinho se revela
Quis tanto o amor ,só encontrei paixões
duravam só um tempo, o dos desejos
sem ter na boca lembrança dos beijos
iguais as chuvas em finais de Verões
Quis...e,não tive, veio a conformação
amor assim não é pro meu coração
o que tem de ser...já é predestinado
Então ,fiz dos versos única alegria
escrevo o que quis e em cada poesia
o amor que sonhei será eternizado....!
.
Foto: Ava Gardner Ver menos



TROVAS DE MIM...
Vera Lucia Pimentel
(Vera Feliz)
Saudade é ave sem ninho
é canção sem ter autor
é dor que geme baixinho
no peito de um trovador.





Com pequenos versos descrevo-me
Sol Pereira
Não sou profissional da saúde,
Não sou enfermeira,
Não sou professora,
Não sou politicamente correta
Uso o branco pela a PAZ
Sou bacharel e de formação das letras.
Tento me defender escrevendo poesias
Vestindo-me assim, de Amor.
Todos os dias debruço
Na janela de minha alma...
Para ver o quão sou solitária e solidária
Ao meu romantismo Ver menos





Desejo a todos um FELIZ ANO NOVO!!

E que este ano de 2015 venha com muita paz,harmonia e muita energia positiva pra todos nós!!


https://www.facebook.com/photo/?fbid=815097481885596&set=a.441251795936835
QUERIA...
Reggina Moon
Abandonar o barco
largar os remos
seguir à deriva
sair sem destino
sem hora, sem rumo
esquecer se é dia
ou se a noite termina
sair da rotina
brindar mais um dia
virar outra esquina
achar mil razões pra comemorar
amar por amar
ler muita poesia
dormir, acordar, namorar, vadiar...
.





Me conta onde fica esse esconderijo secreto, o mesmo onde você sumiu com todos os eu te amo que me disse.
[Martha Medeiros]

O EROSTISMO
André Malraux,
in 'A Estrada Real'
Os homens mais novos não entendem o... como é que vocês dizem?... o erotismo. Até aos quarenta, caímos sempre no mesmo erro, não sabemos libertar-nos do amor: um homem que, em vez de pensar numa mulher como complemento de um sexo, pensa no sexo como complemento de uma mulher, está pronto para o amor: tanto pior para ele.
.
Imagem/Foto: Audrey Hepburn

https://www.facebook.com/photo/?fbid=807290542666290&set=a.441251795936835
Estas palavras foram encontradas num porão
em Köln/Colônia/Alemanha após a segunda guerra:
Acredito no sol mesmo quando não o vejo.
Acredito no amor mesmo quando não o sinto.
Acredito em Deus mesmo quando está calado

O barulho da chuva
convida a manhã
a beber brisas molhadas.
[Ydeo Oga]
.
https://www.facebook.com/photo/?fbid=806943682700976&set=a.441251795936835

AUSÊNCIA
Carlos Drummond de Andrade, in 'O Corpo'
1902 - 1987
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,que rio e danço e invento exclamações alegres,porque a ausência, essa ausência assimilada,ninguém a rouba mais de mim. Ver menos

LUA URBANA
Maria Helena Bandeira
Tem uma lua pendurada na minha janela
Uma lua pálida e urbana
Uma lua distante
Vejo como me vê
Indiferente
Eu sentada sobre meus problemas
Ela sozinha num céu sem enfeites
Somos ambas metáforas de algo
Só que esqueci de quê

"Quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim."
[Cecília Meireles] Ver menos

Hoje não deu certo pra mim
Mas amanhã dará
Hoje foi difícil sorrir
Mas amanhã vai melhorar
Talvez eu que não dê certo
Com certos "hojes" de hoje em dia
Talvez simplesmente,
Não seja hoje o meu dia...
Quem sou eu para saber?
Se estou inserido dentro de mim,
Como prever ou entender
Por que é que eu sou assim?
Não tem problema, nem trema
São consequências da sorte
Para tudo há solução na vida
Menos para morte
Até lá vamos levando
Deixa a tristeza passar
Ontem foi assim,
Amanhã não será...
Será?
Hoje não me encaixei
Na vida que sempre quis
Mas amanhã eu sei
Tem chance de ser feliz
E só o tempo poderá dizer
Um dia que está porvir
Se valeu ou não valeu
Se vivi ou não vivi.
(Rodolfo Cordón)
Tela: Edward Hooper Ver meno






SAIBA MORRER O QUE VIVER NÃO SOUBE
Manuel Maria Barbosa du BOCAGE
Meu ser evaporei na lida insana
do tropel de paixões que me arrastava.
Ah! Cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
em mim quase imortal a essência humana.
De que inúmeros sóis a mente ufana
existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe Natureza escrava
ao mal, que a vida em sua origem dana.
Prazeres, sócios meus e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta e si não coube,
no abismo vos sumiu dos desenganos.
Deus, ó Deus!... Quando a morte à luz me roube
ganhe um momento o que perderam anos
saiba morrer o que viver não soube.
*Leia: Saiba descer o que subir não soube - paródia de Olavo Bilac
SAIBA DESCER O QUE SUBIR NÃO SOUBE
Olavo Bilac
Meus dias consumir de terra em terra,
em banquetes com reis todos os dias;
comigo a pança encheu também Tobias
na Alemanha, na França, na Inglaterra...
Oh! secretário que tão bem comias!
Não sejas mole: dente agudo ferra
na própria língua, que ainda agora encerra
o chorume daquelas iguarias!
Marinhas
(1), meu nego, se tu visses
o que de bom nesta barriga coube,
é impossível que ao pranto resistisses.
Quando o Rio a Petrópolis me roube (2)
desça o trem com finas gulodices,
saiba descer o que subir não soube!
(1) - Conselheiro Marinhas, amigo íntimo do presidente Campos Sales
(2) - Crítica às frequentes viagens do Presidente Campos Sales a Petrópolis, durante o verão.
.
PS=Os sonetos acima foram extraídos do livro "Humor e Humorismo - Paródias", Editora Brasiliense - São Paulo, 1961, organizada por Idel Becker, págs. 296 e 298. Ver menos


Preciso precisar
Pressinto querer
Preciso entender
Pressinto você.
Preciso viver
Prevejo amar
Preciso parar
Prevejo você.
Preciso viver mais,
Permitir-me mais!
Permitir-me amar,
Preciso de paz.
Preciso precisar
Preciso querer
Preciso amar mais,
Preciso de você.
.
Tela: Fabian Perez Ver menos

CANÇÃO DO VENTO
Manuel Bandeira
O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
cada vez mais cheia
de frutos, de flores, de folhas
O vento varria as luzes,
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas...
E a minha vida ficava
cada vez mais cheia
de aromas, de estrelas, de cânticos
O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
cada vez mais cheia de tudo.
.


NÃO SEI SE VALE A PENA AMAR
Nelson Rodrigues de Barros
Ah, poeta! Por que tu amas tanto assim?
Por que não acreditas no fim?
Esse amor por ti sonhado já morreu.
Poeta do mar da eternidade...
Esse seu amor é só saudade
E confesso sua dor ser mais que eu.
Poeta que fala com o vento...
Que sofre e ama em silêncio...
No teu deserto eu só vejo solidão.
Poeta das Anas e das Marias...
Que morre e renasce a cada dia...
Tu só entendes de ilusão.
Poeta das noites enluaradas,
Que vive e sonha com a amada...
Lamento, seu cavalo alado desfaleceu.
Ah, poeta! Deixa de besteira!
Paixões são passageiras
E quem tu amas, já te esqueceu.
Poeta que se esconde nas palavras...
Do seu grito ouço quase nada...
Triste fim de um plebeu.
Ah, poeta! Queria tanto, mas tanto te aconselhar.
Pois, não sei se vale a pena amar...
Vê se esquece o que te aconteceu.
Mas quando olho no espelho...
Pasme em mim um pesadelo...
Ao descobrir que esse tal poeta... Sou eu.
[Todos os direitos autorais reservados ao autor]
.
Tela: Edward Hopper.


S uor escorre pele afora
A rde corpo, alma e mente
U nico, é o desejo, ter você
D espida e vazia, neste agora
A lcanço o antes, tão presente
D eixo que me tome este querer
E ntre gemidos e o gozo, sem demora
S ou tua, entregue, mesmo ausente
[ Kátia de Souza]
.
.
Tela: Serge Marshennikov Ver menos

"A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de carácter, e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem."
[Arthur Schopenhauer]

Eu queria amar
Como já amei
Para olhar o mar...
Por quê? Não sei.
Eu quero paixão
Como já senti
Pra ficar sem chão
Mas perto de ti.
Eu quero demais
Sou muito exigente
Quero ser quem te faz
Sempre mais sorridente
Eu queria amar
Podia ser você
Para olhar o mar...
Por quê? Eu sei.
Porque a vastidão do mar,
Sei lá... É tão bonito
É como nosso amor será:
Infinito.
[Rodolfo Cordón]
.
Porta do mar. Fotografia: Pedro M. Borges. Ver menos

ALHEAMENTO
Ana Luiza
(Coisas de Ana)
Se sou abstrata
não me definas
deixe-me ser
compor meus pontos
Bailo na lógica
pulo nas margens
constelo prismas
É no quântico
que não me alcanças
surreal tua prisão
já não me tens
Sensorial, ilógica
fujo do teu pragmatismo
Concreto é teu mundo
respiro, diluo, evaporo
Fui te encontrar
logo em um teorema
e inexata, sobrevivi!.
.

DESEJOS
Telma Moreira
Um fogo ardendo no olhar,
a boca ansiosa pelo beijo,
o corpo submisso na mão,
a sede do mesmo desejo...
Braços que querem enlaçar,
os dedos na pele a dentro,
a mente sem um controle,
tanto êxtase num momento...
As estrelas no chão a brilhar,
carícias no dorso, na nuca,
arrepio de pelos sedentos...
Como parar? Oh, nunca!
Mas, os desejos se esqueceram há tempos,
porque a paixão não quis aprender a amar...
.
Tela: Pino Daeni Ver menos

DEVE SER MÃE
João Vicente Guimarães Barbalho
Mãe! Deve ser mãe aquela que espera,
aquela que, com violento carinho,
no peito vai tricotando o caminho
para o Verão que virá Primavera.
E deve ser mãe aquela que ama
o vento, mas não ama a tempestade.
Aquela que morrerá de saudade,
enquanto a triste saudade lhe engana.
Também deve ser mãe a que se cala,
resignada… e o vil destino embala,
como se mudar não fosse preciso.
E aquela que diz que ser é sofrer,
que ser é padecer no paraíso...
Não pode ser mãe, mas mãe deve ser.
.
Tela:Pino Daeni Ver menos

MAR POESIA
André Fernandes
Levo comigo um oceano de saudade
Desse mar chamado poesia
De lindas correntezas
De poetas que deleitam
Que instigam a criar
E que entre letras desaguam
Dentro de nós
E por fim nos faz
Navegar!
.

SEM REMÉDIO
Florbela Espanca
Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.
E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!
Sinto os passos de dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!
E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!
.
Tela: Omar Ortiz Ver menos

Ser livre é não ser escravo das culpas do passado nem das preocupações
do amanhã.
Ser livre é ter tempo para as coisas que se ama.
É abraçar, se entregar, sonhar, recomeçar tudo de novo.
É desenvolver a arte de pensar e proteger a emoção.
Mas, acima de tudo, ser livre é ter um caso de amor com a própria
existência e desvendar seus mistérios.'

UMA VIAGEM DE AMOR SEM VOLTA
Nelson R. Barros
Que o seu olhar seja a minha fonte
E esse desejo, que tenho seu, o meu maná.
Pra que eu sinta-te, mesmo assim tão longe,
Em cada suspiro desse meu sonhar.
Que os seus mistérios escondam o meu presente...
E dele, eu me deleite sem hesitação.
Pra que o amor passado agora tão presente...
Alimente-me, e assim me expurgue dessa escuridão.
Que os meus poemas encontrem, em ti, refúgio...
E assim, como arbusto, possa então ramificar.
Pra que eu me lance de olhos fechados, coração profundo,
Nesse seu mundo... e não consiga nunca mais voltar.
.
TELA: Pino Daeni Ver menos


DAS VERDADES
Ana Luiza (coisas de Ana)
Tudo que sei
das poucas verdades
é que elas também envelhecem.
Sentam-se cansadas folheando
um álbum de fotografias
onde resta o frescor
das descobertas e a coleção
de pontos finais.
Por isso, distraio-as
com incertezas e atos falhos
reinventando o curso da procura
que lhes deu identidade.
Tudo que queria, por vezes,
era ignorar que dividimos
a existência entre verdades
e mentiras
porque minhas verdades
trouxeram-me até aqui
e minhas mentiras,
por onde me levariam?
.
Tela: Don Seegmiller Ver menos

NOTURNO
Henriqueta Lisboa
Meu pensamento em febre
e uma lâmpada acesa
a incendiar a noite.
Meus desejos irrequietos,
a hora em que não há socorro,… Ver mais

"...Porque a tua rotina me inclui e gostas disso...Porque a minha rotina
não sabe se conduzir sem ti...Sabemos lidar com os prazeres e as dificuldades... Só não sabemos lidar com a saudade!"
[Dorothy Castro Alvarenga]… Ver mais

A vida é agora,aprende.
Ainda outra vez tocarão teus seios,lamberão
teus pelos, provarão teus gostos.
E outra mais, outra vez ainda.
Até esqueceres faces, nomes, cheiros.
Serão tantos.O pó se acumula todos os
dias sobre as emoções.
[Caio Fernando Abreu]
.
Tela: Don Seegmiller Ver menos

PROIBIDO!
Pablo Neruda
Proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber
o que fazer.
Ter medo de suas lembranças.
É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em
realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por
tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que
viveram juntos chamá-los somente
quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo
diante das pessoas… Ver me

A Nossa Casa
Florbela Espanca
A nossa casa, Amor, a nossa casa!
Onde está ela, Amor, que não a vejo?
Na minha doida fantasia em brasa
Costrói-a, num instante, o meu desejo!
Onde está ela, amor, a nossa casa,
O bem que neste mundo mais invejo?
O brando ninho aonde o nosso beijo
Será mais puro e doce que uma asa?
Sonho… que eu e tu, dois pobrezinhos,
Andamos de mãos dadas, nos caminhos
Duma terra de rosas, num jardim,
Num país de ilusão que nunca vi…
E que eu moro – tão bom! – dentro de ti
E tu, ó meu Amor, dentro de mim…
.


