POEMAS E OUTROS ( https://www.facebook.com/SonetosDiversos )


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Oi Escritos engavetados , escritor Jc, estamos juntos, o Facebook nos aproximou em fotos. Na Cultura estamos juntos há tempo. Grande abraço amigo escritor Português.
Abraços Poéticos da Eunice Storch ,poeta de Ama













          12/05/2026  PORTAL... POESIAS  💛💛💛

 


"Poupai a ingenuidade delicada
dos que amaram sem nunca dizer nada,
dos que foram amados sem saber!"



"Deixa cair dos lábios de medronho
a perfumada voz do nosso sonho,
mas tão baixinho que só eu entenda!"




"perfeitamente, exatamente iguais...
- Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!"



"a mudança será para nós dois;
e então podereis ver, minha senhora,
que eu sou quem sou por serdes vós quem sois."



"E até hoje, sem rumo e sem paisagem,
ando perdido a procurar coragem
e voz para pedir: “Recomecemos!”"








"E de lágrimas geme, e se desata,
Em minha alma, tristíssima cascata,
Como os cisnes de neve ou como o rio."










"Havia de chorar, se adivinhasse
Que há lágrimas que correm pela face
E outras que rolam pelo coração!"


"Te amar: é mais que em verbo é a minha lei,
E é por ti que o repito no meu canto:
Te amei, te amava, te amo e te amarei!"










"Que o cisne vivo, cheio de saudade,
Nunca mais cante, nem sozinho nade,
Nem nade nunca ao lado de outro cisne!..."










































































PSI
Nem sabes, filho meu, quanto prazer
me causas, quando observo que desponta
em ti uma juventude alegre e pronta
à nítida conquista de viver!
Já fui exuberante assim, um ser
risonho, todo envolto em faz-de-conta
— e às vezes minha mãe surgia, tonta
das traquinagens feitas sem querer...
Revivo os tempos do meu tempo, e sei
definitivamente o que é ser rei
singrando os mares do sentir risonho...
És meu caminho de ontem, eu-menino,
e quero apenas, filho, que o destino
te faça tudo aquilo que eu te sonho!
Eno Teodoro Wanke

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VISITA À CASA PATERNA
LUIZ GUIMARÃES JÚNIOR - Rio de Janeiro (1845-1898)
Como a ave que volta ao ninho antigo,
depois de um longo e tenebroso inverno,
eu quis também rever o lar paterno,
o meu primeiro e virginal abrigo.
Entrei. Um gênio carinhoso e amigo,
o fantasma, talvez, do amor materno,
tomou-me as mãos, olhou-me grave e terno,
e, passo a passo, caminhou comigo.
Era esta a sala... (O se me lembro! e quanto!)
em que da luz noturna à claridade,
minhas irmãs e minha mãe... O pranto
jorrou-me em ondas... Resistir quem há-de?
- Uma ilusão gemia em cada canto,
chorava em cada canto uma saudade...







A MORTE DO JANGADEIRO
Padre Antônio Tomaz
l868 - 1941
Ao sopro do terral abrindo a vela,
Na esteira azul das águas arrastada,
Segue veloz a intrépida jangada
Entre os uivos do mar que se encapela.
Prudente, o jangadeiro se acautela
Contra os mil acidentes da jornada;
Fazem-lhe, entanto, guerra encarniçada
O vento, a chuva, os raios, a procela.
Súbito, um raio o prostra e, furioso,
Da jangada o despeja n´água escura;
E, em brancos véus de espuma, o desditoso
Envolve e traga a onda intumescida,
Dando-lhe, assim, mortalha e sepultura
O mesmo mar que o pão lhe dera em vida.
.
Tela: Raimundo Cela




CONVITE À MARÍLIA
Manuel Maria B. Du BOCAGE
1765 - 1805
Já se afastou de nós o Inverno agreste
Envolto nos seus úmidos vapores;
A fértil Primavera, a mãe das flores,
O prado ameno de boninas veste.
Varrendo os ares, o sutil Nordeste
Os torna azuis; as aves de mil cores
Adejam entre Zéfiros e Amores,
E toma o fresco Tejo a cor celeste.
Vem, ó Marília, vem lograr comigo
Destes alegres campos a beleza,
Destas copadas árvores o abrigo.
Deixa louvar da corte a vã grandeza:
Quanto me agrada mais estar contigo
Notando as perfeições da Natureza!
.
Tela: Wilson Vicente





O LAGO
Narcisa Amália
(1852 - 1924)
Calmo, fundo, translúcido, amplo, o lago
longe, trêmulo, trêmulo, morria.
No seu límpido espelho a ramaria,
curva, de um bosque punha sombra e afago.
Terra e céu, ondulando, eram na fria
tela fundidos! O queixume vago
que a água modula, de ambos parecia,
solto, ululante, intérmino, pressago!
- "Trecho vulgar de sítio abstruso e agreste"
talvez; mas todo o encanto que o reveste
sentisses; contemplasses-lhe a beleza;
comigo ouvisses-lhe a mudez, que fala,
e sorverias no frescor que o embala
todo o alento vital da Natureza!