ELEGIAS ROMANAS
Johann Von Goethe
Falai-me, ó pedras! oh falai, vós altos palácios!
Ruas, dizei uma palavra! Gênio, não te moves?
Sim, tudo tem alma nos teus santos muros,
Roma eterna; só para mim tudo se cala ainda.
Quem me diz segredos, em que fresta avisto
Um dia o ser belo que queimando me alivie?
Não pressinto ainda os caminhos, pelos quais sempre,
Pra ir dela e pra ela, sacrifique o tempo precioso?
Ainda contemplo igrejas, palácios, ruínas, colunas,
Homem composto, decoroso, que aproveita a viagem.
Mas em breve passa: então haverá um só templo,
O templo do Amor, que se abra e receba o iniciado!
És um mundo em verdade, ó Roma; mas sem o Amor
O mundo não era mundo, e Roma não era Roma. Ver me


PRIMAVERA
J. G. de Araújo Jorge
O teu amor, querida,
fez um dia de primavera
neste começo de outono
que é a minha vida.
E do ramo, de onde as primeiras folhas
se soltavam pálidas, sem cor,
surgiu uma flor imprevista:
o teu amor...
Teu amor chegou assim
como uma coisa que no fundo se deseja
mas não se espera,
emocionando o coração, neste começo de outono
como um dia de primavera!
.
Tela: Mario Mariano Ver me

SANDICE
Ângela Faria de Paula Lima
07/01/2014
A sanidade mental estou recuperando...
Estou cada vez mais permissiva
Livrei-me do temor me sufocando
E resgatei uma porção mais ostensiva...
A partir de agora sou mais livre
Dou-me o direito de ter mais experiências
Não aceito mais nada que me prive
Daquilo que permita a consciência...
Anseio pelo novo e o improvável
Quero saber o que não experimentei
Quero fazer o que parece impraticável....
Nenhuma alegria será pouca
Quero um espaço que jamais pensei
Pois felizmente agora estou mais louca!.....
.
Tela: Robert Coombs Ver me


ONDAS E ROSAS
Ilka Maia
Amores que passais cantando pela Vida,
Ligeiros como um sonho em tardes vaporosas !
Como as rosas nasceis na aurora colorida ! ...
Como as rosas nasceis...E morreis como as rosas...
Amores que passais sorrindo pela Vida !
Vós vindes a ... cantar abrindo almas ditosas !
Vós ides...e chorais o pranto da partida,
Como as ondas do mar em noites silenciosas...
Rosas...que nascem, rindo, á luz das madrugadas !
Que vivem um só dia aromas derramando...
Rosas...que ao por do sol se inclinam desfolhadas...
Ondas...que vem cantando e cessam de cantar !
Ondas...que vem sorrindo e voltam soluçando !
Ondas...que vem do mar e voltam para o mar...
.
Há um grande vento frio cavalgando as ondas,mas o céu está limpo e o sol muito claro.Duas aves dançam sobre as espumas assanhadas. As cigarras não cantam mais. Talvez tenha acabado o verão.


SONETO
Ana Cristina Cesar
In A Teus Pés, 1982
Pergunto aqui se sou louca
Quem quer saberá dizer
Pergunto mais, se sou sã
E ainda mais, se sou eu
Que uso o viés pra amar
E finjo fingir que finjo
Adorar o fingimento
Fingindo que sou fingida
Pergunto aqui meus senhores
quem é a loura donzela
que se chama Ana Cristina
E que se diz ser alguém
É um fenômeno mor
Ou é um lapso sutil?
.

QUE PENA
Ysolda Cabral
Se não existe saudade
Nada valeu ou vingou
Não é desamor
Não é dissabor
Se não existe saudade
Nada significou
Não é indiferença
Não é maledicência
Se não existe saudade
Não foi amor de verdade

Onde nasce a poesia
10 de outubro de 2014
·
Saudade dentro do peito
é qual fogo de monturo...
Por fora tudo perfeito,
por dentro fazendo furo.
[Patativa do Assaré - CE ] Ver me

Sou tão velha que meus amantes já são nomes de ruas
Sou tão velha que minhas vontades já estão nuas
Sou tão velha que minhas verdades já são as suas.
Eu sou do tempo em que se fumava no cinema.
Sou tão velha que minha voz agora é boa para ler um poema.
Sou livre:
Posso fazer o que quiser que ninguém liga.
Parte de mim
Mora numa foto antiga.

UM DIA TALVEZ...
Vilma Galvão
Um dia...
quem sabe tenhamos tempo...
Tempo para estar no mesmo lugar,
e pensar os mesmos pensamentos..
Um dia...
quem sabe...
Ainda teremos tempo para nos olhar
e ver quem realmente somos...
E só depois disso,
nascerá em nós a certeza
do que estamos buscando um no outro...
quem sabe...
Enquanto isso não acontece,
fique com um pouco de mim...
o meu poema para você...
Medite sobre ele...
Me sinta por ele...
Me espere... com ele... Ver me

Você tem que parar de sentir falta, de
quem não sente de você.
[ Caio Fernando Abreu] Ver me

SONETO DO ORFEU
Vinicius de Moraes
São demais os perigos dessa vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar, que atua desvairado
Vem unir-se uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher
Uma mulher que é feita de música
Luar e sentimento, e que a vida
Não quer, de tão perfeita
Uma mulher que é como a própria lua:
Tão linda que só espalha sofrimento,
Tão cheia de pudor que vive nua. Ver menos

Não fosse a tua boca água nua esperando um barco e morreria eu de amar, e morrerias tu sem mar.
[Mia Couto]
Poema inédito "Memória de um amor que nunca foi." Ver menos

"A estrada da vida pode ser longa e áspera.
Faça-a mais suave, caminhando e cantando
com as mãos cheias de sementes".
(Cora Coralina) Ver menos

AMOR DOCE
Manoel Virgilio Pimentel Côrtes
Queria ter um amor, sempre, doce,
Alguém, assim, que fosse especial.
Para sonharmos com um romance,
Muito lindo, ainda que virtual.
Que me desse muito carinho,
E me beijasse, muita louca,
Tal colibri que, boca em boca,
Leva o mel, pra todos no ninho.
Seria um grande amor, na verdade,
Que só traria felicidade,
Porque, natural, sem maldade.
Assim o beijo, tão desejado,
Não teria gosto de pecado,
Tão puro, que seria perdoado.
(Extraído do Livro Mulher Estelar - Sonetos) Ver menos

MADRUGADA DE PRIMAVERA
THIAGO DE MELLO
In De uma vez por todas, 1996
Primeiro eu vou pedir que tires toda,
mas bem devagarzinho, a tua roupa
e, estirada na luz, completamente
desnuda, tires tudo que te morde
dentro do peito a flor de primavera
que não sabes abrir. Depois, então,
vou te pedir que venhas, cheias de asas,
dentro de mim, para que se inaugure
a madrugada do meu corpo. Assim.
.
Tela: Natale Schiavoni Ver menos
SOLA SCRIPTURA
Otto Leopoldo Winck
Inscrevo
no teu corpo
as marcas da minha salvação.
De um lado,
uma cruz, um horto, um coração
vazado.
De outro,
uma terra que mana leite e mel.
Entre um ponto e outro,
soletro minha bíblia
e de joelhos confesso:
tu és a minha luz
e a minha danação.
....
Sobre o autor:
Nasceu no Rio de Janeiro, capital, em 1967. Depois de uma passagem por Porto Alegre, radicou-se em Curitiba, em 1982. Em 2006 foi vencedor do prêmio da Academia de Letras da Bahia, com o romance Jaboc, publicado no ano seguinte pela editora Garamond. Em 2008 foi contemplado com uma Bolsa para Obras em Fase de Conclusão da Biblioteca Nacional e em 2010 recebeu a Bolsa Funarte de Criação Literária, com as quais, respectivamente, produziu um romance e uma novela, ainda inéditos. Em 2012 foi o vencedor do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura, na categoria poesia, com o volume Desacordes.
.
Tela: Henrique Medina de Barros Ver menos


GAROTA DE ALUGUEL
Amaro Vaz
Carangola, outubro de 2007
Pinta a boca com as infinitas cores
De quem mendiga, um prazer alheio.
Teu pão de cada dia é sem recheio
A fome não sacia os teus pudores.
As tuas noites são feitas de calçadas
Em ruas frias de silêncios mórbidos.
Os teus prazeres são desejos sórdidos
Que voam as desumanas madrugadas.
O filho vive o ventre do abandono
Enquanto, no dia, dorme inteiro sono
Aquela atriz a quem cabe o papel.
De dar à vida um preço miserável
Num beijo de sabor tão deplorável
Vendendo o teu corpinho de aluguel.
.
Tela:Jared Joslin Ver menos

FLORES
André Fernandes
Fui rosa! Fui todas elas
Nem sempre foram flores
Mas delas foram amores
Dos seresteiros de janelas
Fui prosa! Fui o encanto
Dos poetas plantonistas
Fui a pena! O acalanto
Desses prantos de artistas
Fui soma! Fui a roseira
O jardim da minha luz
Fui hoje toda faceira...
Que ilumina e te conduz
Fui cheiro! Fui seu espinho
Jardineiro sempre eu serei
Pra cuidar com meu carinho
Dos amores que eu plantei...
.
Tela: Emile Vernon Ver menos

Estava só e não fazia outra coisa além de encontrar-se consigo mesmo.
Então, aproveitou sua solidão e pensou em coisas muito boas por várias horas.

ANJO MÃE, ANJO MULHER, ANJO DIVINO
Nelson Rodrigues Barros
Do ventre, pois, saí pro mundo...
A vida em lágrimas se fez notar.
Tu és divina entre os humanos...
Mãe puro ouro, tão valioso o seu ninar.
Que presente maior há do que a vida?
Que amor maior há neste lugar?
Uma entrega sublime de luz tão infinita...
Minha mãe anjo menina... meu respirar.
Nem o mais precioso dos diamantes,
Nem castelos, nem jardins verdejantes...
Seriam sombras a altura de seu valor.
Que Deus em sapiência assim o faça...
Retribua-lhes com toda paz e graça
O que nenhum SER conseguiria por seu AMOR.
.

Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
[Martha Medeiros] Ver menos

MARIA CASOU...
Alda Pereira Pinto
Maria casou com Antônio
mas, Maria ama João;
este é o marido da Lúcia
que namora o Valadão.
A mulher do Valadão
conhecida por Raquel,
vive sempre nas paqueras
do compadre Manoel.
Do Manoel, companheira
é a dona Francisquinha,
senhora honesta e ordeira
que por obra do demônio,
sem que o queira, coitadinha,
vê no rosto da filhinha
os traços do "seu" Antônio. Ver menos

QUALQUER SOLIDÃO
Afonso Estebanez
Qualquer solidão é um limite
da ausência de nós mesmos.
É quando a gente olha para o jardim
e percebe que não é mais primavera.
É quando a gente se mira no espelho
e já não sabe mais quem era.
Isto é qualquer solidão.
Mas a solidão de fato é aquela
que se sente e não se sabe
o que fazer com ela.
É quando se perdeu o senso
a alma e a primavera
e nada mais resta a fazer...
Só o amor pode gritar:
“– Eu preciso de você!”
.
Tela: Pino Daeni Ver menos

“O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.”
[Charles Bukowsk] Ver menos

VESTIDA DE SOL
Vera Lucia Pimentel
(Vera Feliz )
Não voltou o amor que eu muito quis
tive esperança que voltaria um dia
fui desfiando saudade em poesia
não era pra ser, o coração me diz
Cansei de chorar ,então me refiz
colei meus pedaços,chamei a alegria
dancei no compasso de nova melodia
vestida de sol,brilhei pra ser feliz ...
Descobri que a vida renova o sabor
não perdi a fé,inda creio no amor
e sei que serei amada de verdade
Não importa quando,o coração espera
O amor vai chegar,trazendo primavera
pra perfumar-me pela eternidade...!
.
Tela: Pino Daeni Ver menos

O MAR E OS SINOS
Pablo Neruda
Vim aqui para contar os sinos
Que vivem no mar,
Que soam no mar,
Dentro do mar.
Por isso vivo aqui. Ver menos

MAGIA
Dorothy de Castro
Pra ser poeta preciso
Um pouco de sol poente
Uma estrela decadente
Uma lua bailarina
Uma nesga de céu claro
Um sorriso de menina
Um tubinho de batom
Um chocolate do bom
Um limãozinho galego
Um beijinho do meu nego
Uma saudade nervosa
E o espinho duma rosa
Um papelzinho de pão
Uma pinga de alambique
E duas canetas Bic
Um quase nada de roupa
Uma febre muito louca
Palavras doces na boca!
.
Tela: Pino Daeni Ver menos

DESABRIGADOS
Gilberto Maha
Sofro
e a tristeza
que invade meu peito
é uma constante
tornando meu mundo vazio
Mas tenho o pressentimento
de que sofres comigo
Choro
e o pranto que brota em meus olhos
é uma fonte inesgotável
que abastece um rio
Rio de lágrimas
em que me banho contigo
Errei, errastes, erramos
e agora
somos desfolhados ramos
de uma árvore
que já não nos serve mais
como abrigo
.
Tela: Pino Daeni Ver menos

Tô me afastando de tudo que
me atrasa, me engana, me segura
e me retém.
Fui ser feliz, e não volto!
[Caio Fernando Abreu] Ver menos

GRANDE ILUSÃO?
Anoushe Duarte
Quanto mais almejo certezas
mais me assaltam as dúvidas
sorrateiras, sem hora
nocauteiam as certezas de outrora
Ora..ora...
O que são as certezas então?
Uma grande ilusão?
São as dúvidas que virão?
As dúvidas de agora
são as certezas de outrora
E a gente segue assim
tendo a certeza
de que a dúvida não tem fim
Sábios por buscá-las
Loucos ao achá-las
É... Dúvida não tem fim
.
Tela: Lucio Amitrano Ver menos

Meu caminho é o mesmo,
apenas encontrei um novo olhar.
[Danniel Valente] Ver menos

À MINHA MUSA
Teixeira de Pascoaes
(Nome literário do escritor Joaquim
Pereira Teixeira de Vasconcelos)
Senhora da manhã vitoriosa
E também do crepúsculo vencido.
Ó senhora da noite misteriosa,
Por quem ando, nas trevas, confundido.
Perfil de luz! Imagem religiosa!
Ó dor e amor! Ó sol e luar dorido!
Corpo, que é alma escrava e dolorosa,
Alma, que é corpo livre e redimido.
Mulher perfeita em sonho e realidade.
Aparicão divina da saudade...
Ó Eva, toda em flor e deslumbrada!
Casamento da lágrima e do riso;
O céu e a terra, o inferno e o paraíso,
Beijo rezado e oração beijada. Ver menos

CHORO
Ivete Lima Souza
É choro, é água salina
cachoeira que corre
dos meu olhos
sal que cai na boca
é dor
aperto no coração
é nó na garganta
eu choro
e deixo essa água
correr livre molhando
a pele da face
ardência lacrimal
choro calada
engasgada,
soluçando em silêncio
as costas das mãos
fazendo borrão. Ver menos

MUDANDO COMO O VENTO
Nelson R. Barros
E lá vou eu de cara pro vento...
Lembrando dos sorrisos e lamentos,
Dos amigos bons e traiçoeiros
Que essa vida tão minha me ofereceu.
E lá vou eu porque não posso parar...
Pois o futuro amanhã pode chegar
E eu não estou a fim de me acostumar
Com a vida sem vida de quem aos poucos morreu.
E lá vou eu em busca do que me faz feliz...
Se preciso for mudarei até de país...
Prefiro ao invés de tatuar, escrever de giz.
Pois se eu tiver que mudar... “Pronto, já fiz!” Ver menos


VIA LÁCTEA DE FÃ II
André Fernandes
Eu voo, sou jogado nas nuvens
Apenas pra sentir meu destino
Se anjo não serei dessas paragens
O que então poderei ser? Desatino!
Imagina um pobre anjinho caído
Ah! Deixa então ser poesia sentida
Lá eu voo lá eu não sou desvalido
E lá faço viagem sem estar perdida
Vem! Deixa criar aqui meu desejo
Sentir que sou orado e tudo por ora...
Serei o velar do sono, o seu cortejo
Namorarei seus sonhos sem demora
Tudo isso sentindo o esvoaço, adejo
Que minhas palavras seriam agora! Ver menos


SETEMBRO NO CENTRO-OESTE
Jenario de Fatima
08/09/2011
Setembro sempre é cheio de encantos.
Traz as primeiras chuvas, a primavera,
e pelo cerrado ressequido há tantos
tons cinzelados onde em verde era.
Porém o céu nos cobre com seu manto
amarelado em tardes de quimera,
e a gente às vezes se derrete em prantos
pela beleza que a visão nos gera.
Tá tudo ainda muito seco e triste,
Somente a cor d’algum ipê insiste
em mostrar fiapos de luz colorida...
Só mais uns dias e a chuva virá,
junto com ela, a flor do Manacá,
e um melhor gosto então terá a vida! Ver menos

TOQUES
Telma Moreira
Tuas mãos
Tocam o som
E divinas são...
Tuas notas
Soam perfeitas
Quando tocas
Teus dedos
Tocam o dom
Dos segredos
Mãos! Ah...
As tuas, feitas
Pra me tocar!
.
Tela: Guido Viaro Ver menos

TRÊMULA DE AMOR
Elciomoraes
Seus lábio nos meus lábios,
Trêmulos de desejo,
Pedem com ansiedade,
Que eu lhe dê um beijo.
Seus braços em meus braços,
Me apertam como louca,
Querendo que eu te enlace,
Todinha em meus abraços.
Teu corpo sobre mim,
Queimando como febre,
Sem que fale, tu me pede.
Que eu te dê amor sem fim,
Sem ter nada o que se mede,
E bem mais este amor se excede.
.

NOSSO LIVRO
Florbela Espanca
Livro do meu amor, do teu amor
Livro do nosso amor, do nosso peito...
Abre-lhe as folhas devagar, com jeito
Como se fossem pétalas de flor
Olha que eu outro já não sei compor
Mais santamente triste, mais perfeito
Não esfolhes os lirios com que e feito
Que outros não tenho em meu jardim de dor!
Livro de mais ninguém! só meu! só teu!
Num sorriso tu dizes e eu digo:
Versos só nossos mais que lindos sois!
Ah, meu amor! mas quanta, quanta gente
Dirá,fechando o livro docemente:
"Versos só nossos, só de nós dois!"
.
Tela: Eliseu Visconti Ver menos

MORRENDO DE PRAZER
André Fernandes
Aqui! Jaz um poeta sem nome
Sem sobrenome
Sem livros
Sem casa
Sem prestigio e renome
Aqui! Jaz um poeta... Prazer!
De encantos
De cantos
Nos cantos
Um prazer de se ler
Aqui! Jaz uma pessoa carente
Morrendo
Contente
Sabendo...
Que sou verso da gente.
.
Tela: Gabriel Metsu Ver menos

Quero compor para ti
Uma melodia de outono
Que me fale de tuas folhas
Dos teus perfumes
E dos seus tantos
Que me foi tirado
Pelos ventos contrários
E ainda que não termine
O todo de ti
Cala dentro de mim

NOS MEUS BRAÇOS
Guida Linhares
Santos/SP/Brasil
09/09/08
Vem, chega com o teu jeito,
teu chamego, teu carinho.
Encosta a cabeça no meu peito,
nunca mais serás sozinho.
Sente o calor dos meus braços,
na emoção de estar contigo.
Façamos assim doces laços,
que amar não oferece perigo.
Quando se desnuda a alma,
no desejo do corpo sedento,
somente o amor acalma.
Como uma brisa que passa,
deixando perfumes ao relento,
amemos em estado de divina graça. Ver menos

RAPAZ
Antonio Cícero
In Guardar, 1996
Hesitante entre o mar ou a mulher
a natureza o fez rapaz bonito,
rapaz:
pronto para amar e zarpar.
Também ao poeta apraz
o ser rápido e rapace.
.
Tela: Fabian Perez Ver menos

O MORTO
Mario Quintana
Eu estava dormindo e me acordaram
E me encontrei, assim, num mundo estranho
e louco...
E quando eu começava a compreendê-lo
Um pouco,
Já eram horas de dormir de novo!
.


ACORDEI
Vania Staggemeier
Todos os direitos reservados
Deitada na relva...
Acordei menina...
Despertei do sonho...
Acordei meus sentidos...
Dei tudo de mim...
E o mundo de mim...
Esquecia-se...
Acordei as palavras...
Na dobra da folha...
Na margem que as sufocava...
E na dádiva da vida...
Serena de mim eu digo...
Que no vazio da alma...
Só o amor preenche...
A dor da solidão...
.


"Todas as manhãs ela deixa os sonhos na cama, acorda e põe sua roupa de viver. Todas as manhãs ela caminha vagarosamente para pegar o ônibus que a levará para lugar nenhum, para ver ninguém E todas as manhãs ela imagina como serão as tardes, ja sabendo a resposta, finge ser feliz assim todas as manhãs E todas as manhãs ela espera pela noite, ela espera assim arduamente para voltar para seu quarto, e ser triste. É quando ela sente que esta assim completa. Completamente triste, mas completa. E quando ela tira a roupa e põe todo o seu corpo em baixo das cobertas quentes e sente que começa a sonhar, é quando ela sorri . Assim pra ninguém. Mas pra ela mesma. E viver vale a pena."
[Clarice Lispector]
.
Tela: Pino Daeni Ver menos


VAIDADE
Jenario de Fatima
Todos os Direitos reservados
Quanta gente, que se acha tão bonita.
Como apenas, só a beleza contasse,
E nunca expõe aquele monstro que habita
E se esconde, sob sua bela face.
Quanta gente, em quase nada acredita
Passa a vida, como só a incomodasse
A ausência de um espelho que reflita
O seu rosto, em qualquer lugar que passe.
Quanta gente, ao cuidar só da beleza.
Se esquece que no âmago se revela
Uma parte, onde a humana natureza
Leva a Deus, que vê tudo do seu jeito.
Pois da carne, inda que seja a mais bela.
Só os vermes tirar- lhe- ão algum proveito.
.
TELA: Claudio Mesquita Ver menos

Minha fonte é a Lua
Minha ponte é a Rua
Minha alma está Nua
Querendo vestir a Tua.
[Maria Eduarda Novaes]
.
Desenho:Almada Negreiros Ver menos

PICA FLOR
Gregório de Matos Guerra
Se Pica Flor me chamais,
Pica Flor aceito ser,
Mas resta agora saber,
Se no nome que me dais,
Meteia a flor que guardais
No passarinho melhor!
Se me dais este favor,
Sendo só de mim o Pica,
E o mais vosso, claro fica,
Que fico então Pica Flor.
PS*A uma freira que satirizando a delgada
fisionomia do poeta lhe chamou "Pica Flor". Ver menos

RECADO
Danniel Valente
O poema por certo
levará um recado ao meu pai
Ele, já ausente das turbulências,
das dúvidas do mundo
E dirá que agora é a minha vez
de ser pai, ter medo...
É a minha vez de não ser compreendido,
ser posto de lado,
ficar cochilando na cadeira
O poema dirá ao meu pai
que ainda passo horas
tentando escutá-lo
.
Tela:Pino Daeni Ver menos

HOMEM
Antonio Gedeão
In Movimento Perpétuo, 1956
Inútil definir este animal aflito.
Nem palavras,
nem cinzéis,
nem acordes,
nem pincéis
são gargantas deste grito.
Universo em expansão.
Pincelada de zarcão
desde mais infinito a menos infinito.
.
Tela:Jean Antoine Watteau Ver menos

SONDA-ME (salmo 139)
Aline Barros
Composção: Aline Barros E Robson Nascimento
Senhor, tu me sondas e me conheces
Sabes quando assento e levanto
Esquadrinhas meu andar e o meu deitar
Conheces todos os meus caminhos
Ainda a palavra não me chegou à boca, não
E tu já conheces, Senhor
Tu me cercas por trás e por diante
E sobre mim põe tua mão
Sonda-me, ó Deus, conhece o meu coração
Prova-me os pensamentos
Vê se há em mim algum caminho mal
E guia-me pelo caminho eterno Ver menos

FELIZ IMAGINAÇÃO
Anoushe Duarte
Quando imagino felicidade
foge de mim a dor
corre veloz, voa distante
pois em mim não encontra ardor
Quando imagino felicidade
o corpo deixa de ser teso
a alma brilha liberta
a mente livra-se do peso
Quando imagino felicidade
vejo-a com rosto de criança
com sorriso impregnado
marcado em minha lembrança
Quando imagino felicidade
tristeza fica deprimida
toma logo distância
busca logo a partida.
.
Tela: Isabel Guerra Ver menos


ONDE NASCE A POESIA
Neto Madeiro
Para transcrever em verso
o que se sente ou sentia,
precisa ficar submerso
onde nasce a poesia.
Ser íntimo da emoção
sem deixá-la a revelia,
atento escutar o coração
onde nasce a poesia. Ver menos