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Soneto AMOR DE FILHA de autoria do poeta potiguar SEGUNDO WANDERLEY (1860-1909)



SONETO
José da Natividade Saldanha
Se no seio da pátria carinhosa,
Onde sempre é fagueira a sorte dura,
Inda lembras, e lembras com ternura,
Os meigos dias da união ditosa ;
Se entre os doces encantos de que goza
Teu peito divinal, tua alma pura
Suspiras por um triste e sem ventura,
Que vive em solidão cruel, penosa ;
Se lamentas com mágoa a minha sorte,
Recebe estes meus ais, oh minha amante,
Talvez núncios fiéis da minha morte.
E se mais nós não virmos, e eu distante
Sofrer da parca dura o férreo corte:
Amou-me, dize então, morreu constante.
Nota: Pernambucano, nascido a 8 de setembro de 1796, e falecido na Bolívia, afogado inuma vala da rua, onde caíra em noite de chuva torrencial, em 1830. Bacharel em direito por Coimbra, abraçou a advocacia e foi professor de humanidades em Bogotá.



HISTÓRIA ANTIGA
RAUL DE LEONI - Fluminense (1895-1926)
No meu grande otimismo de inocente,
eu nunca soube porque foi... Um dia,
ela me olhou indiferentemente;
perguntei-lhe por que era... Não sabia...
Desde então, transformou-se, de repente,
a nossa intimidade correntia
em saudações de simples cortesia
e a vida foi andando para a frente...
Nunca mais nos falamos.., vai distante...
Mas, quando a vejo, há sempre um vago instante
em que seu mudo olhar no meu repousa...
E eu sinto, sem no entanto compreendê-la,
que ela tenta dizer-me qualquer cousa,
mas que é tarde demais para dizê-la...









DESÂNIMO
Alberto Figueiredo Pimentel
(1869 - 1914)
Já nada tenho do que outrora tive,
e noutros tempos muita coisa eu tinha:
minha Alma, agora, em desespero vive,
vivendo sem viver, triste e sozinha.
Muito sorri e muita dor contive,
para que o mundo vil não visse a minha
grande e profunda mágoa. E assim estive,
a viver uma vida bem mesquinha.
Tudo perdi. Na noite do passado,
apagou-se o fanal que me guiava,
no Céu do meu viver a fulgurar.
Agora, velho, trôpego, cansado,
espero, mas em vão, que da Alma escrava,
venha a Morte os grilhões despedaçar.




O Sonho dos Sonhos
(Múcio Teixeira – R.G. do Sul - 1858-1926)
Quanto mais lanço as vistas ao passado,
Mais sinto ter passado distraído,
Por tanto bem – tão mal compreendido,
Por tanto mal – tão bem recompensado!...
Em vão relanço o meu olhar cansado
Pelo sombrio espaço percorrido:
Andei tanto – em tão pouco... e já perdido
Vejo tudo o que vi, sem ter olhado.
E assim prossigo, sempre audaz e errante,
Vendo o que mais procuro mais distante,
Sem ter nada – de tudo que já tive...
Quanto mais lanço as vistas ao passado,
Mais julgo a vida – o sonho mal sonhado
De quem nem sonha que a sonhar se vive!...







Sem teu amor
Sem teu amor meus sonhos são distantes...
Não existem Glicínias a brotar,
Há noites sem estrelas, sem luar,
Ruas sem passos, mar sem navegantes!
Meus olhos são crianças mendincantes
Sozinhas pela vida, sem ter lar,
Anelam por visões acariciantes;
Teus beijos ternos, plenos de sonhar!
Os dias nunca voltam, passam, passam...
Teus braços que eu desejo não me abraçam,
Tristonho o Lisianto descolora...
Tem minha dor a imensidão dos mares
E é teu amor sumindo pelos ares
Leve gota de orvalho que evapora...
Claudia Dimer







A RUA DA SAUDADE
Isabel Vieira de Serpa e Paiva
Dona saudade andou, serena, colorindo
De roxo e de lilás as árvores da rua,
E as flores que, ao sabor do vento, vão caindo,
Tecem amplo cendal sovre a calçada nua.
Vendo-a, tenho a impressão de um sentimento infindo
que um sussurro de prece ardente se insinua,
Que uma nuvem de incenso, aos poucos, vai subindo,
Qure um som grave de orgão entre os jardins flutua.
Minha rua São Luis...Ó rua da saudade!
Como voce ficou na minha mocidade
Da escola, ao regressar, erguida em plena praça!
Entre a verde efusão dos troncos seculares,
Voce quieta ficou, entre os velhos solares
Que inda freme e estua o orgulho de uma raça!



REMORSO
Olavo Bilac
* 1865 - Rio de Janeiro - RJ
+ 28/12/1918 - Rio de Janeiro - RJ
Às vezes, uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando,
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.
Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...
Ah! mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!
Sinto o que esperdicei na juventude;
Choro, neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude,
Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!


OS DOIS CORTEJOS
Joséphin Soulary
1815-1891
A dois cortejos se abre a igreja. Um em sombria
tristeza vem: - conduz de um anjo o esquife estreito;
segue-o aflita mulher, e quase tresvaria,
os prantos a afogar no escandecido peito.
o outro um batizado: - e na faixa macia
se agita o pequenito; a mãe, com mimo e jeito,
dá-lhe o inefável seio e o afaga e acaricia
e o abraça, a rir, radioso o gesto, em triunfo o aspeito.
Do templo, batizado e enterro vão-se embora.
Súbito, as duas mães se encontram... Nesse instante,
uma, furtivo olhar, no olhar da outra demora.
E - dolorosa cena, ó lance edificante!
A jovem mãe que ria, ao ver o esquife, chora,
e a que chorava ri, ao contemplar o infante!
Tradução:Júlio Maciel




A HORA CINZENTA
Raul de Leoni
1895 - 1926
Desce um longo poente de elegia
sobre as mansas paisagens resignadas;
uma humaníssima melancolia
embalsama as distâncias desoladas...
Longe, num sino antigo, a Ave Maria
abençoa a alma ingênua das estradas;
andam surdinas de anjos e de fadas,
na penumbra nostálgica, macia.
Espiritualidades comoventes
sobem da terra triste, em reticência
pela tarde sonâmbula, imprecisa.
Os sentidos se esfumam, a alma é essência,
e entre Fugas de sombras transcendentes,
o Pensamento se volatiza...
Ilustação: Francisco Maduro




O LAGO
Júlia Cortines Laxe
1868-1948
Um pouco d'água só, e, ao fundo, areia ou lama.
Um pouco d'água em que, no entanto, se retrata
o pássaro que o vôo aos ares arrebata,
e o rubro e infindo céu do crepúsculo em chama.
Água que se transmuda em reluzente prata,
quando, do bosque em flor, que as brisas embalsama,
a lua, como uma áurea e finíssima trama,
pelos ombros da Noite a sua luz desata.
Poeta, como esse lago adormecido e mudo,
onde não há, sequer, um frêmito de vida,
onde tudo é ilusório e passageiro é tudo,
existem, sobre um fundo, ou de lama ou de areia,
almas em que tu vês, apenas, refletida
a tua alma, onde o sonho astros de ouro semeia.
Tela: Claude Monet


BUSCA INSANA
Jenário de Fátima
Tenho andado só nos últimos anos,
A sensibilidade à flor da pele.
Atrás de quem me cuide, quem me zele
Na busca inexplicável dos insanos.
Face cansada por perdas e danos
E por vendavais que minha nau impele.
Nunca me acostumo ao frustrar de planos,
Ou sal da lágrima que o olhar expele.
.
Mas cada dia sempre é um recomeço,
Mais um trecho a somar pelo caminho.
Por cada face... Cada rosto que conheço!
Mais me maltrato, questiono, e me definho!
E em cada quarto ou cama que amanheço,
Vou ficando cada dia mais sozinho!