QUANDO EU AMO
André Fernandes
Quando eu amo é uma porta se abrindo
De um caminho assim dengoso
Sem tranca

Há dor que mata a pessoa sem dó nem piedade. Porém não há dor que doa como a dor de uma saudade.
(Patativa do Assaré) Ver menos

QUE ASSIM SEJA
Dibruck
sem nomes
sem retoques
sem hoje
nem amanhã
apenas o estar
apenas o ser
apenas o desejar
e talvez,
nunca se ter
sem castelos
sem bosques
sem reinos
ou mistérios
apenas o ar fresco
apenas a brisa amena
apenas o amor verdadeiro
que da alma acena
que assim seja
pois assim será
sem pompa nem majestade
apenas viver com liberdade
.
Tela: Isabel Guerra Ver menos


E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
[Hilda Hilst]
In Do Desejo, 1992
.
Tela:Áurea Seganfredo Ver menos

A CHAMINÉ
Alzira Carpigiani
Da chaminé saiu
um soluço de fumaça.
— Que graça!
Parecia uma flor!
A fumaça toda se
retorcendo
foi pouco a pouco
sumindo
até morrer sem calor.
.
Tela:Henry Mosler Ver menos

DEBANDADA
Líria Porto
trouxemos duas
chegaram então mais duas
e o bando de seis
durou quase de vinte anos
uma voou do ninho
o macho se foi
outra voou
e mais outra
quando alcei voo
soçobrou uma andorinha
que logo se recobrou
e também voou
(voltei
para apagar

NOIVADO ESTRANHO
Florbela Espanca
O luar branco, um riso de Jesus,
Inunda a minha rua toda inteira,
E a Noite é uma flor de laranjeira
A sacudir as pétalas de luz…
A luar é uma lenda de balada
Das que avozinhas contam à lareira,
E a Noite é uma flor de laranjeira
Que jaz na minha rua desfolhada…
O Luar vem cansado, vem de longe,
Vem casar-se co´a Terra, a feiticeira
Que enlouqueceu d´amor o pobre monge…
O luar empalidece de cansado…
E a noite é uma flor de laranjeira
A perfumar o místico noivado!… Ver menos

NOITE SEM TI...
Vera Lucia Pimentel
As horas passam vagarosamente
O celular mudo,não quer tocar.
Ando pela casa,inquietamente,
Espera ansiosa de te ouvir falar.
A noite silenciosa, não tem lua,
Nem as estrelas pra acompanhar,
O arquejar de minha'alma nua,
Somente a solidão a me cercar.
O fim de inverno me arrepia,
E essa cama fria...tão vazia
Sem teu corpo pra me esquentar.
Dependente de ti em minha agonia,
Fico assim,esperando o novo dia,
Pra esquecer a noite sem te amar.
.
Tela: Fabian Perez Ver menos


RAIVA
Theo Drummond
Olho a cama sem ti e permaneço
acordado ao sentir que está vazia.
É um castigo que sei que não mereço.
É uma dor que dói muito e eu não queria.
A tua ausência eu bem que preferia
ter partido na frente, e o que padeço
porque foste primeiro, é uma agonia,
uma tortura que jamais esqueço.
Não sei quantas serão as mal dormidas
noites que vou passar sem sentir sono,
relembrando o que foram nossas vidas.
Passo a mão no teu lado de deitar.
A sensação que tenho é de abandono,
raiva de não ter ido em teu lugar.
.
Tela: Vincent Van Gogh Ver menos

AMOR
Ana Luiza (coisas de Ana)
É que, enfim,
toda essa trama
aquece as almas
tece o drama
dá trégua à morte
respira, incorpora e flama
esculpi , mistura as formas
e deita, para acordar. Ver menos


DESPEDIDAS
Álvares de Azevedo
In Lira dos Vinte Anos, 1853
Se entrares, ó meu anjo, alguma vez
Na solidão onde eu sonhava em ti,
Ah! vota uma saudade aos belos dias
Que a teus joelhos pálido vivi!
Adeus, minh’alma, adeus! eu vou chorando...
Sinto o peito doer na despedida...
Sem ti o mundo é um deserto escuro
E tu és minha vida...
Só por teus olhos eu viver podia
E por teu coração amar e crer...
Em teus braços minh’alma unir à tua
E em teu seio morrer!
Mas se o fado me afasta da ventura,
Levo no coração a tua imagem...
De noite mandarei-te os meus suspiros
No murmúrio da aragem!
Quando a noite vier saudosa e pura,
Contempla a estrela do pastor nos céus,
Quando a ela eu volver o olhar em pranto...
Verei os olhos teus!
Mas antes de partir, antes que a vida,
Se afogue numa lágrima de dor,
Consente que em teus lábios num só beijo
Eu suspire de amor!
Sonhei muito! sonhei noites ardentes
Tua boca beijar... eu o primeiro!
A ventura negou-me... mesmo até
O beijo derradeiro!
Só contigo eu podia ser ditoso,
Em teus olhos sentir os lábios meus!
Eu morro de ciúme e de saudade...
Adeus, meu anjo, adeus! Ver menos


A CONTA DO SONHO
Elisa Lucinda
In A Fúria da Beleza, 2006
Quanto custa um sonho?
Alguma coisa ele sempre custa.
Muitas vezes muitas coisas ele custa,
outras vezes outros sonhos ele custa.
Não importam os percalços, os sacrifícios,
os espinhosos enredos.
Não importa.Uma vez vivido,
o sonho está sempre num ótimo preço!


Todos estamos de visita neste momento e lugar.
Só estamos de passagem.
Viemos observar, aprender, crescer, amar e voltar
para casa.
(Ditado popular Australiano) Ver menos

ETERNA ILUDIDA
Carmen Cinira
A Waldemar Aguiar
Na minha adolescência fugidia,
Sem pensar em ciladas nem surpresas,
Sonhei: a vida inteira consistia
Numa fonte de bens e de belezas...
Minh′alma neste sonho as outras via
Simples, sinceras e à bondade presas...
Julgava o amor só feito de alegria
Meu coração vazio de tristezas...
Hoje, quantos desgostos eu conheço!
Mas, sem saber por que, não esmoreço;
Como que, sem querer, até suponho,
Numa esperança louca e ilimitada,
Ver ainda em verdade transformada
A divina mentira do meu sonho!
In Grinalda de Violetas, 1929
Obs.: mantida a grafia original Ver menos


ROSA NEGRA
Cruz e Sousa
1861 - 1898
Nervosa Flor, carnívora, suprema,
Flor dos sonhos da Morte, Flor sombria,
Nos labirintos da tu’alma fria
Deixa que eu sofra, me debata e gema.
Do Dante o atroz, o tenebroso lema
Do Inferno a porta em trágica ironia,
Eu vejo, com terrível agonia,
Sobre o teu coração, torvo problema.
Flor do delírio, flor do sangue estuoso
Que explode, porejando, caudaloso,
Das volúpias da carne nos gemidos.
Rosa negra da treva, Flor do nada,
Dá-me essa boca acídula, rasgada,
Que vale mais que os corações proibidos! Ver menos

EM BUSCA DE TI
Cybelle Aimée
Desnuda-me parte da alma e
eu mostro o todo do meu corpo ,
mas não prenda-me
nas teias da ilusão ,
deixe-me solta ,
bem solta
sentindo todas as emoções
nas ramas enleadas
de tesão por ti!
.
Tela: Vicente Romero Redondo Ver menos

SE TU VIESSES VER-ME...
Florbela Espanca
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca...o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte...os teus abraços...
Os teus beijos...a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
.
Tela: Kinuko Craft Ver menos

ALMA EM SILÊNCIO
Eliane Thomas
cala-se o poema
que revela-se inquieto
subindo ao teto
tão grande é a agonia
não poder ser manifesto
calada a pena... Ver menos

MEIO-TOM
Ydeo Oga
esta canção
surpreende o meu tino
minha emoção
ao som do violino
perde o compasso
das palavras que dançam
e os meus passos
as notas não alcançam
é meia noite
à meia luz
estou no meio fio
e a noite não me acorda
.
Tela: Gentileschi Ver menos

ADEUS
Eliane Thomas
Bebo a sua constante presença
Mesmo na sua ausência
Bebo por do sol e luares infinitos
Mesmo na sua ausência
Bebo a vida sofregamente
Embriagando-me de mel e fel
A vida sorrateira clama por mim
Mesmo na sua ausência
Adeus ...Até um dia, talvez ... Ver menos

ÁLBUM JAPONÊS
Eliane Pantoja Vaidya
A gueixa dentro de mim
aprova o homem que tu és
Já meu samurai
retesou-se ao máximo
quando a mulher dentro de ti
soltou os cabelos
nuvens douradas sobre os ombros
e ofereceu-me sensualmente
a cabeça para que os prendesse
As minhas mãos
prontas para o vôo
ficaram ao longe de meu corpo
nenhum músculo se mexeu.
Só meu coração
era cavalo bravo
galopando
alucinado

Se eu sinto falta do seu amor? Como posso sentir falta se ele nunca existiu, nem sei que cara ele teria, nem sei que cheiro ele teria. Não existiu morte para o que nunca nasceu.
[Tati Bernardi] Ver menos

NEM TODO O CORPO É CARNE
David Mourão Ferreira
Nem todo o corpo é carne… Não, nem todo.
Que dizer do pescoço, às vezes mármore,
às vezes linho, lago, tronco de árvore,
nuvem, ou ave, ao tacto sempre pouco…?
E o ventre, inconscientemente como o lodo?…
E o morno gradeamento dos teus braços?
Não, meu amor… Nem todo o corpo é carne:
é também água, terra, vento, fogo…
É sobretudo sombra à despedida;
onda de pedra em cada reencontro;
no parque da memória o fugidio
Vulto da Primavera em pleno Outono…
Nem só de carne é feito este presídio,
pois no teu corpo existe o mundo todo! Ver menos

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CANTIGA DE QUEM ESTÁ SÓ
Evaldo Gouveia e Jair Amorim
Ai, quem terá nesta noite os teus carinhos?
Quem ganhará nesta hora os teus abraços?
Meu pensamento rasteja o teu caminho
Minha saudade sem fim segue os teus passos
Ai, quem terá entre as mãos os teus cabelos?
Quem ouvirá dos teus lábios a frase louca?
No meu desejo de amor estou a vê-los
Chego a senti-los até em minha boca
A quem dirás "meu amor"
Com este jeito tão teu
Com este estranho calor
Que há tanto tempo foi meu?
Ai, quem será que tu vais mandar embora?
Quem chorará como eu, que choro agora?


A BORRALHEIRA
Guimarães Junior
Meigos pés, pequeninos, delicados,
Como um duplo lilás, se os beija-flores
Vos descobrissem entre as outras flores,
Que seria de vós, pés adorados!
Como dois gêmeos silfos animados,
Vi-vos ontem pairar entre os fulgores
Do baile, ariscos, brancos, tentadores,
Mas, ai de mim! como os mais pés, calçados.
Calçados como os mais! Que desacato!
Disse eu... Vou já talhar-lhes um sapato
Leve, ideal, fantástico, secreto...
Ei-lo. Resta saber, Anjo faceiro,
Se acertou na medida o sapateiro:
Mimosos pés, calçai este soneto.
.
Tela: Arthur Rackham
.https://www.facebook.com/photo/?fbid=724995884229090&set=a.441251795936835


TODOS OS DIAS
EACoelho
Morro todos os dias, pelo menos uma vez,
Sempre que as lembranças recriam imagens,
Sempre que o olfato me ilude e sinto teu cheiro,
Sempre que fantasio imaginando tocar tua pele.
Já não sei sofro ou me inebrio em regozijo,
Com o tudo que a saudade me devolve,
Que me traz sempre que o arrebol se faz;
Sei somente que as lembranças me revigoram.
Morro sim, até mais de uma vez ao dia,
Morrendo assim, de amor acumulado,
Ressuscito mais apaixonado nas madrugadas,
Esperando mais um dia se fazer de lembranças.
E assim vou morrendo e vivendo,
Envolto em saudosas emoções cotidianas,
Enquanto toda esperança alinhava sonhos,
Que aninham esse doce desvario que é viver.
.
Tela: Chelín Sanjuan Ver menos

Tô secando as minhas fontes
Acordando meu sol mais cedo
Pra acabar com cada sombra
E com todo e qualquer medo!
[Maria Eduarda Novaes] Ver menos

Tenho que me apressar, o tempo urge.
Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida.
Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém
estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca...
[Clarice Lispector] Ver menos

... Quero dormir e sonhar
um sonho que em cor me afogue:
verdes e azuis de Renoir
amarelos de Van Gogh. ...
[António Gedeão]
.
.
.
.
Tela:Fabian Perez Ver menos

FORTES LAÇOS
Claudia Dimer
Tristeza, não me deixes! Que eu consiga
juntar os passos teus rente aos meus passos...
Lembrar contigo uma alegria antiga,
paixões frementes, tórridos abraços...
Eu sou a irmã das dores, dos cansaços,
órfão que o mundo vê mas, não abriga...
De tanto andarmos juntas, fortes laços
criamos... Ó tristeza, grande amiga!
Existe um coração igual montanha
erguendo o Sol ao dorso em luz tamanha
mas, a montanha é pedra bem no fundo...
Rosa estranha de eternos roseirais -
tristeza! És tão sincera, vales mais
que todo o riso falso deste mundo!
.
Tela:Denis Chernov Ver menos

Algumas pessoas não se esquecem de julgar as ações do próximo.
Ao invés de ocuparem seu tempo seguindo passos que não lhe pertencem, deveriam lavar a alma com humildade e reconhecer que a prepotência afasta de suas vidas o sentimento mais lindo e verdadeiro que existe no mundo: O Amor!