(Eno Teodoro Wanke (Ponta Grossa PR 1929-2001)
ÔMEGA
Se podes namorar? Querida filha,
quem sou, para dizer? — Quando o botão
de rosa espia o mundo, ansioso, não
o impedirei de abrir-se em maravilha!
És juventude, e seguirás a trilha
do teu destino. E desabrocharão
teus dias, tua vida, do clarão
da aurora que hoje inicialmente brilha...
O ciclo do lirismo se completa
e em ti revivo anseios de um poeta
que muito ardeu de amor e muito quis...
Adivinhando as nuvens do teu sonho,
querida filha, em tuas mãos deponho
o meu consentimento. Sê feliz!


(Eno Teodoro Wanke (Ponta Grossa PR 1929-2001)
PSI
Nem sabes, filho meu, quanto prazer
me causas, quando observo que desponta
em ti uma juventude alegre e pronta
à nítida conquista de viver!
Já fui exuberante assim, um ser
risonho, todo envolto em faz-de-conta
— e às vezes minha mãe surgia, tonta
das traquinagens feitas sem querer...
Revivo os tempos do meu tempo, e sei
definitivamente o que é ser rei
singrando os mares do sentir risonho...
És meu caminho de ontem, eu-menino,
e quero apenas, filho, que o destino
te faça tudo aquilo que eu te sonho!


(Eno Teodoro Wanke (Ponta Grossa PR 1929-2001)
APELO
Eu venho da lição dos tempos idos
e vejo a guerra no horizonte armada.
Será que os homens bons não fazem nada?
Será que não me prestarão ouvidos?
Eu vejo a Humanidade manejada
em prol dos interesses corrompidos.
É mister acabar com esta espada
suspensa sobre os lares oprimidos!
É preciso ganhar maturidade
no fomento da paz e da verdade,
na supressão do mal e da loucura...
Que a estrutura econômica da guerra
se faça em pó! E que reinem sobre a terra
os frutos do trabalho e da fartura!



AO ZÉFIRO
Gustavo Adolfo Bécquer
1836 - 1870
Zéfiro doce que, vagando alado,
por entre as frescas, purpurinas flores,
com suave beijo furta seus odores
para espalhá-los pelo verde prado;
queixas de meu amor e meu cuidado
leva à que, só de olhar, mata de amores,
pede-lhe que alivie as minhas dores
e me console o coração magoado.
Não! Não vás, não. .. Porque, se acaso a achares,
e o de seus lábios cálido perfume
pelo de um cravo enganador tomares,
provando-o, como é bem de teu costume,
embora pondo fim aos meus penares,
eu iria de ti sentir ciúme.
(Trad. de Mello Nóbrega)



QUANDO O GRÃO LUME SURGE DO ORIENTE...
Vittoria Colonna
1492 - 1547
Quando o Grão Lume surge do Oriente
e o negro manto desta noite afasta,
quando na terra o gelo se desgasta,
dissolvido ao calor de um raio ardente,
a minha dor, que o sono suavemente
anestesiara, acorda mais nefasta.
E, quando aos outros o prazer se gasta,
é que revive o meu, mais docemente.
Assim me impele uma inimiga sorte:
procuro a escuridão, fugindo à luz,
odeio a vida, desejando a morte.
O que ensombra outro olhar no meu reluz.
Se fecho os olhos, abre-se, num corte,
a dor profunda que a meu sol conduz.
(Trad. de Delson Tarlé)


A BORRALHEIRA
Guimarães junior
Meigos pés, pequeninos, delicados,
Como um duplo lilás, se os beija-flores
Vos descobrissem entre as outras flores,
Que seria de vós, pés adorados!
Como dois gêmeos silfos animados,
Vi-vos ontem pairar entre os fulgores
Do baile, ariscos, brancos, tentadores,
Mas, ai de mim! como os mais pés, calçados.
Calçados como os mais! Que desacato!
Disse eu... Vou já talhar-lhes um sapato
Leve, ideal, fantástico, secreto...
Ei-lo. Resta saber, Anjo faceiro,
Se acertou na medida o sapateiro:
Mimosos pés, calçai este soneto.
Publicado por Margot Vidal



Duas Almas
Alceu Wamosy
(R. G. do Sul – 1895-1923)
Ó tu, que vens de longe, ó tu, que vens cansada,
Entra, e sob este teto encontrarás carinho:
Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,
Vives sozinha sempre, e nunca foste amada...
A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,
E a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
Se banhem na nascente da alvorada.
E amanhã quando a luz do sol dourar, radiosa,
Essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
Podes partir de novo, ó nômade formosa!
Já não serei tão só, nem irás tão sozinha:
Há de ficar comigo uma saudade tua,
Hás de levar contigo uma saudade minha...