PASSEMOS,TU E EU, DEVAGARINHO
Reinaldo Ferreira
Passemos, tu e eu, devagarinho,
Sem ruído, sem quase movimento,
Tão mansos que a poeira do caminho
A pisemos sem dor e sem tormento.
Que os nossos corações, num torvelinho
De folhas arrastadas pelo vento,
Saibam beber o precioso vinho,
A rara embriaguez deste momento.
E se a tarde vier, deixá-la vir
E se a noite quiser, pode cobrir
Triunfalmente o céu de nuvens calmas
De costas para o Sol, então veremos
Fundir-se as duas sombras que tivemos
Numa só sombra, como as nossas almas. Ver menos

MINHA SORTE
Neto Madeiro
Se no leito de morte
me encontrares,
não te entristeces
pode ser a minha sorte.
O fim é apenas aparente
e a vida é um livro
que conta histórias
a preencher nossa mente. Ver menos

CHOVEU SAUDADE
Asta Vonzodas
Hoje, resoluta, sentei no meio do quarto
abri minhas gavetas e tirei nossos retratos,
fui picando em pedaços, depois de tirar os laços
de todas as suas cartas e também dos recados.
Um a um os fragmentos fui jogando
na pequena fogueira que fiz.
Joguei os beijos e os abraços
joguei até um par de sapatos
joguei os lenços
(alguns de lágrimas encharcados)
E por um triz, quase que jogo a mim.
Então estinguiu-se a chama
sem que eu pudesse prever.
É que choveu dos meus olhos a saudade,
quando eu quis queimar você.
.
Tela: Anna Marinova Ver menos

PEDIDOS DO CORPO
Antoniella Devanier
O corpo pede um drink:
pode ser martini
Na manhã que chega,
estranha e solitária,
sou mulher também. Mas, ontem à noite,
o corpo pediu um toque
da língua, nos gelos
que estavam perdidos

Quantas vezes tentaram adivinhar
o que sentimos, e erraram.
Julgaram nossas ações, e erraram.
Tiveram certeza sobre nossos
propósitos, erraram.
O que somos de verdade e o que
queremos de fato, só nós sabemos.
Só nós.
[Martha Medeiros] Ver menos

CHANSON
Louis Charles Alfred de Musset
(1810 - 1857)
(Trad. de Castro Alves)
Disse a meu peito, a meu pobre peito:
- Não te contentas co'uma só amante?
Pois tu não vês que este mudar constante
gasta em desejos o prazer do amor?
Ele respondeu: - Não! não me contento;
não me contento com uma só amante.
Pois tu não vês que este mudar constante
empresta aos gozos um melhor sabor?
Disse a meu peito, a meu pobre peito:
- Não te contentas desta dor errante?
Pois tu não vês que este mudar constante
A cada passo só nos traz a dor?
Ele respondeu: - Não! Não me contento,
não me contento desta dor errante...
Pois tu não vês que este mudar constante
empresta às mágoas um melhor sabor?
.
Tela: Antonio Rocco Ver menos

Por um olhar, um mundo;
por um sorriso, um céu;
por um beijo...não sei
que te daria eu.
[Gustavo Adolfo Bécquer] Ver menos

POETA É DIFERENTE
Manoel Virgílio
Poeta é quem escreve diferente,
Diverso do que escreve toda a gente.
Transforma o trivial em forma bela,
Em cor, sua palavra é aquarela.
Do norte até o sul, leste a oeste,
O azul que cobre o céu, diz ser celeste.
Destaca lá das nuvens a cor branca,
Das matas, todo o verde que o encanta.
Poeta, chora o amor, o amor perdido,
Porém canta o amor, o amor sentido.
Poeta canta o belo, a natureza,
Porém chora, de humanos, malvadezas.
Poeta versa à luz da madrugada,
Conversa com a Lua, sua amada! Ver menos

SOMBRA E NÉVOA
Da Costa e Silva
in Poesias Completas
Cai o crepúsculo. Chove.
Sobre a névoa ... A sombra desce ...
Como a tarde me entristece!
Como a chuva me comove!
Cai a tarde muda a calma ...
Cai a chuva fina e fria ...
Anda no ar a nostalgia,
Que é névoa e sombra em minh’alma.
Há não sei que afinidade
Entre mim e a natureza:
Cai a tarde ... Que tristeza!
Cai a chuva ... Que saudade! Ver menos


EU E O POETA
Maria Eduarda Novaes
Divido meus dias com um poeta
Eu o ajudo a escrever o que quer falar
Enquanto ele apaga tudo o que quero esquecer.
Divido meus caminhos com um poeta
Eu he apresento um passado que não é seu
Enquanto ele desenha o futuro que quero ver.
Divido meus sonhos com um poeta
Eu lhe roubo pesadelos e o tormento
Enquanto em agradecimentos, ele me
Ensina a não desistir de dormir.
Divido minha alma com um poeta
E já não sei mais se o amor que dele partiu
É exatamente o mesmo que se partiu em mim...
.
Tela: Chelin Sanjuan Ver menos
ENCONTRO MARCADO
Afonso Estebanez Stael
Teu futuro é o meu agora
do teu tempo despertado
o chegar antes da aurora
de teu encontro marcado
o que chega vai embora
em pedaços de passado
o presente não tem hora
só meu agora esperado
meu amor estava longe
e nem Deus sabia onde
teu amor o encontraria
foi preciso então morrer
e esperar meu renascer
para ver se eu te veria... Ver menos
BEIJA-FLOR
Rita Costa
Sem esforço algum,
beijei o dia
e o sabor das palavras
subiram e desceram
pelo céu de minha boca.
Por isso esse versejar
que agora
ecoa em meu peito.
Difícil mesmo
foi estancar o passo,
desviar meus olhos
das asas ligeiras e azuis.
Sem pedir licença
invadi um íntimo momento
das hortênsias.
.
Tela: Marcos José Ver menos


PLAGIOTERAPIA
Amaro Vaz
(Uma viagem ao mundo poético de Manuel Bandeira)
Vou voltar pra Carangola
Lá cada amigo é um rei
Cada quintal da cidade
Exibe frutos maduros
Saberei transpor os muros
Que no passado escalei.
E quando estiver cansado
Deito nas margens do rio(?)
Mando chamar os peixinhos
Que possam contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Seus pais vinham me contar.
Vou voltar pra Carangola
Lá os jardins têm mais flores
O sorriso é transparente
Quero morrer de alegria
Quero encher de poesias
Os mais sensatos pudores.
E quando estiver cansado
Deito no banco da praça
Mando chamar o prefeito
Que sonhou fazer a história
Mesmo sendo ele um menino
Muita história há de contar.
Vou voltar pra Carangola
Lá cada amigo é um rei
Cada vizinho um parente
Meu tempo se fez maduro
Irei colher meu futuro
Nas coisas que lá plantei.
E quando estiver cansado
Deito na porta da venda
Mando chamar o vendeiro
Que saiba contar histórias
Que no tempo de eu menino
Não me deixaram escutar.
Vou voltar pra Carangola
Lá eu também sou um rei
Rua doze de outubro
Um lugar no velho banco
Que MALANDRO, no entanto
Malandros eu nunca achei.
E quando estiver cansado
Deito na porta da igreja
Mando chamar o vigário
Pra me contar a história
De Jesus Cristo, menino
É hora de acreditar...
(Fortaleza:12.12.1997) Ver menos


A MULHER E O REINO
Ariano Suassuna
Oh! Romã do pomar, relva esmeralda
Olhos de ouro e azul, minha alazã
Ária em forma de sol, fruto de prata
Meu chão, meu anel , cor do amanhã
Oh! Meu sangue, meu sono e dor, coragem
Meu candeeiro aceso da miragem
Meu mito e meu poder, minha mulher
Dizem que tudo passa e o tempo duro
tudo esfarela. O sangue há de morrer
Mas quando a luz me diz que esse ouro puro
se acaba pôr finar e corromper
Meu sangue ferve contra a vã razão
E há de pulsar o amor na escuridão Ver menos

AMOR DE VITRINE
Maria Eduarda Novaes
A teus moldes
minhas entranhas
estão sempre a fim,
se ardem
em chamas
A meus moldes,
tu me estranhas;
mas ainda assim
a teu éden

Não se curem além da conta.
Gente curada demais é gente chata.
Todo mundo tem um pouco de loucura.
Vou lhes fazer um pedido: vivam a imaginação,
pois ela é a nossa realidade mais profunda.
Felizmente, eu nunca convivi com pessoas
muito ajuizadas.
Nise da Silveira
(médica psiquiatra - 1905 - 1999) Ver menos

A UM PASSANTE
Charles Baudelaire
Tradução de Ivan Junqueira
A rua em torno era um frenético alarido.
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão suntuosa
Erguendo e sacudindo a barra do vestido.
Pernas de estátua, era-lhe a imagem nobre e fina.
Qual bizarro basbaque, afoito eu lhe bebia
No olhar, céu lívido onde aflora a ventania,
A doçura que envolve e o prazer que assassina.
Que luz… e a noite após! – Efêmera beldade
Cujos olhos me fazem nascer outra vez,
Não mais hei de te ver senão na eternidade?
Longe daqui! tarde demais! “nunca” talvez!
Pois de ti já me fui, de mim tu já fugiste,
Tu que eu teria amado, ó tu que bem o viste!
.
Link da pagina:

Te falei da minha janela aberta?
Está ali sempre no mesmo lugar,
às vezes me faz voar por ela,
outras se fecha e a lágrima cai.
[Soninha Porto] Ver menos

SEGREDO
AL Ceccanho
O teu corpo é a chuva que se isola
Naquela nuvem presa ao vento andejo
E sendo espírito no meu desejo
Transpassas paredes, meu corpo rola
Trajada de insônia, à noite extrapolas...
Se por mim passas, finjo que não vejo
Esse andar cheio de malícia e gracejo
Teu rastro é fogo que ninguém controla
E se o todo é tormento repartido
Ó Tempo! Não sejas tu, tarde ou cedo
E nem esperes que eu seja contido
Se pecar é amar, pecarei o medo
Furtarei da carne o beijo mordido
Neste soneto chamado segredo
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Tela: Anna Marinova
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à noite
fantasmas das coisas não ditas
sombras das coisas não ditas
sombras das coisas não feitas
vêm
pé ante pé
mexer em seus sonhos
[Paulo Leminski] Ver menos

Todo ser humano tem três vidas:
A Pública,
A privada
E a secreta.
[Gabriel Garciá Márquez] Ver menos

OBLÍVIO
Naelson Almeida
Prefiro pensar em árvores,
no rio que corre,
na história que inventarei...
A pensar em gente.
Canções magníficas,
frutos deliciosos
e a infindável paz de gado pastando.
A vida nada mais é senão isso:
um trago, um gole, uma pescaria
e um longínquo pensar
onde reles mortais jamais alcançam.
Precisamos reviver,
enlacemos as mãos,
desarmemo-nos.
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Tela: José Rosario
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ÍNTIMO
Roberto Camara
(outubro de 2013)
Dentro do ser há uma dor
que se anula quando o eu
não está entre as cinzas
mas espeta, fura como agulha afiada
os ossos e a alma
que dolorida desanima
quando as nuvens descem.
O prazer daquele jardim suspenso
se transforma em sede
entre a seca das plantas
que outrora pareciam frondosas
e aquele caminho tão feio
que desprezado sumiu das vistas
era a semente que apodrecida revive.
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PERENIDADE
Vany Campos
Há caminhos em nossas almas
Para que os sonhos possam passar
Na perenidade dos dias há sempre
Tempo para esperar - e esperar.
Consumimos muito do tempo
Em busca e à procura de fantasias
Ouvimos o farfalhar das folhas
Quando balançam ao vento.
A perenidade transforma instantes
Em hora dias anos eras
Será nosso desejo a cada momento
Que ela permaneça em movimento.
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Tela: Isabel Guerra
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SONETO DE AMOR NÃO MAIOR
Vera Lucia Pimentel
Disse que te amaria por toda vida
que cada vez bem mais eu te amaria
no desespero meu amor sempre seria
te amaria em tua volta e despedida
Quando jurei o meu amor eu não sabia
que palavras e fantasias voam ao vento
quando as vezes me vens ao pensamento
lembro-me que por toda vida eu te amaria
Eu jurei que seria eterno embora louco
todo o amor do mundo por ti seria pouco
maior amor ainda o seu amor por mim
Tolice de coração poeta e sonhador
pensou que duraria para sempre o amor
como naquela canção de Tom Jobim
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Tela:
Francisco Goya
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AMAR VOCÊ É COISA DE MINUTOS
Paulo Leminski
(1944-1989)
Amar você é coisa de minutos
A morte é menos que teu beijo
Tão bom ser teu que sou
Eu a teus pés derramado
Pouco resta do que fui
De ti depende ser bom ou ruim
Serei o que achares conveniente
Serei para ti mais que um cão
Uma sombra que te aquece
Um deus que não esquece
Um servo que não diz não
Morto teu pai serei teu irmão
Direi os versos que quiseres
Esquecerei todas as mulheres
Serei tanto e tudo e todos
Vais ter nojo de eu ser isso
E estarei a teu serviço
Enquanto durar meu corpo
Enquanto me correr nas veias
O rio vermelho que se inflama
Ao ver teu rosto feito tocha
Serei teu rei teu pão tua coisa tua rocha
Sim, eu estarei aqui.

FUMO
Florbela Espanca
Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!
Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!
Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...
Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...
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Tela: Lúcia Russo
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MÃE
Danniel Valente
Felicito pelo dia das mães
E compartilho lembranças
Por todas as mães que se foram.
Compartilho estrelas
Caminhos percorridos
Frases, conselhos.
Compartilho aquele abraço
O sorriso, o colo
Compartilho infância.
Compartilho momentos
A mesa, a verdade servida
O café da manhã, o olhar.
Compartilho o jardim,
A flor nunca esquecida.
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SUPREMO ENLEIO...
Florbela Espanca
Quanta mulher no teu passado, quanta!
Tanta sombra em redor! Mas que me importa?
Se delas veio o sonho que conforta,
A sua vinda foi três vezes santa!
Erva do chão que a mão de Deus levanta,
Folhas murchas de rojo à tua porta...
Quando eu for uma pobre coisa morta,
Quanta mulher ainda! Quanta! Quanta!
Mas eu sou a manhã: apago estrelas!
Hás de ver-me, beijar-me em todas elas,
Mesmo na boca da que for mais linda!
E quando a derradeira, enfim, vier,
Nesse corpo vibrante de mulher
Será o meu que hás de encontrar ainda...
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Tela: Yuri Yarosh
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Uma viagem sem destino é um suicídio sem morte, é uma fuga em que o perseguidor é o próprio fugitivo, é se perder para se encontrar, é alcançar o horizonte sem saber que é impossível, e é a única chance de alguém que quer morrer, viver de verdade.
[André Kondo]

CANÇÃO BALDIA
Afonso Estebanez Stael
Às vezes tenho saudade
da saudade que não tive
de morar com liberdade
onde livre nunca estive.
Às vezes tanta saudade
não é tanta por um triz:
pois que a tal felicidade
só me quis quase feliz.
Fui quase feliz em tudo
fui e sou sem vanidade
do que serei sobretudo
a despeito da saudade.
Partir foi quase preciso
sumindo na eternidade
não me fora teu sorriso
enganar essa saudade...
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Tela: José Rosario
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STOP THE TIME
Reggina Moon
Há dias que nem sei de nada,
Esqueço da vida lá fora,
Desligo o meu celular,
Fico ao longe, distante de mim
Largo as chaves em cima da mesa,
Os problemas jogados no chão,
Ao meu cansaço me entrego...
Sem querer ter e nada saber.
Um branco, uma pausa, um nó,
Vou desatando um dia do outro,
Num desafio paciente e lento...
Na teia do tempo me perco!
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Tela:Google
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ATRAÇÃO
Flora Figueiredo
In Limão Rosa, 2009
Uma proposta que arrepia-me os pelos
e me põe à mostra.
Uma proposta que escorre quente
como serpente fluida pelas minhas costas.
Uma proposta de mel e salitre
que por mais que eu evite
minha pele gosta.
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AMORES MORTOS
Alma Welt
De noite perambulo o casarão
Na calada dos murmúrios e segredos
Enquanto os amores mortos vão
Tentando refazer os meus enredos...
E bem depois das doze badaladas
Neste decrépito relógio do salão
Começam as intrigas renovadas,
As lágrimas, suspiros, rebelião...
Todos eles, na verdade, foram meus.
Reconheço esses hóspedes inquietos
Que tomam por descaso o meu adeus,
E gritam, cerram punhos e ameaçam:
“Tu nos fazia crer-nos prediletos!
Tua ternura e beleza nos desgraçam!”

VESTÍGIOS DA PAIXÃO
Telma Moreira
Hoje, abri minhas cicatrizes escondidas!
Aquelas, bem guardadas pela saudade...
Invoquei as nossas chamas anoitecidas,
Permiti-me ser tocada pela ingenuidade...
Hoje, fechei os olhos por um segundo,
Deixando-me possuir por sua paixão...
Saí de mim, invadindo o nosso mundo,
Deixei-me ficar perdida, em sua mão...
Hoje, entreguei-me só à sua lembrança,
Ao sabor do seu desejo e ao seu apelo,
Apenas ouvindo o som da nossa dança...
Talvez também você lembre, como eu,
Quiçá inda sinta nos seus, meu cabelo
E as carícias do corpo que tanto foi seu!
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FADA BORBOLETA
Wasil Sacharuk
Queria não ser diferente
de uma virgem vestal
que nos tempos quentes
voasse tal borboleta
quando o dia arrebenta
Decerto eu pousaria
no colo da tua mão
sonhando com poesia
como bela adormecida
tanto mais atrevida
Logo, terias em mim
o poder da tua mente
jugo da tua guarida
farias, então, coloridas
as asas resplandecentes.
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DÁ-ME TUA MÃO
Gabriela Mistral
(1889-1957)
Dá-me tua mão, e dançaremos;
dá-me tua mão e me amarás.
Como uma só flor nós seremos,
como uma flora, e nada mais.
O mesmo verso cantaremos,
no mesmo passo bailarás.
Como uma espiga ondularemos,
como uma espiga, e nada mais.
Chamas-te Rosa e eu Esperança;
Porém teu nome esquecerás,
Porque seremos uma dança
sobre a colina, e nada mais.
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QUANDO O AMOR SE CALA...
Nelson Rodrigues de Barros
Quando o amor se cala...
Nem sempre é porque tudo acabou...
Pode ser como uma chuva que vem e que passa
E arrasta de nós só tristeza e dor.
Quando o amor se cala...
Nem sempre é porque a luz se apagou...
Pode ser apenas uma ventania, ora de noite, ora de dia,
Que espera no tempo, o doce momento do seu amor.
Quando o amor se cala...
Talvez seja o coração atingindo o olhar,
Talvez seja o beijo que ainda falta,
Talvez seja o poema que se precisa findar.
Quando o amor se cala...
Talvez se desfaça um sonho adormecido
E no trajeto do tempo um desejo perdido...
Por um alguém que ainda precisa chegar.
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Imagem: Google
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Sinto a vontade
Mas não à vontade
Para seguir sentindo!
O que sinto é SAUDADE
De quem na verdade se foi
Quando disse que estava vindo...
[Maria Eduarda Novaes]

Curvas sinuosas
Traços marcantes
Retas tortuosas
Tesourinhas errantes
É verde por habitante
É azul sem fim
É laranja em céu mutante
desbravado enfim
É eixo, é asa
É norte, é sul
É sempre minha casa
Infinito azul
É... Brasília!!! 54!!!
[Anoushe Duarte]

TERNURA
Ana Luiza
(Coisas de Ana)
Que importa que os anos passem
nublem os céus dos desejos
trapaçem as horas, dias, espaços
Ainda guardo uma flor entre versos;
todos os versos que falam de amor,
Neruda está intacto, só eu mudei
Os traços, os móveis, os risos,
amantes, as agendas, os calendários,
perfumes, as vestes...
Mudei o percurso mas, conservei a rosa.
Que importa se me importo algumas vezes
com a solidão das crenças e a nudez dos sonhos
se tenho uma flor seca, regada de amor
que só você pode me ofertar!
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Tela:zhang-Hongnian
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A MARIA IFIGÊNIA
Alvarenga Peixoto
Soneto dedicado à sua filha em 1786
Amada filha, é já chegado o dia,
em que a luz da razão, qual tocha acesa
vem conduzir a simples natureza,
é hoje que o teu mundo principia.
A mão que te gerou teus passos guia,
despreza ofertas de uma vã beleza,
e sacrifica as honras e a riqueza
às santas leis do filho de Maria.
Estampa na tua alma a caridade,
que amar a Deus, amar aos semelhantes,
são eternos preceitos da verdade.
Tudo o mais são ideias delirantes;
procura ser feliz na eternidade,
que o mundo são brevíssimos instantes.
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Tela:Google
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PROSTITUTA...
Valquiria Cordeiro
Ela pinta a face,
para esconder o rosto,
não olha nos olhos,
para que ninguém,
perceba sua fragilidade...
Sorri quando quer chorar,
vende seu corpo e acorrenta,
a sua alma.
Teme a velhice, pois sabe que
os olhos do preconceito vão
fazer-lhe companhia sempre...
Marcada pela vida,
pela dor oculta...
Profissão, prostituta!
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Tela: Jesus Molina
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CORPOS D'ÁGUA
Maria Eduarda Novaes
Somos dois mares azuis
Imensas solidões
Que se encontram
Nos portões da alma...
Somos dois espelhos
Que se abrem e se fecham
Se revoltam e se acalmam
Que uma hora ou outra
Hão de deixar extravasar...
Com o tempo a maré seca
E ali não restará nem pó
Do que sem dó, um dia
Alguém ousou arrancar...

SONETO III
Pero de Andrade Caminha
1520-1589
Rosto que a branca rosa tem vencida,
E ante quem a vermelha é descorada,
Olhos, claras estrelas, que espantada
Tem a alma, aceso o peito, presa a vida;
Cabelos, puros raios, que abatida
Deixam da manhã clara a luz dourada,
Divina formosura, acompanhada
De uma virtude a poucas concedida;
Palavras cheias de alto entendimento
Raro riso, alto assento, casto peito,
Santos costumes, vivo e grave espirito;
Divino e repousado movimento,
E muito mais, que está em minha alma escrito,
Me tem num puro amor todo desfeito.
.
Imagem: Google
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Link da minha página:

NÃO POSSO MENTIR
Neto Madeiro
O ciúme me impõe a raiva
e minh’alma se atormenta
num enorme turbilhão
e desenho o fim que seria
da nossa relação.
Mas não posso mentir,
não posso fingir,
eu não posso dizer não.
Insisto comigo mesmo
querendo e sem poder acreditar
que te esquecerei então,
porém tudo fica ao avesso
sem apelo à razão.
Porque não posso mentir,
não posso sentir,
pois é teu meu coração.
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UM AMOR QUE AINDA NÃO ACONTECEU...
Nelson Rodrigues de Barros
Hoje eu sonhei contigo...
E te juro, fiz coisas sem pensar.
Olhei-te nos olhos...
Roubei-te um beijo...
Desatei meus segredos...
Te abracei sem medo...
Fui teu cobertor, teu esteio...
Fui por um instante, o seu sol e o seu mar.
Foi um misto de sonho e realidade...
Por Deus, queria acordar mais tarde
E assim poder ficar contigo pra sempre.
Perdão, pela ousadia...
Foi apenas um sonho nesse dia,
Não me leve assim tão mal, bem meu...
Mas no âmago gostaria que fosse verdade,
Pois no peito restou a saudade,
De um amor que ainda não aconteceu.
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Tela: Nikolai Leykin

COLAR DE CAROLINA
Cecilia Meireles
1901 - 1964
Com seu colar de coral,
Carolina
corre por entre as colunas
da colina
O colar de Carolina
colore o colo de cal,
torna corada a menina.
E o sol, vendo aquela cor
do colar de Carolina,
põe coroas de coral
nas colunas da colina.
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TELA: Lucy Hayward
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FANATISMO
Florbela Espanca
in "Livro de Sóror Saudade"
Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver.
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!...
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."
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Link da minha página:


AS DÁDIVAS DOS AMANTES
Carlos Pena Filho
Deu-lhe a mais limpa manhã
Que o tempo ousara inventar.
Deu-lhe até a palavra lã,
E mais não podia dar.
Deu-lhe o azul que o céu possuía
Deu-lhe o verde da ramagem,
Deu-lhe o sol do meio dia
E uma colina selvagem.
Deu-lhe a lembrança passada
E a que ainda estava por vir,
Deu-lhe a bruma dissipada
Que conseguira reunir.
Deu-lhe o exato momento
Em que uma rosa floriu
Nascida do próprio vento;
Ela ainda mais exigiu.
Deu-lhe uns restos de luar
E um amanhecer violento
Que ardia dentro do mar.
Deu-lhe o frio esquecimento
E mais não podia dar.
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ÍMPETO
Jenario de Fatima
Todos os direitos reservados
Quantas bobagens por amor fazemos...
quantas tolices,coisas impensadas...
coisas que depois ao serem analisadas
jamais refletem o senso que temos
E no fim de tudo quando arrependemos
e a insônia vem roubando as madrugadas,
as lágrimas que escorrem apressadas
dão a diminuição daquilo que perdemos.
No dia seguinte, defronte do espelho
um olhar cansado...exausto...vermelho...
insistentemente parece dizer:
"- este teu jeito...teu temperamento...
tu jogaste tudo fora em um momento"
...mas temos a vida inteira pra se arrepender...