O Burro
(Patativa do Assaré – Ceará - 1909-2002)
Vai ele a trote, pelo chão da serra,
Com a vista espantada e penetrante,
E ninguém nota em seu marchar volante,
A estupidez que este animal encerra.
Muitas vezes, manhoso, ele se emperra,
Sem dar uma passada para diante,
Outras vezes, pinota, revoltante,
E sacode o seu dono sobre a terra.
Mas contudo! Este bruto sem noção,
Que é capaz de fazer uma traição,
A quem quer que lhe venha na defesa,
É mais manso e tem mais inteligência
Do que o sábio que trata de ciência
E não crê no Senhor da Natureza.


Estranhas Lágrimas
(Félix Pacheco –Piauí -1879-1935)
Lágrimas... Noutras épocas verti-as.
Não tinha o olhar enxuto, como agora,
- Alma, dizia então comigo, chora,
Que o pranto diminui as agonias.
Ah! Quantas vezes pelas faces frias,
Por mal do meu amor, que se ia embora,
Gota a gota, rolando, elas outrora,
Marcaram noites e marcaram dias!
Vinham do oceano da alma, imenso e fundo,
Ondas de angústia, em suspiroso arranco,
Numa desesperança acerba e louca.
Nos olhos, hoje, as lágrimas estanco,
Mas rolam todas, sem que as veja o mundo,
Sob a forma de risos, pela boca.
Elogio à dor do desamor
(José Antonio Jacob – Minas Gerais – 1950)
I
Ainda que até o amor você me roube,
(Pode roubar-me sem abrir a porta)
Rogarei que outro amor maior me arroube,
Pois só o amor meu coração conforta.
Ora, que triste, a noite é quase morta,
E o meu beijo em seus lábios nunca coube,
Eu amo a dor e a dor não me suporta,
Porque eu já morri e você não soube.
O meu amor que o seu amor espalma,
Em troca de ter-me arrebatado a alma,
Haverá de avivar as suas dores...
Que vibrem no seu peito outros amores!
Você feriu-me a vida e dou-lhe flores...
E morro sem você na noite calma.




VELHO TEMA
Vicente de Carvalho
(1866-1924)
Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada;
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.
O eterno sonho da alma desterrada
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.
Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,
Existe, sim: mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos.
Publicação de Margot Vidal

Alvorada Eterna
(J. G. de Araújo Jorge – Acre - 1914 -1987)
Quando formos os dois já bem velhinhos,
já bem cansados, trôpegos, vencidos,
um ao outro apoiados, nos caminhos,
depois de tantos sonhos percorridos...
Quando formos os dois já bem velhinhos
a lembrar tempos idos e vividos,
sem mais nada colher, nem mesmo espinhos
nos gestos desfolhados e pendidos...
Quando formos só os dois, já bem velhinhos,
lá onde findam todos os caminhos
e onde a saudade, o chão, de folhas junca...
Olha amor, os meus olhos, bem no fundo,
e hás de ver que este amor em que me inundo
é uma alvorada que não morre nunca!

Barcos de Papel
(Guilherme de Almeida - São Paulo – 1890-1969)
Quando a chuva cessava e um vento fino
Franzia a tarde tímida e lavada,
Eu saía a brincar, pela calçada,
Nos meus tempos felizes de menino
Fazia, de papel, toda uma armada;
E, estendendo o meu braço pequenino,
Eu soltava os barquinhos, sem destino,
Ao longo das sarjetas, na enxurrada...
Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
Que não são barcos de ouro os meus ideais:
São feitos de papel, são como aqueles,
Perfeitamente, exatamente iguais...
- Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!

A Espera
(Manuel Batista Cepelos - São Paulo - 1872-1915)
Com sua voz assustadinha e doce,
Doce como um trinar de passarinho,
Ela me disse que esperá-la fosse,
Fosse esperá-la à beira do caminho.
Mas o tempo de espera prolongou-se,
Prolongou-se demais! E, então, sozinho,
Passei o dia. Veio a tarde e trouxe,
Trouxe arrulhos de amor, de ninho em ninho.
Desespero. O silêncio me tortura.
Mas de repente, alvoroçado escuto
Um farfalhar de folhas na espessura.
Ela chega e tão linda, de maneira
Que só para gozar este minuto
Eu a esperara a minha vida inteira.