"Tolerar a existência do outro e permitir que ele seja diferente,
ainda é muito pouco.
Quando se tolera, apenas se concede,
e essa não é uma relação de igualdade, mas
de superioridade de um sobre o outro".
[José Saramago]
(escritor, premio Nobel de literatura de 1998

AMANTES
Letícia Thompson
Os segredos que escondem minh'alma
Trancados deveras em meu ser
São eles portadores de calma
Refletida nas águas do meu viver.
Se soubessem o valor desses instantes
Que transformam minhas mágoas em risos
Veriam mais que fogo em dois amantes
Que buscam nesse jogo um bem preciso.
Hei de gritar a todo o mundo
Que o que me mata e consome
Também traz-me ar e me faz renascer.
Hei de viver esse sonho profundo!
Hei de calar aquele que chama meu nome
Com beijos de amor que o farão reviver.
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Tela:Lúcia Russo

Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E outros amores. E outras pessoas. E outras coisas
[Caio Fernando Abreu]

9ª CANTIGA DE ACORDAR MULHER
Geir Nuffer Campos
In Canto provisório, 1960
Um dia te acharás
sem inteirar a casa:
ouvirás o marido ressonando,
os filhos dormindo em calma…
O espelho te acenará,
te lembrará coisas da mocidade,
coisas da meninice,
te mostrará vindas algumas rugas;
contemplarás o espelho,
o quarto, a casa;
perguntarás por ti mesma,
pelo teu próprio destino
— e o espelho fará silêncio:
será o sinal de estares acordando.
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Tela: Guy Orlando Rose
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MIL SEGREDOS
Reggina Moon
Já guardei mil segredos
no reflexo do espelho
pedi proteção aos anjos
acendi uma vela ao Santo
e outra para o Diabo
passei por maus bocados
tomei banho de chuva
pulei sete ondas
já sorri sozinha pela rua
cantei versos tristes
desenhei coração na areia
passei acordada noites inteiras
fiz promessa e não cumpri
recebi ingratidões
me alegrei com alegrias
que nem foram minhas
já matei saudades
e morri de lembranças
Sim! Já guardei mil segredos
inventei o Amor pra mim!
Recanto das Letras
Código do texto: T4766236
12/04/2014
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Tela: Frederick-Carl-Frieseke
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SAUDADES
AL Ceccanho
Você existe numa longa espera
E nas lembranças deste canto estreito
Você me espreme longe deste peito,
Em seivas que este tempo dilacera.
Quando por estas relvas se fez fera
Eu me perdi na selva deste leito
E rolei pensamentos imperfeitos
Como quem se devora e vocifera...
Como num canibal das próprias horas,
Alimentei saudades infinitas
E fingi que você nunca partia...
Obstruindo a despedida neste agora,
De como um pôr do sol também te imita
Deixa ao leito o calor daquele dia...
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Tela: Lucio Amitrano

DESCULPE...
André Fernandes
Desculpe minha falta
É que nasci ausência
Não tive a quem me criar
Fui desde pequeno a solidão
Fui taxado de deficiente
E mesmo sendo carente
Jamais deram a mim
Uma mão...
Desculpe meu silêncio
É que nasci mudo
Jamais falei meu nome
Nem pude gritar amém
Mas escrever... Eu pude
E delas jamais perdi
A minha voz...
.
Tela: Nico Vrielink
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UMA CERTA ARTE
Elizabeth Bishop
Tradução de Nelson Ascher
A arte da perda é fácil de estudar:
a perda, a tantas coisas, é latente
que perdê-las nem chega a ser azar.
Perde algo a cada dia. Deixa estar:
percam-se a chave, o tempo inutilmente.
A arte da perda é fácil de abarcar.
Perde-se mais e melhor. Nome ou lugar,
destino que talvez tinhas em mente
para a viagem. Nem isto é mesmo azar.
Perdi o relógio de mamãe. E um lar
dos três que tive, o (quase) mais recente.
A arte da perda é fácil de apurar.
Duas cidades lindas. Mais: um par
de rios, uns reinos meus, um continente.
Perdi-os, mas não foi um grande azar.
Mesmo perder-te (a voz jocosa, um ar
que eu amo), isso tampouco me desmente.
A arte da perda é fácil, apesar
de parecer (Anota!) um grande azar.
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E EU TE BEIJAVA
Federico García Lorca
in 'Poemas Esparsos'
Tradução de Oscar Mendes
E eu te beijava
sem me dar conta
de que não te dizia:
Oh lábios de cereja!
Que grande romântica
eras!
Bebias vinagre às escondidas
de tua avó.
Toda te enfeitaste como um
arbusto de primavera.
E eu estava enamorado
de outra. Vê que pena?
De outra que escrevia
um nome sobre a areia.
.
Tela: Irene sheri

A MORTE DO JANGADEIRO
Padre Antônio Tomaz
l868 - 1941
Ao sopro do terral abrindo a vela,
Na esteira azul das águas arrastada,
Segue veloz a intrépida jangada
Entre os uivos do mar que se encapela.
Prudente, o jangadeiro se acautela
Contra os mil acidentes da jornada;
Fazem-lhe, entanto, guerra encarniçada
O vento, a chuva, os raios, a procela.
Súbito, um raio o prostra e, furioso,
Da jangada o despeja n´água escura;
E, em brancos véus de espuma, o desditoso
Envolve e traga a onda intumescida,
Dando-lhe, assim, mortalha e sepultura
O mesmo mar que o pão lhe dera em vida.
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DESENCANTO...
Manuel Bandeira
Teresópolis, 1912
Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
— Eu faço versos como quem morre.


CÂNTICO DO AMOR ANTIGO!
Dilson Ferreira
Se estás triste, mando-te vermelhas rosas,
Quero ver teus olhos negros brilhando,
Como criança no parquinho brincando,
Como motivo pras canções amorosas.
Se é antigo demonstrar qu'estou amando,
Sou sim! Afirmo isso em versos e prosas,
Amo sentir tuas mãos desejosas
Sobre os meus sonhos, acariciando.
Foi-se o amante por causa do moderno,
Dizer: -eu te amo, não é mais semântico,
Tornou-se frívolo tudo que é terno.
Sendo eu careta, o autor deste cântico,
Do tipo que faz juras de amor eterno,
Talvez eu seja o último romântico!
02/06/2009 - Natal/RN. Ver menos


O BANDOLIM
Augusto dos Anjos
Cantas, soluças, bandolim do Fado
E de Saudade o peito meu transbordas;
Choras, e eu julgo que nas tuas cordas
Choram todas as cordas do Passado!
Guardas a alma talvez d'um desgraçado,
Um dia morto da Ilusão às bordas,
Tanto que cantas, e ilusões acordas,
Tanto que gemes, bandolim do Fado.
Quando alta noute, a lua é triste e calma,
Teu canto, vindo de profundas fráguas,
É como as nênias do Coveiro d'alma!
Tudo eterizas num coral de endeixas...
E vais aos poucos soluçando mágoas,
E vais aos poucos soluçando queixas! Ver menos

CASULO
Ana Barreto
Hoje comemoro..
As vitórias, derrotas
Os percalços do caminho
As flores que feriram pelo fino espinho
Comemoro a alegria de não causar dor
Comemoro a tristeza, o dissabor
Porque em tudo,
Houve um presente dado
Em casa detalhe, um aprendizado
Reservo-me o direito de comemorar
A cada dia, o roteiro aprendido
Em cada momento, ter me surpreendido
E descobrir, enfim...
Não mais te amar...
.
Tela:Roman Frances


CANÇÃO PARA UMA VALSA LENTA
Mario Quintana
Minha vida não foi um romance…
Nunca tive até hoje um segredo.
Se me amas, não digas, que morro
De surpresa… de encanto… de medo…
Minha vida não foi um romance,
Minha vida passou por passar.
Se não amas, não finjas, que vivo
Esperando um amor para amar.
Minha vida não foi um romance…
Pobre vida… passou sem enredo…
Glória a ti que me enches a vida
De surpresa, de encanto, de medo!
Minha vida não foi um romance…
Ai de mim… Já se ia acabar!
Pobre vida que toda depende
De um sorriso… de um gesto… um olhar…
...
(In, “Canções”, segundo livro de Mario Quintana, Ed. Globo e “Melhores Poemas de Mario Quintana, Global Editora”

AMORES ABENÇOADOS...
Eugénio de Sá
Almas unidas de corpos distantes
Partilham sentimentos e vontades
Nos dorsos mansos de aves viajantes
E lá do Olimpo os deuses condoídos
Mandam que os ventos soprem a favor
Dos que se sonham unir-se por amor
Ganha então vez no sonho o alvoroço
A esperança em luz se volve, esplendorosa
E a vida dos amantes torn
a-se venturosa

SEU CHEIRO
Danniel Valente
Não teve jeito,
namorei sua poesia...
Fui folheando cada verso
cheirando cada rima,
pendurei-me na sua ilusão.
Caminhei pelas esquinas,
encontrei seus sonhos,
visitei sua carência.
Vi a sua dor
disfarçada num personagem,
reconheci seu olhar.
Não, não teve jeito
namorei sua poesia...
ou era você?
.
Tela: Anna Marinova

CONVITE À MARÍLIA
Manuel Maria B. Du BOCAGE
1765 - 1805
Já se afastou de nós o Inverno agreste
Envolto nos seus úmidos vapores;
A fértil Primavera, a mãe das flores,
O prado ameno de boninas veste.
Varrendo os ares, o sutil Nordeste
Os torna azuis; as aves de mil cores
Adejam entre Zéfiros e Amores,
E toma o fresco Tejo a cor celeste.
Vem, ó Marília, vem lograr comigo
Destes alegres campos a beleza,
Destas copadas árvores o abrigo.
Deixa louvar da corte a vã grandeza:
Quanto me agrada mais estar contigo
Notando as perfeições da Natureza!
.
Tela: Wilson Vicente


QUANDO FORES VELHA...
William Butler Yeats
Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas
sombras profundas;
Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;
Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te
abandonou e em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.
.


Desnecessária explicação
Daniel Filipe
1925 - 1964
Que importa a melodia,
se acaso aos outros dou,
com pávida alegria,
o pouco que me sou?
Que importa ao que me sabe
estar só no meu caminho,
se dentro de mim cabe
a glória de ir sozinho?
Que importa a vã ternura
das horas magoadas,
se ao meu redor perdura
o eco das passadas?
Que importa a solidão
e o não saber onde ir,
se tudo, ao coração,
nos fala de partir?
.
Tela: Fabian Perez
.


AS “ERAS” DA VIDA
Nelson R. Barros
Era tão deserto que parecia um homem
Era tão certo que virou ilusão
Era tão verdadeiro que agora se esconde
Era tão ontem que ficou pelo chão
Era tão feliz que mal no corpo cabia
Era tão teatro que se esqueceu da razão
Era tão amigo que na dor se escondia
Era um vazio perdido dentro do coração
Era tão sincera que caiu na armadilha
Era tão "ira" que nem contou até dois
Era tão iludida que morreu como ilha
Era tão poesia que parecia Camões
Era tão noite que parecia até dia
Era tão futuro que ficou pra depois
Era tão açoite que o corpo tremia
E ela era tão minha que de repente se foi
.
Imagem: Google


LEMBRANÇAS
Fernando Tanajura Menezes
Quando um novo dia acontece
tudo começa de novo:
os raios de sol penetram na minha janela,
desperto e busco minhas asas
para voar pelo espaço
da minha imaginação sem pesar
Sei que por aqui não estás
e as paisagens se perdem no tempo
Mas teimo com a minha saudade
e recordo dos teus doces beijos,
dos teus abraços em meus braços,
do tempo em que tudo foi bom
Bem-digo essas horas de auroras,
acordo vagando em bons ventos,
flutuo em momentos de outrora
e amo a razão de sonhar
Abençoado é quem teve a bonança
e é feliz quem ainda tem a lembrança.
.

AS VEZES SOU FELIZ
Neto Madeiro
Lágrimas descrevo
por desalentos sentidos,
desgostos, tristezas
e maus tratos sofridos.
Não reflete por não ter brilho
o que está na escuridão,
nem tão pouco a dor é retrato
do meu apaixonado coração.
.
Tela: Mário Eloy Pereira

DESEJO IMORTAL
Vera Pimentel
(Inspirada nos versos da poesia "Morrer" de J.G. de
Araujo Jorge.)
Quando estás aqui, quando me enlaço
em teus braços nesse amor surreal
Por Deus...nem sei o que sinto ou faço
tenho delírios ,entrego-me, é tão real.
Sinto teus lábios nos meus...teu gosto
na mistura de sabores nunca imaginados
é meu o prazer que vejo em seu rosto
Mágica do amor...ver com olhos fechados.
E segue-se o desejo em altas madrugadas
numa alucinação que cega meus sentidos
ouço os gritos de amor nas horas caladas
sob os lençóis corpos suados, confundidos
Quando estás aqui, nos amamos esquecidos
Nosso amor é um incêndio louco, sensual
Desejamos morrer por esse calor vencidos
num sublime prazer...num desejo imortal...!
.


PORTA
Theo Drummond
Meu coração tem porta que consigo
manter trancada porque me convém.
Evito que a presença do inimigo
possa me perturbar, quando ele vem.
Este é um costume meu, bastante antigo.
Aprendi no passado, quando alguém
um dia abriu a porta do seu postigo,
entrou, fingiu me amar como ninguém.
Eu sei o quanto o coração sofreu
quando um dia, saindo pela porta,
deixada aberta por descuido meu,
Ela se foi, por outro amor levada,
e hoje ao meu coração somente importa
manter a porta sempre bem trancada.
.


SEDUÇÃO
Adélia Prado
A poesia me pega com sua roda dentada,
me força a escutar imóvel
o seu discurso esdrúxulo.
Me abraça detrás do muro, levanta
a saia pra eu ver, amorosa e doida.
Acontece a má coisa, eu lhe digo,
também sou filho de Deus,
me deixa desesperar.
Ela responde passando
a língua quente em meu pescoço,
fala pau pra me acalmar,
fala pedra, geometria,
se descuida e fica meiga,
aproveito pra me safar.
Eu corro ela corre mais,
eu grito ela grita mais,
sete demônios mais forte.
Me pega a ponta do pé
e vem até na cabeça,
fazendo sulcos profundos.
É de ferro a roda dentada dela.
.

VESTIDA DE POESIA
Vania Staggemeier
Caminho liberta no mundo...
Nua sem culpa...
... Visto minha alma...
Com a tua poesia...
Ouço o sussurrar do vento...
Sinto a brisa suave do mar...
E ao longe o seresteiro canta...
Seu amor na batida de um violão...
Solitária ouço o canto...
Melodia triste...
No clarão da Lua cheia...
Me vejo agora...
A poesia nua...
Nas mãos do poeta...
Que agora cria...
.
Tela Eliana Bonini
.


SEMENTE DE AMOR
Dorothy de Castro
Amo-te tanto e tão perdidamente
Não me permito imaginar sem ti
Se tudo que até hoje já vivi
Ouso plantar amor como semente...
Não faço planos nem encaro a vida
Se outras vidas eu terei não sei
Talvez quem sabe inda nascerei
Amor não mais serei tão pretendida...
Maço de rosas só para enfeitar-me
Traga consigo amor como presente
Amo-te tanto e tão perdidamente...
Beija-me a boca agora já sem vida
E o corpo frio que abraçaste tanto
Deixa-o dormir num doce acalanto!
...............
REPLANTAR
Amaro Vaz
Se tu me amas tão perdidamente
Se não consegues mais viver sem mim
Permita amor que eu te prolongue o fim
E te devolva a vida simplesmente.
Tem nosso amor a força da semente
És uma rosa viva em meu jardim
És minha historia, a vida, és tudo enfim
Que a vida me oferece de presente
Rosas te levo se me deres vida
Se te sentires forte, renascida
No amor que levarei pra te ofertar
O resto amor depende de nós dois
Deixa portanto a morte pra depois
Por ora só conjugues o verbo amar.
(Resposta do poeta Amaro Vaz ao poema Semente de amor, de Dorothy de Castro) Ver menos


DESILUDIDA
Vicente de Carvalho
1866 - 1924
In Rosa, Rosa de Amor, 1923
Sou como a corça ferida
Que vai, sedenta e arquejante,
Gastando uns restos de vida
Em busca da água distante.
Bem sei que já me não ama,
E sigo, amorosa e aflita,
Essa voz que não me chama,
Esse olhar que não me fita.
Bem reconheço a loucura
Deste amor abandonado
Que se abre em flor, e procura
Viver de um sonho acabado;
E é como a corça ferida
Que vai, sedenta e arquejante,
Gastando uns restos de vida
Em busca da água distante:
Só, perdido no deserto,
Segue em pós do seu carinho:
Vai só arrastando... e vai certo
Que morre pelo caminho. Ver meno

Todos aqueles, cuja alma é sufocada pela soberba e a arrogância, sempre estão fazendo se identificar também pela ingratidão, um dos mais baixos sentimentos que assolam a humanidade.
[Ivan Teorilang]
.
.
Tela Pablo Picasso
.

O CORPO GOZA EM GRITO;
E A ALMA, POR ESCRITO
Maria Eduarda Novaes
Enquanto um corpo pede pão,
A Alma pede um sorriso
Enquanto um corpo dorme no chão,
A Alma desperta o improviso
Enquanto um corpo se equilibra só
Na corda bamba,
A Alma afina o Dó
E compõe mais um samba...
Enquanto um corpo monta em cima,
Perverso; e goza em
Voluptuosa afasia,
A Alma fabrica uma rima,
Um verso; e goza
Em prosa e poesia!
Tela:Emmanuel Garant
.

CANÇÃO DE OUTONO
Mário Quintana
O outono toca realejo
No pátio da minha vida.
Velha canção, sempre a mesma,
Sob a vidraça descida…
Tristeza? Encanto? Desejo?
Como é possível sabê-lo?
Um gozo incerto e dorido
De carícia a contrapelo…
Partir, ó alma, que dizes?
Colher as horas, em suma…
Mas os caminhos do Outono
Vão dar em parte nenhuma!
.

PIADAS SURRADAS
Neto Madeiro
O palhaço sobe ao palco
conta suas piadas engraçadas,
o riso jorra da plateia.
Novamente no mesmo palco
as mesmas piadas surradas,
não tem a graça da estreia.
Nosso amor foi assim,
início de encanto e gargalhadas
e um fim de tristeza plebeia.
Mas o circo se instala de novo
e leva o palhaço a outras paradas,
expondo-o à alcateia.
Destino de quem ama,
sina d'alma apaixonada.
Veneno na colmeia.
.

VOCÊ
Seme Said
Você é a princesa das nuvens
Assombra a tempestade
Ri dos relâmpagos
Esconde a lua
Transparece com o sol
Você é um céu de primavera
Rosa e pálida
Que floresce como a ascensão do
céu azul.
Doce veneno misturado por anjos;
amarga taça.
Então vá, sem mais adornos,
pérolas, diamantes, ou sutil aroma,
Sua graça fácil.
Seu brilho e lindo rosto.
.

NOITE
Antonio Cícero
(Antonio Cícero Correia Lima)
In Guardar, 1996
Vêm lá do canal
reverberações
do ladrar de um cão.
Uma dessas noites
tudo vai embora:
Leve-nos,
ladrão.
Abre-se o sinal
pra ninguém passar.
É melhor ser vão
tudo o que pontua
nossa escuridão.
Tela:Lúcia Russo

AMANTES SEDENTOS
Nadir A D'Onofrio
Dançar, dançar,
Deixar-se levar a mente vagar.
Ao encontro dos sonhos
Que estão a esperar...
Corpos em movimentos
Obedecem ritmo do momento
Sentidos aflorados
Mentes em sintonia...
Cheiro da sua pele
Suor do seu corpo
Umedecendo o meu
Patins deslizam na pista fria.
Logo mais, cama aquecida
Amantes sedentos...
Sincronismo perfeito
Toques, carinho e sedução...
.
Imagem:Google

AINDA NÃO
Cora Coralina
(Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas)
1889 - 1985
I
Ainda não...
É a espera.
Afirmação
do tempo que vai chegar
no tempo que está passando.
II
Ainda não...
É a promessa.
Certeza
do tempo de querer
no tempo que vai chegando.
A mulher é a terra —
terra de semear.
III
Ainda não...
O tempo disse dormindo:
Por que esperar?
Plantar, colher
no amanhecer.
Não retardar o instante
maravilhoso da colheita.
IV
Veio o semeador,
semearam juntos
e colheram
o encantamento do fruto.
Lamentaram juntos
Retardamos tanto... no tempo.
.
Imagem: Google


ARREBATAMENTO
Ana Barreto
O teu amor é mar
Que me envolve o corpo e me leva os segredos
Que me acolhe inteira, desfazendo meus medos
Que me embala, doce, no seu navegar
O teu amor é ar
Que me enche o peito de tantos sentires
Que me faz só sorrisos e não te admires
Se de mim e de ti, esse amor transbordar
Invadindo casas, pessoas, corações
Brincando, maluco com as emoções
Relegando a tristeza que teima em voltar
Não se surpreenda com tais sensações
Esqueça de vez tantas apreensões
Se deixe levar... Pela bênção de amar...
Rio de Janeiro, 01/03/14, 08:00 hrs
.

VITRAIS
Ana Luiza ( coisas de Ana)
E no brilho do olhar
navego meus cais
à deriva de mim...
Sou assim
Náufraga , tola, liberta
prisma abissal, complexa
A terceira frase da oração
o voo, a porta aberta
exorcismo da palavra vã
e de tanto sonhar, fiz-me prisão!
.
Tela: John Nicholson
.

SEM BRILHO NOS OLHOS
Neto Madeiro
Estou amargo.
Meus versos não têm mais doçura,
minhas manhãs são noites escuras.
Teus olhos não brilham mais,
tuas promessas viraram jamais.
Tudo acabou.
O sorriso embriagado
enfeitiçado de amor,
desapareceu do teu rosto
e da alegria só a saudade restou.
.

MURMÚRIO
Cecilia Meireles
Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!
.
Tela: Márcio Domingues
.


MULHER
Ana Barreto
Salve, Mulher!!!
Que essa tua força jamais esmoreça
Que teu coração só sabedoria ofereça
Que em tua alma a alegria crie raízes
Que Deus te faça sábia pra dirimir as crises
Que de dor, o teu ânimo não padeça
Que o teu querer, rebelde, te obedeça
Que a cor dê, ao teu dia, novas matizes
Que a mágoa jamais te paralise
Que a felicidade em tua vida permaneça
E que a revolta o teu sentir desconheça
Que qualquer um, à tua volta, te valorize
E sem nenhum receio para ti verbalize
A força de um amor, que somente cresça...
Rio de Janeiro, 07/03/14, 09:00 hrs Ver me

"AMOR DE CARNAVAL"
Afonso Estebanez Stael
Se de fato tu queres me encontrar
apesar de me teres transformado
na tua multidão, tu deves procurar
no alvoroço do baile triunfal
de teu tumultuado coração...
Eu sou aquele que tu vês se levantando
daquela sombra que virou teu chão.
Repara como eu engoli meu sim
para não ter que devolver teu não...
Se de fato tu queres me encontrar,
eu sou aquele que já foi embora
com uma flor na mão...
.

No cesto ela guardava ofensas, sonhos não realizados, ironias, desatenções. Perguntavam como podia ser tão feliz carregando aquela cesta pesada. Não contava o segredo para ninguém. Quanto mais colocava na cesta, mais cabia. Havia aberto um buraco no fundo e nunca olhava para trás nem para baixo. Só tinha olhos para quem não lhe dava nada. Só tinha olhos para quem, de mãos vazias, ao seu lado sorria.
[Simone Alves Pedersen]
.
Imagem:Google
.

O OLHAR DE QUEM
TE QUER BEM
Hudo Guedes
Fico sério ao te olhar,
porém meu coração
te oferece um sorriso
daqueles, e tu, docemente
me esperas pra te amar!
.
Tela: Fabian Perez

NOSSO AMOR
Amaro Vaz
Feito de distâncias
O amor que nos une
Separa.
O amor que nos prende
Liberta
O amor que nos vem
se ausenta.
E mesmo distante
Laça
E mesmo separado
Une
E mesmo liberto
Prende.
E mesmo distante

O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa
era a imagem de um vidro mole que fazia uma
volta atrás de casa.
Passou um homem depois e disse: Essa volta
que o rio faz por trás de sua casa se chama
enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro
que fazia uma volta atrás de casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.
[Manoel de Barros]
.

QUE ASSIM SEJA
Dibruck
sem nomes
sem retoques
sem hoje
nem amanhã
apenas o estar
apenas o ser
apenas o desejar
e talvez,
nunca se ter
sem castelos
sem bosques
sem reinos
ou mistérios
apenas o ar fresco
apenas a brisa amena
apenas o amor verdadeiro
que da alma acena
que assim seja
pois assim será
sem pompa nem majestade
apenas viver com liberdade.
.
Tela:Brenda Burke
.

Tempos atrás pedia, tira meu medo, Deus.
Hoje, digo, estou com medo, meu Pai, me
abraça.
[Adélia Prado]

ROSA
Afonso Celso
In Poesias escolhidas, 1898
Rosa colhia sozinha
Lindas rosas no jardim
E nas faces também tinha
Duas rosas de carmim.
Cheguei-me e disse-lhe: Rosa
Qual dessas rosas me dás?
As da face primorosa
Ou essas que unindo estás?...
Ela fitou-me sorrindo,
Ainda mais enrubesceu;
Depois, ligeira fugindo,
De longe me respondeu:
"Não dou-te as rosas das faces
Nem as que tenho na mão:
Daria, se me estimasses,
As rosas do coração."
.

A coruja não agoura: o que ela faz é saber os segredos da noite.
|Guimarães Rosa ]
in Ave, palavra


STREAP TEASE
Ana Barreto
Entrego-me a ti e em ti confio
Como quem mergulha, destemida, no vazio
Sem nenhum medo de se machucar
Me uno a ti, pra me transformar
Expulsar de mim anseios descabidos
Entrego-me toda, ao som dos teus gemidos
Com a certeza de quem precisa te amar
Desnudo-me pra ti, corpo, alma, coração
E deixo-me levar nessa avalanche de emoção
Com a paz de estar... No lugar que quero estar...
.
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