Longe da Vista
Guilherme de Almeida
(São Paulo – 1890-1969)
Vou partir, vais ficar. “Longe da vista,
Longe do coração” – diz o ditado.
Basta, porém, que o nosso amor exista,
Para que eu parta e fiques sem cuidado.
Dentro em mim mesmo, o coração egoísta,
Quanto mais longe, mais te quer ao lado;
Tanto mais te ama, quanto mais te avista
E, antes de ver-te, já te havia amado.
Vou partir. Para longe? Para perto?
- Não sei: longe de ti tudo é deserto
E todas as distâncias são iguais.
Como eu quisera que, na despedida,
Quando se unissem nossas mãos, querida,
Nunca pudessem desunir-se mais!
VIA LÁCTEA
Olavo Bilac
(Rio de Janeiro – 1865-1918)
“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo,
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda noite, enquanto
A Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: - “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi. – “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.


Para dar início a página SONETOS CÉLEBRES segue abaixo a postagem do famoso soneto de arvers, escrito originalmente em francês, tendo várias versões para o português, sendo ao meu ver, a versão de Guilerme de Almeida a melhor entre elas. Portanto, eis a seguir o texto em francês e a versão citada em português.
SONNET, de Félix Arvers
Mon ame a son secret, ma vie a son mystère,
un amour eternel en un moment conçu;
Le mal est sans espoir, aussi j'ai dú le taire,
et celle qui l'a fait n'en a janais riens su.
Helas! j'aurai passé près d'elle inaperçu
toujours à ses côtes et toujours solitaire;
et j'aurai jusqu'au bout fait mon temps sur la terre
n'osant rien demander, et n'ayant rien reçu.
Pour elle, quoique Dieu l'ait faite bonne et tendre,
elle ira son chemin, distraite, et sans entendre
ce murmure d'amour elevé sur ses pas;
à l'austère devoir pieusement fidèle,
elle dira, lisant ces vers tout remplis d'elle,
"Quelle est donc cette femme"?" et ne comprendra pas....
(TRADUÇÃO PARA O PORTUGUÊS)
Tenho na alma um segredo e um mistério na vida:
um amor que nasceu, eterno, num momento.
É sem remédio a dor; trago-a pois escondida,
e aquela que a causou nem sabe o meu tormento.
Por ela hei de passar, sombra inapercebida,
sempre a seu lado, mas num triste isolamento,
e chegarei ao fim da existência esquecida
sem nada ousar pedir e sem um só lamento.
E ela, que entanto Deus fez terna e complacente,
há de, por seu caminho, ir surda e indiferente
ao murmúrio de amor que sempre a seguirá.
A um austero dever piedosamente presa,
ela dirá lendo estes versos, com certeza:
"Que mulher será esta? " e não compreenderá.
Tradução de Guilherme de Almeida
Para dar início a página SONETOS CÉLEBRES segue abaixo a postagem do famoso soneto de arvers, escrito originalmente em francês, tendo várias versões para o português, sendo ao meu ver, a versão de Guilerme de Almeida a melhor entre elas. Portanto, eis a seguir o texto em francês e a versão citada em português.
SONNET por Felix Arvers
A minha alma tem o seu segredo, a minha vida tem o seu mistério,
um amor eterno em um momento concebido;
O mal é inútil, também tive que ficar em silêncio,
e quem fez isso não sabia nada sobre isso.
Está bem! Vou passar despercebido por ela
sempre ao seu lado e sempre solitário;
e terminarei meu tempo na terra
que se atreveu a pedir, e nada recebeu.
Para ela, embora Deus a tenha feito boa e terna,
ela vai seguir o seu caminho, distraída e inédita
este sussurro de amor elevado em seus passos;
dever austero piedosamente fiel,
ela dirá, lendo estes versos cheios dela,
"Então, quem é esta mulher"? "e não vou entender...
(TRADUÇÃO PARA O PORTUGUÊS)
Tenho na alma um segredo e um mistério na vida:
um amor que nasceu, eterno, num momento.
É sem remédio a dor; trago-a pois escondida,
e aquela que a causou nem sabe o meu tormento.
Por ela hei de passar, sombra inapercebida,
sempre a seu lado, mas num triste isolamento,
e chegarei ao fim da existência esquecida
sem nada ousar pedir e sem um só lamento.
E ela, que entanto Deus fez terna e complacente,
há de, por seu caminho, ir surda e indiferente
ao murmúrio de amor que sempre a seguirá.
A um austero dever piedosamente presa,
ela dirá lendo estes versos, com certeza:
"Que mulher será esta? " e não compreenderá.
Tradução de Guilherme de Almeida
  
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